Um verme com uma cabeça e corpo que se ramifica como árvore escondia dez espécies novas dentro de esponjas marinhas
DNA de exemplares históricos revelou uma diversidade inesperada de anelídeos que espalham corpos ramificados pelos canais de esponjas
Um dos planos corporais mais estranhos entre os animais revelou ser muito mais diverso do que parecia. Vermes anelídeos que vivem permanentemente dentro de esponjas podem possuir uma única cabeça ligada a um corpo ramificado com dezenas ou centenas de extremidades posteriores. Uma revisão internacional publicada em 2026 combinou DNA, anatomia e exemplares históricos de museus e identificou dez espécies novas dentro desse grupo raro.
Como um verme ramificado consegue ter uma cabeça e tantas extremidades?
Esses animais pertencem à família Syllidae, mas fogem radicalmente do formato alongado típico dos anelídeos. A região anterior começa normalmente, com uma única cabeça e boca, enquanto o restante do corpo se bifurca repetidamente conforme cresce dentro do sistema de canais da esponja.
Cada nova ramificação continua produzindo segmentos posteriores. O resultado lembra uma árvore escondida dentro do hospedeiro, com uma única origem anterior e numerosos ramos. Em espécies já estudadas, vários desses extremos podem chegar perto da superfície da esponja e participar da reprodução.
Como dez espécies novas ficaram escondidas por tanto tempo?
Até recentemente, apenas três espécies de vermes ramificados haviam sido formalmente reconhecidas. A nova pesquisa reexaminou exemplares recém-coletados e materiais históricos distribuídos em coleções, incluindo uma esponja recolhida em 1914 na baía de Sagami, no Japão.
O avanço veio da chamada museômica, que permite recuperar informação genética até de espécimes preservados há décadas. Combinando esses dados com anatomia e tomografia de raios X, os pesquisadores perceberam que animais classificados sob poucos nomes escondiam várias linhagens diferentes.
- Duas linhagens evolutivas principais foram reconhecidas;
- Pelo menos sete espécies não descritas pertencem a Ramisyllis;
- Quatro espécies crípticas compõem a linhagem de Cladosyllis;
- Exemplares históricos forneceram DNA útil;
- Imagens 3D revelaram vermes ainda dentro das esponjas.
Este vídeo da Universidade de Göttingen mostra diretamente um verme ramificado vivendo no interior de uma esponja marinha.
Por que o verme ramificado ganhou um gênero completamente novo?
A espécie originalmente chamada Syllis ramosa, descrita no século XIX, mostrou-se distante o suficiente das espécies de Ramisyllis para receber um novo gênero, Cladosyllis. A análise filogenômica revelou que os vermes ramificados formam um grupo evolutivo próprio, dividido nessas duas grandes linhagens.
Cladosyllis aparece associada principalmente a esponjas de vidro do gênero Crateromorpha em águas profundas. Já Ramisyllis vive em demoesponjas do gênero Petrosia, geralmente em ambientes rasos do Indo-Pacífico e do Mar Vermelho.
Como os museus resolveram uma dúvida que começou no século XIX?
O primeiro verme desse tipo foi descrito em 1879, mas durante quase 150 anos permaneceu incerto se a forma ramificada havia surgido uma única vez ou repetidamente em diferentes linhagens. Os dados genéticos finalmente permitiram testar essa questão.
O estudo publicado no Zoological Journal of the Linnean Society indica que todos os vermes ramificados analisados formam um grupo monofilético. Isso favorece a interpretação de que esse plano corporal extraordinário surgiu uma vez em um ancestral comum e depois se diversificou.

O que a nova revisão revelou sobre a relação entre vermes e esponjas?
Cada linhagem parece estar fortemente ligada a tipos específicos de esponja. Essa associação pode ter impulsionado a diversificação, porque populações adaptadas a hospedeiros diferentes acabam ficando ecologicamente separadas, mesmo quando vivem na mesma região oceânica.
Ainda não se sabe exatamente o que o verme oferece à esponja, nem como consegue alimentar um corpo tão extenso usando apenas uma boca pequena. Estudos anteriores não encontraram tecido da esponja dentro do sistema digestivo, deixando aberta a possibilidade de alimentação por partículas transportadas pelos canais do hospedeiro.
| Linhagem | Hospedeiro principal | Diversidade revelada |
|---|---|---|
| Ramisyllis | Petrosia | Ao menos 7 espécies novas |
| Cladosyllis | Crateromorpha | 4 espécies crípticas |
| Plano corporal | Interior de esponjas | Uma cabeça e muitos ramos |
| Método-chave | Coleções históricas | DNA e tomografia 3D |
Por que o verme ramificado desafia tanto o plano corporal dos anelídeos?
Anelídeos normalmente crescem como uma sequência linear de segmentos. Esses vermes mantêm essa organização segmentada, mas repetem o eixo posterior em vários pontos, criando um corpo que se divide sem produzir cabeças adicionais.
O verme ramificado mostra que até planos corporais considerados muito conservadores podem sofrer modificações extremas. A descoberta de dez espécies novas também indica que essa anatomia não é uma curiosidade isolada, mas uma estratégia evolutiva que se diversificou em diferentes oceanos e hospedeiros.
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