Uma família passou 28 dias dentro da casa mais assombrada dos Estados Unidos, mas o mistério de Amityville começa com algo ainda mais perturbador
A mansão de Long Island virou lenda mundial ao misturar assassinatos, relatos sobrenaturais e dúvidas nunca resolvidas
Em 13 de novembro de 1974, seis membros de uma mesma família foram assassinados enquanto dormiam em uma casa em Long Island, Nova York. Um ano depois, uma nova família se mudou para o mesmo endereço e alegou ter vivido 28 dias de terror sobrenatural antes de fugir deixando tudo para trás. Quase cinquenta anos depois, o caso de Amityville ainda divide céticos e crentes, inspira produções em todo o mundo e continua assombrando a cultura popular.
O crime que veio antes do horror
Na madrugada de 13 de novembro de 1974, Ronald DeFeo Jr., 23 anos, pegou um rifle calibre .35 e assassinou o pai, a mãe, dois irmãos e duas irmãs enquanto dormiam em suas camas na casa do número 112 da Ocean Avenue. Nenhum vizinho relatou gritos. Não houve sinais de luta. As seis vítimas foram encontradas na mesma posição em que haviam adormecido.
Após ser preso, Ronald apresentou versões contraditórias. Alegou que vozes teriam ordenado os assassinatos e que a família conspirava contra ele. O tribunal rejeitou todas as justificativas. Ele foi condenado à prisão perpétua e permaneceu preso até morrer em 2021.
Confira o vídeo compartilhado pelo canal do YouTube Elton Davel mostrando sua visita à casa mais assombrada dos Estados Unidos.
A família que comprou a casa sabendo do que havia acontecido
Em 1975, George e Kathy Lutz procuravam uma casa para viver com os três filhos dela. Encontraram uma mansão em Amityville com vista para o canal, jardim amplo, garagem para barcos e preço abaixo do mercado. Durante a visita, foram informados sobre os assassinatos do ano anterior. Mesmo assim, decidiram comprar o imóvel.
Segundo os relatos do casal, os fenômenos começaram logo após a mudança. George sentia frio constante mesmo com a lareira acesa, ficava cada vez mais irritado e paranoico, e desenvolveu um comportamento obsessivo em torno de cortar lenha. Kathy passou a ter pesadelos recorrentes e relatava a sensação de presenças invisíveis durante a noite. A filha mais nova, Missy, afirmava conversar com uma entidade chamada Jodie, que descrevia como um porco demoníaco de olhos brilhantes.
Os episódios que transformaram uma casa em lenda
Com o passar dos dias, os relatos dos Lutz foram se intensificando. Entre os fenômenos descritos pelo casal estavam portas e janelas abrindo sozinhas, estrondos inexplicáveis pela casa, manchas surgindo nas paredes e odores insuportáveis. Um detalhe chamou atenção especial: George acordava todas as noites às 3h15, horário que, segundo ele, coincidiria com o momento em que os assassinatos da família DeFeo foram cometidos. Os eventos relatados incluíam ainda:
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Os Warrens, a fotografia e a explosão na cultura popular
Com a repercussão dos relatos, o casal Ed e Lorraine Warren, investigadores paranormais conhecidos internacionalmente, foram chamados para examinar a residência. Ed afirmava sentir uma presença maligna intensa no local. Lorraine dizia ter visões demoníacas. Durante a investigação, surgiu um dos elementos mais famosos do caso: uma fotografia tirada à noite mostrava uma figura infantil com olhos luminosos encarando a câmera em um corredor da casa. Segundo os investigadores, nenhuma criança estava presente naquela noite.
O caso rapidamente explodiu na mídia. O livro O Horror em Amityville foi publicado, seguido por um filme em 1979 e mais de 30 produções derivadas entre filmes, séries e documentários. O caso é apontado como influência direta de Poltergeist e de toda a franquia Invocação do Mal. As janelas originais da casa, em formato que lembrava olhos, tornaram-se um dos ícones visuais mais reconhecíveis do terror moderno.

Fraude, fuga e uma casa que ainda assombra
Após apenas 28 dias morando no imóvel, os Lutz abandonaram a casa deixando para trás móveis, roupas e objetos pessoais. Críticos sempre apontaram que o casal estava endividado e que o próprio advogado da família teria admitido que parte da narrativa surgiu durante uma conversa informal regada a bebida. Apesar disso, George e Kathy Lutz mantiveram a versão até o fim de suas vidas, e os Warrens nunca deixaram de tratar o caso como real.
Hoje, a casa no número 108 da Ocean Avenue, após mudança de endereço e reforma na fachada para afastar turistas, aparece borrada no Google Maps. Os moradores rejeitam visitantes. Filmagens próximas podem acionar a polícia. O crime foi real. As vítimas existiram. E seja qual for a verdade sobre o sobrenatural, Amityville prova que o medo mais duradouro é aquele que nunca se deixa provar nem desmentir completamente.
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