Um planeta do tamanho da Terra poderia sobreviver com dois sóis a apenas 16 anos-luz de distância
Ciência prova que planeta com dois sóis sobrevive no espaço
Um planeta com dois sóis sempre pareceu coisa de filme de ficção científica, mas os astrônomos acabam de provar que mundos assim aguentam o tranco no universo real. O sistema binário 70 Ophiuchi fica bem perto do nosso bairro cósmico e prova que a vida tem boas chances de vingar por lá.
Como funciona esse sistema estelar duplo tão perto da gente?
A distância de 16 anos-luz faz do 70 Ophiuchi um vizinho praticamente de porta para os padrões da astronomia moderna. Essa dupla de estrelas baila junta no vazio do espaço há quase três bilhões de anos e foi registrada pela primeira vez no ano de 1779 pelo astrônomo William Herschel.
O mais bacana é que essas duas estrelas são classificadas como anãs laranjas, muito mais calmas e estáveis do que o nosso astro-rei. Elas brilham menos e são mais frias, mas podem viver até 70 bilhões de anos, dando tempo de sobra para a evolução biológica acontecer em uma superfície firme.

Por que um planeta com dois sóis não é destruído pela gravidade?
A galera da astrofísica da Universidade da Califórnia rodou simulações pesadas, testando duas mil distâncias diferentes durante 10 milhões de anos. A pesquisa divulgada pela ScienceAlert cravou que a gravidade da estrela vizinha não age como uma bola de demolição destruindo a órbita.
Se o mundo alienígena tiver o tamanho exato da Terra, ele consegue manter um trajeto totalmente seguro dentro da zona habitável da estrela principal. Isso significa que o chão rochoso não seria arremessado para o espaço profundo e nem assado pelo calor extremo de duas fornalhas nucleares.
Quais os principais motivos que fazem desse lugar um alvo perfeito?
Dá uma olhada no que deixa os pesquisadores tão animados para buscar vida nesse sistema vizinho:
- Longevidade: as estrelas vivem muito mais que o nosso sol, permitindo um ciclo biológico extremamente longo.
- Calmaria: menos erupções solares perigosas que fritam a atmosfera.
- Proximidade: Fica muito fácil apontar os telescópios de última geração para uma distância tão curta.
Esse combo maravilhoso transformou o lugar na aposta número um do próximo megaprojeto espacial da NASA. O futuro Habitable Worlds Observatory (HWO) já nasce com a missão de fotografar diretamente essas bandas do universo para caçar sinais de alienígenas.
O que esse sistema tem de diferente do nosso canto na galáxia?
Bora comparar as estrelas do sistema vizinho com o nosso velho e conhecido sol:
| Característica | Nosso Sol | Estrela Principal (70 Oph A) | Estrela Secundária (70 Oph B) |
|---|---|---|---|
| Massa | 100% | 88% | 73% |
| Tipo estelar | Anã Amarela | Anã Laranja | Anã Laranja |
| Idade | 4,6 bilhões de anos | 3 bilhões de anos | 3 bilhões de anos |
O nosso pedaço do espaço tem só uma estrela e planetas gigantes como Júpiter, o que, na verdade, é a exceção à regra cósmica. Os dados atestam que mais da metade das estrelas do céu noturno possuem uma ou mais parceiras brilhantes orbitando juntas.
Existia mesmo um gigante de gás morando nessa vizinhança?
Lá em 1855, um pesquisador britânico jurou de pés juntos que tinha achado um baita planeta orbitando essas estrelas, criando o primeiro boato de um exoplaneta na história. Só que o maquinário moderno desmentiu essa lenda ao medir a velocidade da luz com uma precisão surreal de um metro por segundo.
A tal “tremidinha” na luz que o cara viu no passado era só uma atividade magnética comum, descartando a chance de existir um mundo gasoso por lá. Mas a falta de um primo gordo pelo caminho é exatamente o que deixa a pista livre para um irmão gêmeo da Terra sobreviver de boa.
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