Uma cratera enterrada em Oklahoma ficou quase 100 milhões de anos mais jovem depois que cristais de zircão entregaram sua idade real
Pesquisa da Universidade do Texas usou datação de minerais microscópicos para revisar a idade de uma cratera enterrada e sua relação com eventos antigos.
A cratera de impacto de Ames, enterrada sob a cidade de mesmo nome em Oklahoma, pode ter se formado há aproximadamente 370 milhões de anos, quase 100 milhões de anos depois do que se pensava. Cristais de zircão analisados por pesquisadores da Universidade do Texas em Austin contestaram a ligação anterior com uma antiga sequência de impactos de meteoritos.
Por que a cratera de Ames era considerada muito mais antiga?
A idade anterior, próxima de 467 milhões de anos, vinha principalmente de fósseis de conodontes encontrados nos sedimentos da estrutura. Esses pequenos animais marinhos deixaram elementos semelhantes a dentes que ajudam a datar camadas geológicas.
O problema é que um fóssil pode ser mais antigo que o depósito onde acabou preservado. O impacto pode ter misturado materiais de épocas diferentes. Assim, a idade dos conodontes não demonstrava necessariamente quando o meteorito atingiu a região.

Como os cristais de zircão revelaram a nova idade?
O zircão conserva registros de urânio e chumbo, usados como relógio isotópico. O estudo publicado em julho de 2026 combinou técnicas de datação e imagens microscópicas para interpretar esses registros:
- Foram feitas 37 análises pontuais em cristais de zircão.
- O decaimento do urânio em chumbo forneceu idades isotópicas.
- Imagens detalhadas buscaram alterações ligadas ao choque do impacto.
- Os cristais mais jovens indicaram uma idade devoniana.
O que mudou na cronologia da estrutura de Ames?
O novo resultado distingue a idade da rocha que foi atingida do evento que formou a cratera. A estrutura tem cerca de 14 a 16 quilômetros de diâmetro.
A cratera pode estar relacionada a uma extinção em massa?
O novo intervalo é próximo da crise de extinção Frasniano-Fameniano, ocorrida há cerca de 372 milhões de anos, quando numerosos organismos marinhos desapareceram. Isso abre uma possibilidade de investigação, mas a coincidência cronológica não demonstra que Ames tenha provocado a crise.

A Universidade do Texas também observa que o impacto deixa de integrar o chamado Evento Meteórico do Ordoviciano, associado à hipótese de um antigo anel de detritos ao redor da Terra.
Por que uma rocha pode apresentar idades tão diferentes?
Os minerais registram processos distintos: a formação da rocha, o choque de um impacto ou aquecimentos posteriores. Para separar essas etapas, os pesquisadores consideraram:
- Zircões antigos, ligados ao granito anterior ao impacto.
- Zircões modificados, que oferecem pistas de eventos posteriores.
- Minerais com idades mais recentes, possivelmente alterados pelo aquecimento.
- Texturas microscópicas, essenciais para interpretar cada resultado isotópico.
A nova datação reorganiza a história geológica de Oklahoma
A data de 369,7 ± 5,9 milhões de anos oferece uma referência muito mais recente para Ames, embora represente uma restrição geocronológica interpretada a partir dos minerais, e não um instante exato registrado diretamente.
A descoberta também reforça a necessidade de revisar outras crateras datadas por evidências indiretas. Os cristais microscópicos ajudam a reconstruir a sequência de impactos antigos sem transformar coincidências com extinções em relações de causa e efeito.
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