Dois telescópios passaram a trabalhar juntos usando um pequeno chip de vidro e conseguiram combinar a luz de estrelas
O chip pode ser trocado em poucas horas, o que permite testar novos desenhos com rapidez

O que você vai ver
- O que o chip fotônico faz dentro do instrumento CHARIOT.
- Como ele foi testado no arranjo CHARA, nos Estados Unidos.
- Quem desenvolveu essa tecnologia e em qual universidade.
- Por que um chip de poucos centímetros substitui equipamentos volumosos.
- Que tipo de observação futura pode se beneficiar da tecnologia.
Um chip de vidro do tamanho de poucos centímetros conseguiu fazer o trabalho que normalmente exige instrumentos volumosos cheios de espelhos e lentes: combinar a luz captada por telescópios separados para que funcionem como um único instrumento gigante.
Como o chip fotônico combina a luz dos telescópios?
O chip guia a luz por canais finíssimos gravados diretamente no vidro com a técnica de inscrição por laser ultrarrápido, de forma parecida com circuitos integrados que guiam elétrons. Ele é o coração do CHARIOT, um instrumento criado como bancada de testes para novas tecnologias fotônicas voltadas à astronomia.

Como ele foi testado no arranjo CHARA?
Nas campanhas de observação de 2024 e 2025, o CHARIOT combinou a luz de dois dos seis telescópios do arranjo CHARA, na Califórnia, um dos principais observatórios de alta resolução angular do mundo, e registrou sinais de várias estrelas, incluindo algumas mais fracas do que o sistema anterior conseguia captar.
Quem desenvolveu essa tecnologia?
O chip foi desenvolvido pelo professor Robert Thomson e pelo Dr. Aurélien Benoît, do Instituto de Fotônica e Ciências Quânticas da Heriot-Watt University, no Reino Unido; a primeira autora do estudo, Dra. Aline Dinkelaker, é do Instituto Leibniz de Astrofísica de Potsdam, na Alemanha, numa colaboração que também envolveu universidades de Colônia e Potsdam e a Georgia State University, responsável pelo CHARA.
Por que um chip pequeno substitui instrumentos volumosos?
Segundo Thomson, grande parte do trabalho de combinar luz de vários telescópios, antes feito por arranjos complexos de espelhos e lentes, pode ser realizada por um chip de vidro pequeno o bastante para caber na palma da mão; isso resulta em instrumentos menores, mais robustos e mais fáceis de atualizar, já que os chips podem ser trocados em poucas horas para testar desenhos melhorados.

Que observações podem se beneficiar no futuro?
Dinkelaker afirma que a tecnologia pode ajudar a estudar com mais detalhe sistemas planetários ao redor de outras estrelas; o estudo também cita a formação e evolução de sistemas planetários e a detecção direta de planetas como metas possíveis para futuros instrumentos construídos a partir desse tipo de chip.
Tecnologias que miniaturizam processos antes dependentes de equipamentos grandes também aparecem na história dos morcegos gigantes de Madagascar que ficaram menores nas coleções recentes, reconstruída a partir de 121 espécimes de museu.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na publicação original no Phys.org.
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