Um tubarão de três metros entrou num canal urbano e virou atração para 1,6 milhão de pessoas antes de voltar ao mar
Fêmea apelidada de Bukangi mobilizou três operações de resgate na Coreia do Sul e expôs preocupações com o aumento de tubarões na região
Uma fêmea de tubarão-sombrio transformou um canal de Busan, na Coreia do Sul, em atração turística após permanecer mais de um mês nadando entre passarelas urbanas. Apelidada de Bukangi, ela mobilizou equipes de resgate, atraiu mais de 1,6 milhão de visitantes e voltou a surpreender autoridades depois de uma operação para devolvê-la ao oceano.
Como o tubarão-sombrio apareceu no meio de uma cidade coreana?
O animal foi avistado pela primeira vez em 18 de setembro de 2026, no canal artificial do North Port Waterfront Park, instalado na região portuária de Busan. Com aproximadamente três metros de comprimento, a fêmea passou a circular lentamente pela água, frequentemente expondo suas nadadeiras diante dos visitantes.
O Instituto Nacional de Ciências Pesqueiras da Coreia do Sul identificou o animal como Carcharhinus obscurus, espécie conhecida como tubarão-sombrio. A origem de sua permanência no canal continua incerta. Pesquisadores consideram possível que a movimentação intensa do porto tenha influenciado seu comportamento, mas não existe uma explicação confirmada.
Por que o tubarão-sombrio atraiu mais de 1,6 milhão de visitantes?
A presença inesperada rapidamente mobilizou moradores, turistas e jornalistas. Pessoas se reuniam nas passarelas para fotografar Bukangi, enquanto autoridades organizaram medidas de segurança para controlar as multidões. O animal ganhou reconhecimento público, tornou-se mascote informal da cidade e chegou a receber homenagens oficiais.
Segundo a corporação responsável pelas instalações municipais de Busan, o parque ultrapassou 1,6 milhão de visitantes durante o período. O número representa a movimentação registrada no local, não necessariamente pessoas diferentes que observaram diretamente o tubarão.
Os principais acontecimentos foram:
- Primeiro avistamento registrado em 18 de setembro;
- Tentativa inicial de resgate realizada em 29 de setembro;
- Segunda operação com redes em 2 de outubro;
- Terceira intervenção organizada em 21 de outubro;
- Retorno inesperado ao canal após a retirada.

Por que o animal não conseguia abandonar o canal sozinho?
O canal possui curvas e estruturas artificiais que dificultam a orientação do animal em direção ao mar. Nas primeiras tentativas, equipes utilizaram embarcações, jatos de água e redes, mas Bukangi conseguiu evitar os obstáculos e permaneceu na região.
Os especialistas também demonstraram preocupação com a ausência de alimentação observada e a queda progressiva da temperatura da água. Tubarões dependem das condições ambientais para manter suas atividades metabólicas, e a permanência prolongada num espaço limitado pode aumentar os riscos de estresse e ferimentos.
Como as autoridades organizaram as três operações de resgate?
O Ministério dos Oceanos e Pescas da Coreia do Sul coordenou a terceira operação com autoridades municipais e instituições especializadas. O planejamento incluiu avaliações veterinárias, inspeções subaquáticas, utilização de drones e instalação de plataformas flutuantes conectadas a redes.
Em 21 de outubro, mergulhadores e equipes terrestres conduziram Bukangi até a saída do canal. Entretanto, na noite seguinte, o animal atravessou uma barreira e retornou à área interna. As autoridades reforçaram as redes e mantiveram uma passagem aberta para permitir sua saída espontânea, acompanhando seu comportamento.
O que explica o aumento dos avistamentos de tubarões na Coreia do Sul?
O episódio ocorreu num período de maior frequência de registros de grandes tubarões nas águas sul-coreanas. Durante o primeiro semestre de 2026, foram contabilizados 46 avistamentos na costa oriental, contra 12 no mesmo intervalo de 2025, indicando crescimento expressivo nas ocorrências comunicadas.
O aquecimento das águas oceânicas é uma das hipóteses investigadas para compreender essa mudança. Entretanto, variações na pesca, presença de presas e maior monitoramento também podem afetar os registros, impedindo atribuir o crescimento exclusivamente às alterações climáticas.
| Indicador | Informação registrada |
|---|---|
| Comprimento | Aproximadamente três metros |
| Permanência | Mais de um mês no canal |
| Visitantes | Mais de 1,6 milhão |
| Avistamentos regionais | 46 em 2026, contra 12 em 2025 |
Quais são os riscos para a sobrevivência de Bukangi?
O tubarão-sombrio está classificado como ameaçado de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza. A espécie apresenta crescimento relativamente lento e enfrenta ameaças relacionadas principalmente à pesca, características que tornam a proteção dos indivíduos especialmente relevante.
Até as informações divulgadas em 22 de outubro, não havia confirmação definitiva de que Bukangi tivesse alcançado águas oceânicas abertas após retornar à entrada do canal. Especialistas recomendaram acompanhamento contínuo e intervenções cuidadosas, evitando aumentar o estresse do animal. O caso também evidenciou a necessidade de protocolos para encontros entre grandes predadores marinhos e estruturas portuárias urbanas.
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