Um lago cor-de-rosa tem 28% de sal e cientistas encontraram uma comunidade de bactérias, algas, arqueias e vírus que ajuda a explicar por que sua água parece pintada
O tom rosa surge de uma comunidade microscópica adaptada à salinidade extrema
O Lake Hillier, na Austrália Ocidental, parece ter recebido uma camada de tinta rosa, mas a cor nasce de um ecossistema microscópico. O lago possui concentração de sal próxima de 28% e abriga bactérias, arqueias, algas e vírus adaptados ao ambiente extremo. Um estudo metagenômico mostrou que vários desses organismos produzem pigmentos capazes de contribuir para a aparência incomum da água.
Por que a água do Lake Hillier é cor-de-rosa?
A explicação não depende de uma única espécie. O estudo publicado na Environmental Microbiome encontrou um conjunto de microrganismos produtores de pigmentos, incluindo representantes de Dunaliella, Salinibacter, Halobacillus, Psychroflexus e Halorubrum.
Esses organismos produzem carotenoides e outros pigmentos que ajudam na proteção contra condições severas de luz e salinidade.

Quão salgado é esse lago australiano?
O estudo registra concentração de sal de aproximadamente 28%, formada principalmente por cloreto e sódio. Para comparação, a água oceânica tem em média cerca de 3,5% de sais dissolvidos.
O que os cientistas encontraram ao analisar o DNA?
A equipe combinou sequenciamento metagenômico e cultivo de microrganismos para identificar quem vive no lago e quais funções metabólicas estão presentes. O registro do estudo no PubMed confirma a presença de uma comunidade diversa de organismos extremófilos.
Os pesquisadores reconstruíram genomas completos ou parciais de 21 bactérias e arqueias. Apenas dois puderam ser associados taxonomicamente a espécies já observadas.
- 14 genomas bacterianos: foram reconstruídos total ou parcialmente.
- 7 genomas de arqueias: também apareceram na análise.
- 2 identificações: puderam ser ligadas a espécies já conhecidas.
- Múltiplos pigmentos: indicam que a cor resulta de uma comunidade, não de um único organismo.

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Por que esses micróbios produzem tantos pigmentos?
Em ambientes com muita luz, alta salinidade e pouca água disponível para as células, pigmentos podem ajudar na proteção e no funcionamento metabólico. O estudo encontrou várias rotas relacionadas à produção dessas moléculas.
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O que torna o Lake Hillier importante para a ciência?
O lago mostra como comunidades inteiras podem se adaptar a condições que seriam hostis para grande parte da vida conhecida. A alta salinidade cria pressão constante sobre as células, favorecendo organismos com estratégias bioquímicas incomuns.
Além de explicar uma das paisagens mais marcantes da Austrália, o microbioma do Lake Hillier oferece pistas sobre diversidade, evolução e sobrevivência em ambientes extremos.
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