Uma placa tectônica está se rasgando sob o Pacífico Noroeste e cientistas conseguiram observar uma zona de subducção começando a morrer
Imagens sísmicas revelam rupturas gigantes sob o oceano Pacífico e mostram como placas tectônicas podem se fragmentar lentamente ao longo de milhões de anos
Uma placa tectônica está se fragmentando sob o oceano Pacífico, próximo à ilha de Vancouver, no Canadá. Imagens sísmicas revelaram enormes rupturas na zona de subducção de Cascadia, mostrando como partes da crosta oceânica podem se desprender enquanto outras continuam afundando. A descoberta ajuda a explicar como antigos limites tectônicos desaparecem.
Por que a zona de subducção de Cascadia está começando a se romper?
A zona de subducção de Cascadia se estende por aproximadamente 1.100 quilômetros, entre o norte da Califórnia e a Colúmbia Britânica. Nessa região, placas oceânicas mergulham lentamente sob a placa Norte-Americana, produzindo deformações capazes de gerar terremotos, tsunamis e atividade vulcânica ao longo de milhões de anos.
Entretanto, sua extremidade norte apresenta uma configuração particularmente complexa. Próximo à ilha de Vancouver, as placas Juan de Fuca e Explorer interagem com falhas transformantes e uma dorsal oceânica. Essa combinação favorece o enfraquecimento e a fragmentação da litosfera, permitindo que determinados segmentos interrompam gradualmente seu movimento descendente.
O que os pesquisadores descobriram sobre a zona de subducção?
As imagens revelaram uma grande ruptura de aproximadamente 75 quilômetros de extensão, associada à fragmentação da placa oceânica. Em determinada região, os pesquisadores identificaram um deslocamento vertical de cerca de cinco quilômetros entre partes da estrutura que mergulha no manto terrestre.
Os registros sísmicos também mostraram diferenças importantes na atividade das falhas. Alguns trechos continuam produzindo terremotos, enquanto outros apresentam pouca atividade, comportamento compatível com o desprendimento parcial da placa. A interpretação indica que a subducção pode terminar progressivamente, sem exigir uma ruptura simultânea de toda a estrutura.
- A região investigada fica próxima à ilha de Vancouver;
- Uma ruptura apresenta aproximadamente 75 quilômetros de extensão;
- O deslocamento vertical identificado alcança cerca de cinco quilômetros;
- O processo de fragmentação começou há aproximadamente quatro milhões de anos;
- Segmentos vizinhos continuam mergulhando sob a América do Norte.

Como uma placa tectônica consegue se partir enquanto afunda?
O processo envolve forças que atuam em diferentes direções. Enquanto parte da placa oceânica continua sendo puxada para o interior terrestre, regiões vizinhas encontram resistência ao afundamento. Essa diferença produz tensões que podem concentrar deformações em falhas e zonas de cisalhamento.
As falhas transformantes funcionam como limites que permitem movimentos diferentes entre segmentos próximos. Quando essas estruturas atravessam regiões enfraquecidas, podem separar pequenas placas do sistema original. O resultado é uma reorganização progressiva dos limites tectônicos, acompanhada por mudanças na distribuição dos terremotos.
Como os cientistas conseguiram observar essas rupturas profundas?
A pesquisa foi liderada por Brandon Shuck, da Universidade Estadual da Louisiana, com participação de Suzanne Carbotte, da Universidade Columbia, e colaboradores internacionais. Publicado em 24 de setembro de 2025 na revista Science Advances, o estudo científico original investigou a fragmentação da extremidade norte de Cascadia.
Os pesquisadores utilizaram dados coletados em 2021 durante o Cascadia Seismic Imaging Experiment. A bordo do navio Marcus G. Langseth, equipamentos emitiram ondas sonoras que penetraram no fundo oceânico. Os ecos foram registrados por sensores distribuídos ao longo de aproximadamente 15 quilômetros, permitindo reconstruir estruturas profundas e compará-las com terremotos regionais.
Quais estruturas mostram que o rompimento acontece em etapas?
As imagens identificaram uma combinação de falhas transformantes, rupturas aproximadamente paralelas à fossa oceânica e segmentos parcialmente separados. A deformação teria começado há cerca de quatro milhões de anos, inicialmente distribuída por uma região extensa, antes de se concentrar em limites mais definidos.
Esse processo também criou uma microplaca oceânica cuja subducção diminuiu em relação às regiões vizinhas. Enquanto esse fragmento apresenta sinais de desprendimento, outras partes da litosfera continuam afundando. A diferença demonstra que o encerramento de uma zona de subducção pode acontecer em momentos distintos ao longo de sua extensão.
| Característica | Resultado observado |
|---|---|
| Região investigada | Norte de Cascadia, próximo a Vancouver |
| Extensão da ruptura | Aproximadamente 75 km |
| Deslocamento vertical | Cerca de 5 km |
| Início estimado da deformação | Há aproximadamente 4 milhões de anos |
| Processo identificado | Fragmentação e desprendimento progressivo |
Por que essa descoberta não significa que Cascadia deixará de produzir terremotos?
A fragmentação ocorre em escalas geológicas de milhões de anos e não representa o desaparecimento imediato da zona de subducção. Cascadia continua capaz de produzir terremotos muito fortes e tsunamis, especialmente nas regiões onde as placas permanecem acopladas e acumulam tensão.
A descoberta também ajuda a explicar microplacas antigas preservadas em outros oceanos, incluindo fragmentos associados à evolução da placa Farallon. Entretanto, os pesquisadores ainda investigam como essas rupturas influenciam a propagação de grandes terremotos. Os resultados aperfeiçoam modelos tectônicos, mas não permitem prever quando acontecerá o próximo evento sísmico.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)