Uma estrutura de 40 metros de altura e 160 metros de largura, composta por cerca de um milhão de toneladas de calcário, emerge do meio da taiga e intriga os cientistas há mais de 70 anos
O cone de Patom, no norte da Sibéria, foi estudado por geólogos e reúne marcas que favorecem uma explicação interna da Terra
Em uma época em que imagens de paisagens remotas circulam com facilidade, a taiga siberiana guarda um relevo que exige mais do que uma foto para ser entendido. O cone de Patom, uma estrutura de pedra localizada no norte da Sibéria, mede cerca de 40 metros de altura e 160 metros de diâmetro, segundo a Academia Russa de Ciências.
O cone de Patom reúne rochas e formas incomuns
A estrutura de pedra fica numa encosta das terras altas de Patom, a cerca de 360 quilômetros de Bodaibo, na região de Irkutsk. Ela é formada principalmente por blocos fragmentados de calcário e apresenta um anel elevado no topo, além de uma elevação central.
O cenário chama atenção porque a taiga ao redor contrasta com a geometria do cone. Para ampliar a leitura sobre processos que mudam a crosta terrestre, uma reportagem do O Antagonista mostra como placas podem se reorganizar em grandes escalas de tempo.
Por que a origem do cone ainda desperta debate?
As hipóteses para a formação geológica já incluíram impacto de meteorito, pressão de gases profundos e processos internos da Terra. A aparência circular ajudou a alimentar comparações com crateras de impacto, mas a estrutura é uma elevação, não uma cavidade aberta no terreno.
Uma nota da Academia Russa de Ciências relata que pesquisadores ligados ao Instituto de Geoquímica da Academia concluíram que o cone tem origem endógena. A interpretação considera o mapeamento geológico, a organização das camadas e a duração do processo.

O que as expedições revelaram sobre a formação?
Expedições realizadas em 2006 e 2008 reuniram geólogos, geoquímicos, geofísicos, biólogos e astrônomos. Os trabalhos produziram um mapa da área e analisaram as rochas do cone e do entorno na taiga, onde o acesso é difícil.
O estudo divulgado pelo Centro Científico Federal da Sibéria descreve quatro partes principais: a encosta externa, o anel elevado, uma depressão anular e a colina central. As amostras indicaram predomínio de rochas sedimentares carbonáticas.
Essa formação geológica não se comporta como um vulcão comum, pois não há descrição de material fundido no cone. A hipótese endógena considera fluidos e gases vindos de profundidade, capazes de fraturar e deslocar calcário sem produzir lava na superfície.

O valor científico de observar o cone com cautela
O cone de Patom mostra como uma estrutura de pedra pode concentrar pistas sobre processos lentos e profundos. A taiga preserva uma paisagem em que falhas, rochas sedimentares e pressões subterrâneas precisam ser analisadas em conjunto.
O interesse científico também está na escala temporal. A Academia Russa de Ciências informou que análises de anéis de árvores apontaram uma formação ao longo de aproximadamente 300 a 350 anos, a partir do fim do século XV ou início do XVI.
Para quem acompanha imagens da Sibéria e de outras paisagens isoladas, o cuidado mais importante é evitar conclusões rápidas baseadas apenas na aparência. A taiga guarda processos geológicos complexos, e observar essa formação geológica com curiosidade e prudência é um bom convite para entender melhor o planeta.
Outros fenômenos naturais também mostram que mudanças no subsolo podem transformar rapidamente uma paisagem. O caso abaixo ajuda a comparar mecanismos diferentes de remoção e colapso de rochas.
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