Um objeto com pelo menos a massa de Júpiter gira em torno de uma anã marrom e pode ser a primeira lua confirmada fora do Sistema Solar
Observações do VLT revelaram indícios de um objeto com massa próxima à de Júpiter orbitando uma anã marrom e desafiaram a definição de exolua
Astrônomos encontraram indícios de um possível exossatélite no sistema CD-35 2722, localizado a aproximadamente 73 anos-luz da Terra. O objeto possui massa estimada próxima à de Júpiter, mas não orbita diretamente uma estrela: gira ao redor de uma anã marrom. A descoberta, anunciada em julho de 2026, pode representar um marco na busca por luas fora do Sistema Solar, embora sua existência e classificação ainda precisem de confirmação independente.
Como o possível exossatélite de CD-35 2722 foi descoberto pelos astrônomos?
A descoberta ocorreu durante observações realizadas entre outubro de 2023 e fevereiro de 2026, utilizando o Very Large Telescope (VLT), instalado no deserto do Atacama, no Chile. Os pesquisadores investigavam uma anã marrom conhecida como CD-35 2722 B, que acompanha uma estrela de aproximadamente metade da massa solar.
Ao analisar a luz emitida pela anã marrom, a equipe identificou oscilações periódicas compatíveis com a influência gravitacional de outro objeto. O sinal sugere uma configuração incomum: uma possível lua gigante orbitando uma anã marrom, que, por sua vez, completa sua trajetória ao redor de uma estrela.
Leia também: Mais de 11 mil medidas de fósseis apontaram que o Spinosaurus passava a maior parte da vida na água
Como o VLT identificou um possível exossatélite sem fotografá-lo diretamente?
O telescópio utilizou o espectrógrafo infravermelho CRIRES+, capaz de detectar pequenas mudanças nos comprimentos de onda da luz. Quando um objeto orbita outro, sua gravidade provoca movimentos que alteram discretamente o espectro observado, fenômeno conhecido como velocidade radial.
A investigação reuniu cinco elementos fundamentais:
- Espectros infravermelhos da anã marrom;
- Pequenas oscilações atribuídas à influência gravitacional;
- Repetição do sinal durante diferentes observações;
- Modelos computacionais para estimar massas e órbitas;
- Comparação com explicações alternativas para as variações.
O Instituto SETI realizou em 28 de agosto de 2026 uma edição do programa SETI Live, intitulada Is This the First Exomoon?. A conversa reuniu o astrônomo Franck Marchis e Kevin Hoy, principal autor da descoberta, para discutir diretamente as observações.
Por que um objeto com massa de Júpiter pode ser considerado uma lua?
No Sistema Solar, as luas orbitam planetas e geralmente apresentam massas muito inferiores às de seus hospedeiros. Entretanto, o candidato de CD-35 2722 possui dimensões planetárias e orbita uma anã marrom, objeto intermediário entre os planetas gigantes e as estrelas.
Essa configuração desafia as classificações tradicionais. Pela posição que ocupa no sistema, o candidato funciona como um satélite natural. Por sua massa e pelas características do corpo central, também pode ser interpretado como um planeta. Não existe uma definição universalmente aceita que resolva todos esses casos.
Qual estudo científico apresentou as evidências do exossatélite de CD-35 2722?
O estudo original publicado na revista Nature, em 22 de julho de 2026, foi liderado por Kevin Hoy e Alice Zurlo, com participação de pesquisadores do Observatório Europeu do Sul (ESO) e instituições internacionais.
A equipe encontrou um sinal compatível com pelo menos um objeto orbitante. A solução principal apresenta massa mínima próxima de 0,9 vez a de Júpiter e período orbital de aproximadamente 170 dias. Os cientistas também examinaram modelos com dois satélites, mas consideraram essas configurações menos estáveis e suas evidências insuficientes.

Quais números tornam o sistema CD-35 2722 tão diferente do nosso?
A anã marrom CD-35 2722 B possui aproximadamente 37 massas de Júpiter e orbita sua estrela a uma distância da ordem de 60 unidades astronômicas. O possível exossatélite estaria muito mais próximo dela, a cerca de 0,2 unidade astronômica.
Os pesquisadores utilizaram 23 medições aproveitáveis de velocidade radial para investigar o sinal periódico. A massa de 0,9 Júpiter representa um limite mínimo, pois depende da inclinação orbital, ainda desconhecida.
| Indicador astronômico | Valor estimado |
|---|---|
| Distância da Terra | Cerca de 73 anos-luz |
| Massa da anã marrom | Aproximadamente 37 massas de Júpiter |
| Massa mínima do candidato | Cerca de 0,9 massa de Júpiter |
| Período orbital sugerido | Aproximadamente 170 dias |
| Medições utilizadas | 23 espectros aproveitáveis |
O que falta para confirmar a primeira lua fora do Sistema Solar?
A confirmação exigirá novas observações capazes de demonstrar que a oscilação permanece consistente com uma órbita gravitacional. Também será necessário investigar a formação do sistema, pois um objeto tão massivo poderia ter surgido por processos semelhantes aos responsáveis pela formação de planetas.
O futuro Extremely Large Telescope (ELT), com espelho principal de 39 metros, poderá ampliar esse tipo de investigação. CD-35 2722 ainda não representa uma exolua definitivamente confirmada, mas constitui uma das evidências mais promissoras de um satélite extrassolar. Sua descoberta demonstra que a diversidade dos sistemas planetários pode ultrapassar as categorias criadas a partir dos objetos que conhecemos.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)