O piscar de vaga-lumes inspirou uma maneira de procurar sinais extraterrestres sem confundi-los com estrelas de nêutrons
O modelo foi testado contra um banco de 3.724 pulsares reais, não contra nenhum sinal observado

O que você vai ver
- Por que a busca tradicional por sinais alienígenas tem limites.
- O que os vaga-lumes têm a ver com a proposta dos pesquisadores.
- Por que os pulsares entram como o principal “ruído” a distinguir.
- Como o modelo foi testado contra dados reais.
- Por que a descoberta não é a detecção de um sinal alienígena.
Um grupo de pesquisadores recorreu a um comportamento bem conhecido da natureza, o piscar sincronizado de vaga-lumes, para propor um novo critério capaz de separar um eventual sinal artificial vindo de outra civilização dos sinais naturais e extremamente regulares emitidos por pulsares.
Por que a busca tradicional por sinais alienígenas tem limites?
A busca por inteligência extraterrestre costuma procurar sinais de rádio parecidos com os que a própria Terra já emitiu, mas o planeta está cada vez menos “barulhento” nessa frequência, por causa da migração da TV a cabo e da internet para outros meios de transmissão; isso levou os autores a defender que seriam necessários novos modelos para reconhecer um sinal inteligente dentro dos dados astronômicos.

O que os vaga-lumes têm a ver com a proposta?
Pesquisadores da Arizona State University, liderados por Cameron Brooks, criaram um modelo conceitual de detectabilidade inspirado em como os sinais de acasalamento de vaga-lumes evoluem em meio ao caos visual de um enxame: cada espécie ajusta o padrão de piscar para se destacar das demais e, ao mesmo tempo, gastar o mínimo de energia possível. O modelo não procura piscadas ópticas literais, mas uma estrutura equivalente no sinal, como o período de repetição e a duração de cada pulso.
Por que os pulsares são o principal “ruído” a distinguir?
Pulsares são estrelas de nêutrons que giram rapidamente e emitem feixes de rádio extremamente periódicos; a Via Láctea deve abrigar cerca de 100 mil deles, e quando foram descobertos, em 1967, chegaram a ser especulados como transmissões de origem alienígena. Por isso, um sinal artificial de verdade precisaria se diferenciar claramente desse pano de fundo natural e ordenado.
Como o modelo foi testado contra dados reais?
Os pesquisadores usaram um banco de 3.724 pulsares reais, e no teste principal selecionaram 158 deles a até 5 mil parsecs de distância como pano de fundo natural; o sinal hipotético foi então “otimizado” para ficar o mais distinto possível desse conjunto, ao mesmo tempo em que minimizava o tempo em que ficaria ligado, resultando em dois padrões de sinal diferentes conforme o custo energético era ou não considerado.

Por que isso não é a detecção de um sinal alienígena?
Os próprios autores chamam o trabalho de demonstração conceitual: não houve nenhum sinal extraterrestre observado, apenas um critério testado contra dados reais de pulsares para mostrar que a ideia funciona na prática; o método é apresentado como um complemento às técnicas de busca já usadas por projetos como o Breakthrough Listen, não como substituto delas.
Outra pesquisa que recorreu ao comportamento de um animal para resolver um problema de detecção é a história do chip fotônico que passou a combinar a luz de telescópios do arranjo CHARA.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na publicação original no Phys.org.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)