Uma figura de xamã conservou tinta vermelha por 1.500 anos dentro de um antigo túmulo japonês
Escultura funerária encontrada em Gunma preservou pintura vermelha, penteado cerimonial e acessórios que revelam detalhes dos rituais do período Kofun
Uma escultura de argila com aproximadamente 1.500 anos foi encontrada em um túmulo na província de Gunma, no Japão, ainda com vestígios de tinta vermelha no rosto e nas roupas. A haniwa de Nishikaminomiya, que representa uma possível sacerdotisa, preservou detalhes raros dos rituais funerários do período Kofun.
Como uma figura de xamã foi encontrada em um túmulo japonês de 1.500 anos?
A descoberta aconteceu no sítio arqueológico de Nishikaminomiya, na cidade de Isesaki, durante escavações relacionadas às obras de melhoria do rio Tone. Os trabalhos começaram em 2020 e já identificaram onze túmulos antigos. A escultura apareceu no fosso que circundava o túmulo número 1, construído durante a segunda metade do século V.
A peça foi encontrada em julho de 2026, com a cabeça e o tronco ainda conectados, formando um fragmento de aproximadamente 40 centímetros de altura. Os arqueólogos acreditam que a figura originalmente estivesse posicionada sobre uma parte saliente do monte funerário e tenha escorregado para o fosso com o passar dos séculos.
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Por que a haniwa de Nishikaminomiya ainda conservava tinta vermelha?
A escultura foi produzida em argila e recebeu detalhes modelados cuidadosamente, incluindo cabelos presos no alto da cabeça, dedos individualizados e adornos nos braços. Apesar da longa permanência no solo, partes da pintura vermelha continuaram reconhecíveis, principalmente no rosto, nas pulseiras e na faixa que atravessa o peito.
Os pesquisadores destacaram cinco características que tornam a descoberta particularmente importante:
- Cabelo preso em um penteado tradicional conhecido como kofun shimada
- Faixa cerimonial atravessando o tronco a partir do ombro direito
- Pigmento vermelho preservado no rosto e nos acessórios
- Dedos modelados individualmente e narinas perfuradas na argila
- Objeto alongado segurado na mão esquerda, possivelmente utilizado em rituais
Esses elementos ajudaram a identificar a personagem como uma miko, figura feminina associada a atividades religiosas. A função exata do objeto que segura ainda não foi determinada, e sua identificação como sacerdotisa permanece uma interpretação arqueológica.

Qual era a função das figuras haniwa nos túmulos do período Kofun?
As haniwa eram esculturas de argila colocadas sobre grandes montes funerários japoneses durante o período Kofun, aproximadamente entre os séculos III e VII. Inicialmente, muitas apresentavam formatos cilíndricos, mas posteriormente surgiram representações de casas, animais, guerreiros e pessoas vestidas para diferentes atividades.
Essas figuras provavelmente participavam de cerimônias funerárias e ajudavam a representar a posição social dos indivíduos sepultados. No caso das personagens femininas associadas a práticas religiosas, os pesquisadores consideram possível uma ligação com rituais de comunicação entre o mundo humano e o espiritual. Entretanto, não existe consenso de que todas as haniwa funcionassem como recipientes para almas.
O que a descoberta revela sobre os rituais funerários do Japão antigo?
Segundo o Governo da Província de Gunma, que anunciou oficialmente a descoberta em 21 de outubro de 2026, a escultura pertence a uma fase relativamente antiga da produção de haniwa humanas na região. Esse tipo de representação começou a aparecer no centro do Japão durante o século V, difundindo-se posteriormente para outras áreas.
O túmulo onde a peça foi encontrada também revelou fragmentos de um sarcófago de pedra com formato de barco. A construção, considerada uma das principais do conjunto funerário, provavelmente pertenceu a uma pessoa de posição elevada. A presença da personagem cerimonial reforça a interpretação de que a sepultura possuía uma organização ritual elaborada.
Quais detalhes da haniwa de Nishikaminomiya ajudam a reconstruir sua história?
A peça conserva características que permitem investigar tanto sua fabricação quanto o ambiente em que foi originalmente utilizada. A comparação com outras esculturas do período ajuda a compreender a evolução das representações humanas na arte funerária japonesa.
| Característica | Informação arqueológica |
|---|---|
| Datação | Segunda metade do século V |
| Altura preservada | Aproximadamente 40 centímetros |
| Pigmentação | Tinta vermelha no rosto, na faixa e nos adornos |
| Objeto na mão | Instrumento alongado de função ainda desconhecida |
| Local de descoberta | Fosso do túmulo número 1, em Nishikaminomiya |
Por que a escultura de 1.500 anos é importante para compreender a sociedade japonesa?
A descoberta oferece informações sobre aspectos da vida no Japão antigo que dificilmente sobreviveriam em materiais orgânicos. Penteados, acessórios e formas de vestir representados nas haniwa permitem investigar tradições culturais, diferenças sociais e possíveis funções cerimoniais.
A escultura começou a ser exibida em 28 de outubro de 2026 no Centro de Pesquisa Arqueológica da Província de Gunma, na cidade de Shibukawa. Sua preservação excepcional também permite comparar técnicas de fabricação e pintura com exemplares de outras regiões. Embora a identidade da pessoa sepultada permaneça desconhecida, a figura ajuda a reconstruir as práticas funerárias de comunidades japonesas de aproximadamente quinze séculos atrás.
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