Um rastro de gás de 26 anos-luz apareceu perto de estrelas que emitem raios gama e trouxe uma pista para o mistério
O próprio estudo reconhece que os dados não provam se o objeto compacto é buraco negro ou estrela de nêutrons

O que você vai ver
- O que é o sistema LMC P3 e por que ele intriga astrônomos.
- Como o ALMA encontrou o rastro de gás aquecido.
- Por que esse rastro aponta para jatos, e não para um vento de pulsar.
- Quem conduziu a pesquisa.
- O que a descoberta ainda não consegue provar.
Um rastro de gás molecular de 26 anos-luz de comprimento apareceu perto de um dos binários de raios gama mais luminosos já catalogados, e a temperatura incomum desse gás acaba de reforçar uma das duas hipóteses concorrentes para explicar de onde vem tanta energia.
O que é o sistema LMC P3?
LMC P3 fica no remanescente de supernova DEM L241, na Grande Nuvem de Magalhães, a cerca de 163 mil anos-luz da Terra, e é formado por um objeto compacto (buraco negro ou estrela de nêutrons) orbitando, a cada 10 dias, uma estrela com mais de 30 vezes a massa do Sol; descoberto em 2016, é o primeiro binário de raios gama identificado fora da Via Láctea.
Meet LMC P3 – The first extragalactic gamma-ray binary https://t.co/x8rowkyp0p https://t.co/zFc42o2oIT
— NASAFermi (@NASAFermi) September 29, 2016
Como o ALMA encontrou o rastro de gás?
Observações feitas desde 2022 pelo radiotelescópio ALMA, no Chile, mediram a emissão de monóxido de carbono do gás molecular frio ao redor do sistema e identificaram um rastro estreito e retilíneo, de 26 anos-luz de comprimento por cerca de 3 anos-luz de largura, com temperatura entre 35 e 60 kelvins, bem acima dos cerca de 15 kelvins do gás ao redor.
Por que o rastro aponta para jatos, não para um vento de pulsar?
Uma das hipóteses para a emissão de raios gama era o vento de partículas de um pulsar colidindo com o vento da estrela companheira; o rastro de gás aquecido, segundo os pesquisadores, favorece outro cenário: o de um microquasar, no qual o objeto compacto suga matéria da estrela companheira por um disco de acreção e lança jatos de partículas em alta velocidade, aquecendo o gás molecular ao longo do caminho.
Quem conduziu a pesquisa?
O estudo foi liderado por Yasuo Fukui, professor emérito da Universidade de Nagoya, no Japão, com a colaboração de Bhuvana Gadikere Rajendra e Kisetsu Tsuge, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de Gifu, e de Hidetoshi Sano, da mesma universidade; o trabalho foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.
Dünya’dan 160,000 ışık yılı ötede, Dorado takımyıldızındaki dev bir yıldız süpernova ile hayatına son verdi. Yaşanan patlama, geride DEM L241 adı verilen kozmik enkaz bıraktı. Enkazın içinde, patlamada hayatta kalan komşu yıldız da görüntülendi. @chandraxray https://t.co/W98wmCQgAf
— DijitalX (@DijitalXCOM) March 30, 2018
O que a descoberta ainda não prova?
Fukui argumenta que buracos negros costumam produzir jatos mais potentes do que estrelas de nêutrons, o que reforçaria a hipótese de que o objeto compacto do sistema é um buraco negro, mas o próprio estudo reconhece que os dados não estabelecem de forma definitiva qual dos dois tipos de objeto está no centro do sistema, apenas fortalecem o cenário de jatos como origem da energia observada.
O mesmo tipo de pista indireta, um rastro físico que aponta para um mecanismo invisível, também aparece na proposta de usar padrões de piscar inspirados em vaga-lumes para distinguir sinais extraterrestres de pulsares.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na publicação original no Phys.org.
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