Um pássaro cruza milhares de quilômetros, mas suas asas sacrificam eficiência para conseguir caçar quase parado no ar
A ave continua gerando impulso para frente durante a subida da asa, mecanismo raro fora de morcegos e insetos

O que você vai ver
- Qual ave foi estudada e qual migração ela faz todos os anos.
- Como os pesquisadores testaram o voo da ave em laboratório.
- Qual é exatamente o compromisso aerodinâmico das asas dessa ave.
- O que acontece de incomum durante a subida da própria asa.
- Para que essa descoberta pode servir fora da biologia.
Uma ave que migra milhares de quilômetros entre a Europa e o sul da África carrega asas que sacrificam eficiência em voos rápidos para ganhar a agilidade necessária na hora de caçar insetos quase parada no ar.
Qual ave foi estudada?
O estudo analisou o noitibó-europeu (Caprimulgus europaeus), ave caçadora noturna que realiza uma migração anual de milhares de quilômetros entre a Europa e o sul do continente africano, deslocamento de longa distância que convive, na mesma espécie, com a necessidade de manobras extremamente precisas durante a caça de insetos em pleno voo.
European Nightjar (Caprimulgus europaeus)🐦🦜🕊️🎵🐤❤️🐤 https://t.co/a0RCvMb0lF
— World birds (@worldbirds32) April 25, 2021
Como os pesquisadores testaram o voo da ave?
A equipe, liderada por L. Christoffer Johansson, da Universidade de Lund, na Suécia, estudou as aves dentro de um túnel de vento, registrando seus movimentos em diferentes velocidades e medindo os padrões de fluxo de ar deixados para trás pelas próprias asas durante o batimento, método que permite reconstruir com precisão as forças aerodinâmicas geradas em cada fase do voo.
Qual é o compromisso aerodinâmico das asas?
As pontas largas das asas do noitibó-europeu ajudam bastante na hora de manobrar durante o voo lento necessário para caçar insetos, mas essa mesma característica física se torna uma desvantagem em altas velocidades, quando a sustentação passa a ser gerada com muito menos eficiência, compromisso que obriga a ave a escolher entre voar rápido com economia de energia ou manobrar com precisão em voo lento.
O que acontece durante a subida da asa?
Durante o movimento ascendente da própria asa, fase do batimento normalmente associada a pouca ou nenhuma geração de força em outras aves, o noitibó-europeu continua produzindo impulso para a frente, mecanismo incomum que os cientistas geralmente associavam apenas a morcegos e insetos, não a pássaros, e que parece compensar a capacidade limitada da ave de dobrar as próprias asas durante o voo.
European Nightjar (Caprimulgus europaeus)🐦🦜🕊️🎵🐤❤️🐤 https://t.co/8Hie3RYh2w
— World birds (@worldbirds32) April 8, 2023
Para que isso pode servir fora da biologia?
Segundo os pesquisadores, entender como o noitibó-europeu gera impulso mesmo durante a subida da asa pode inspirar o desenvolvimento de drones e aeronaves robóticas equipadas com asas batentes, veículos que precisariam equilibrar exatamente o mesmo tipo de compromisso entre eficiência em voo rápido e agilidade em manobras lentas e precisas.
Compromissos biológicos que equilibram velocidade e precisão também aparecem no relato sobre o lagostim gigante que provocou uma busca nacional por exemplares ainda maiores.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original do ScienceDaily.
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