Um fóssil de tubarão continua preso na parede de uma caverna do Kentucky e o teto já foi fundo de um mar há mais de 300 milhões de anos
Paredes da maior rede de cavernas conhecida expõem restos de tubarões e invertebrados preservados em antigas rochas marinhas
Nas profundezas do Kentucky, paredes e tetos de Mammoth Cave funcionam como cortes naturais através de um antigo fundo marinho. Os fósseis de Mammoth Cave incluem dentes, espinhos e até partes raras de cartilagem de tubarões, além de corais, crinoides, braquiópodes e moluscos. Essas rochas calcárias se formaram durante o período Mississippiano, aproximadamente entre 300 e 340 milhões de anos atrás, muito antes de as atuais passagens subterrâneas existirem.
Por que os fósseis de Mammoth Cave aparecem presos às paredes?
Quando as camadas de calcário se formaram, a região estava coberta por um mar raso. Carapaças, esqueletos e dentes de organismos marinhos ficaram incorporados aos sedimentos carbonáticos, que posteriormente endureceram e se transformaram em rocha.
Muito mais tarde, águas subterrâneas dissolveram partes desse calcário e abriram as galerias de Mammoth Cave. As paredes atuais simplesmente cortam antigas camadas fossilíferas, deixando alguns exemplares expostos exatamente onde permaneceram preservados durante centenas de milhões de anos.
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Como tubarões viveram onde hoje existe o Kentucky?
Durante o Mississippiano, a geografia da América do Norte era completamente diferente. Águas marinhas quentes cobriam a região, criando habitats para uma variedade de peixes cartilaginosos e invertebrados.
Desde 2019, um inventário paleontológico intensificou a procura nessas rochas. Pesquisadores identificaram dezenas de espécies de tubarões e parentes, incluindo formas anteriormente desconhecidas pela ciência e exemplares excepcionalmente preservados.
- Dentes de diferentes espécies de tubarões;
- Espinhos de nadadeiras dorsais;
- Mandíbulas e partes do crânio;
- Fragmentos de cartilagem fossilizada;
- Corais, crinoides e braquiópodes associados.
Este vídeo do National Park Service mostra os fósseis de tubarões encontrados na caverna.
Por que encontrar cartilagem de tubarão é tão raro?
Ao contrário dos ossos de muitos vertebrados, o esqueleto dos tubarões é composto principalmente por cartilagem. Esse tecido normalmente se decompõe rapidamente depois da morte, por isso dentes mineralizados dominam o registro fóssil desses animais.
Em Mammoth Cave, porém, pesquisadores encontraram estruturas tridimensionais de cartilagem preservada. Entre os exemplares está material atribuído a Saivodus, um grande predador mississippiano cujas mandíbulas sugerem um animal com vários metros de comprimento.
O que os fósseis de Mammoth Cave revelaram sobre esses antigos tubarões?
As descobertas mostram que diferentes grupos ocupavam nichos variados no mesmo ambiente. Havia predadores relativamente grandes, pequenos peixes cartilaginosos que viviam próximos ao fundo e formas com dentições adaptadas a diferentes tipos de alimento.
Um estudo publicado no Journal of Paleontology descreveu novos petalodontes da Formação Ste. Genevieve, incluindo Clavusodens mcginnisi. O trabalho reforçou a diversidade incomum de peixes cartilaginosos preservados nas rochas do parque.

Que outros animais aparecem junto aos fósseis de Mammoth Cave?
As camadas marinhas preservam corais, crinoides, gastrópodes, braquiópodes, bivalves, equinodermos e outros organismos. Em alguns pontos, fragmentos de esqueletos e conchas formam concentrações densas conhecidas como hash beds.
Esses depósitos ajudam a reconstruir o ambiente onde os tubarões viviam. Não representam uma caverna habitada por animais marinhos, mas um ecossistema oceânico que existiu milhões de anos antes de a dissolução do calcário começar a formar Mammoth Cave.
Por que a caverna é tão importante para estudar um mar desaparecido?
As galerias fornecem acesso tridimensional a camadas geológicas que, na superfície, poderiam estar cobertas por solo e vegetação. Pesquisadores conseguem examinar paredes e tetos pouco alterados pela erosão externa e localizar fósseis em sua posição original.
Essa preservação transforma Mammoth Cave em um arquivo excepcional. A caverna conhecida atualmente é relativamente jovem diante das rochas que atravessa: enquanto suas galerias resultaram de processos muito posteriores, o calcário registra um oceano com mais de 300 milhões de anos.
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