Uma cidade assíria foi destruída por medos e babilônios, voltou a ser ocupada séculos depois e ainda guarda três zigurates, palácios e mais de mil sepultamentos

03.11.2026

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Uma cidade assíria foi destruída por medos e babilônios, voltou a ser ocupada séculos depois e ainda guarda três zigurates, palácios e mais de mil sepultamentos
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5 minutos de leitura 18.09.2026 23:23 comentários
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Uma cidade assíria foi destruída por medos e babilônios, voltou a ser ocupada séculos depois e ainda guarda três zigurates, palácios e mais de mil sepultamentos

Ruínas às margens do Tigre preservam milhares de anos de arquitetura religiosa, poder imperial e ocupação parta

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Uma cidade assíria foi destruída por medos e babilônios, voltou a ser ocupada séculos depois e ainda guarda três zigurates, palácios e mais de mil sepultamentos
Ashur reuniu templos, palácios e três zigurates em um dos grandes centros da Assíria

Às margens do rio Tigre, no atual Iraque, uma cidade fundada no terceiro milênio a.C. tornou-se centro político, comercial e religioso de uma das maiores potências do Oriente Próximo antigo. A cidade de Ashur preserva cerca de 70 hectares de ruínas, incluindo templos, palácios, casas, três zigurates e uma enorme quantidade de sepultamentos posteriores, permitindo acompanhar milhares de anos de transformação urbana.

Por que a cidade de Ashur se tornou tão importante para os assírios?

Ashur desenvolveu-se numa posição estratégica junto ao Tigre, na transição entre áreas dependentes de chuva e regiões onde a agricultura utilizava irrigação. Já no terceiro milênio a.C. existiam ali importantes edifícios religiosos, indicando que o assentamento possuía organização urbana antes da ascensão política dos assírios.

Entre os séculos XIV e IX a.C., Ashur tornou-se a primeira capital do Império Assírio. Mesmo depois que a corte passou para outras cidades, como Nimrud e Nínive, continuou sendo a principal capital religiosa, associada ao deus Ashur e às cerimônias de coroação e sepultamento dos reis.

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Como três zigurates e tantos templos cabiam na cidade de Ashur?

O sítio reúne uma densidade excepcional de arquitetura pública e residencial. Entre os edifícios religiosos estavam três zigurates construídos principalmente com tijolos de barro, além de templos duplos e do grande santuário dedicado ao deus Ashur. O zigurate principal continua sendo um dos marcos mais visíveis das ruínas.

Palácios reais, muralhas, portões e bairros residenciais completavam o espaço urbano. Diferentes construções foram reconstruídas repetidamente ao longo dos séculos, permitindo aos arqueólogos observar como técnicas arquitetônicas e formas de organização da cidade mudaram desde períodos sumério e acádio até a época assíria.

  • Área arqueológica de aproximadamente 70 hectares;
  • Três zigurates identificados;
  • Templos, palácios, casas e muralhas;
  • Edifício do festival de Ano-Novo fora do núcleo principal.

Este vídeo da UNESCO apresenta Ashur e os principais vestígios arqueológicos preservados no sítio:

O que aconteceu quando Ashur foi destruída no século VII a.C.?

Em 614 a.C., durante o colapso do Império Neoassírio, Ashur foi atacada e destruída pelas forças dos medos, em campanha associada aos babilônios. Dois anos depois, Nínive também caiu, acelerando o desaparecimento do império que havia dominado grande parte do Oriente Próximo.

A destruição, porém, não encerrou definitivamente a história do lugar. Ocupações posteriores deixaram novos edifícios e materiais, e Ashur viveu uma importante revitalização durante o período parta, quando residências, um palácio e espaços religiosos voltaram a ocupar setores da antiga capital.

Por que mais de mil sepultamentos apareceram dentro das antigas construções?

Arqueólogos documentaram mais de mil inumações em túmulos e sepulturas associados principalmente ao período parta. Muitos estavam localizados dentro de edifícios, fornecendo um conjunto excepcional para estudar práticas funerárias que pertencem a uma fase muito posterior ao apogeu assírio.

A UNESCO destaca também um palácio parta e um templo próximo ao zigurate como testemunhos dessa reocupação. Esses vestígios mostram que as ruínas assírias não permaneceram simplesmente abandonadas, mas foram incorporadas a novas formas de vida urbana.

Sepultamentos partas revelam como Ashur continuou sendo ocupada muito depois do império
Sepultamentos partas revelam como Ashur continuou sendo ocupada muito depois do império

O que os números revelam sobre a cidade de Ashur?

A área inscrita como Patrimônio Mundial possui 70 hectares e é acompanhada por uma zona de proteção de 100 hectares. Dentro dos limites arqueológicos encontram-se vestígios acumulados desde o terceiro milênio a.C., formando uma sequência excepcionalmente longa para uma cidade mesopotâmica.

Ashur entrou na Lista do Patrimônio Mundial em 2003 e permanece também na Lista do Patrimônio Mundial em Perigo. Em 2026, a UNESCO voltou a registrar problemas relacionados a umidade, infiltração e deterioração dos monumentos, além de trabalhos emergenciais de conservação do zigurate.

Registro Dado
Área arqueológica70 hectares
Zigurates3
Sepultamentos partasMais de 1.000
Inscrição na UNESCO2003

Por que Ashur é tão importante para compreender o Império Assírio?

Entre as antigas capitais assírias, Ashur oferece uma sequência particularmente longa de arquitetura religiosa, política e doméstica. Palácios, templos, muralhas e residências permitem comparar diferentes fases sem depender apenas de inscrições reais ou objetos encontrados fora de seu contexto original.

A cidade de Ashur também preserva algo que vai além do império que tornou seu nome famoso. Dos primeiros edifícios do terceiro milênio a.C. aos mais de mil túmulos partas, o sítio registra sucessivas sociedades ocupando e reinterpretando o mesmo espaço ao longo de milhares de anos.

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