Um filhote recebeu uma ferramenta da própria mãe e as câmeras registraram chimpanzés ensinando habilidades que passam entre gerações
Oito anos de câmeras escondidas registraram 33 transferências de ferramentas entre mães e filhotes

O que você vai ver
- Onde as câmeras foram instaladas e por quantos anos a filmagem durou.
- Quantas transferências de ferramentas e de frutos foram registradas ao todo.
- Quais técnicas específicas os adultos demonstraram aos filhotes.
- Por que esse comportamento é considerado ensino ativo, e não imitação passiva.
- O que esse tipo de registro já havia mostrado em outra população de chimpanzés.
Câmeras escondidas em uma região de savana no Senegal registraram chimpanzés adultos entregando ferramentas diretamente às mãos de filhotes e demonstrando técnicas específicas de uso, evidência de que habilidades complexas passam entre gerações por meio de um processo que se parece com ensino ativo.
Onde e por quanto tempo as câmeras filmaram?
Pesquisadores da Universidade de Barcelona e do Jane Goodall Institute Espanha instalaram câmeras-armadilha no sítio de Dindefelo, no Senegal, local onde os chimpanzés da região já são conhecidos por usar ferramentas, e analisaram as filmagens coletadas entre 2017 e 2025, período de oito anos que permitiu acumular um volume raro de registros desse comportamento específico.
Deep in the Dindéfélo forests, Senegal’s last wild chimpanzees roam freely. However, habitat loss, #climateChange & human encroachment have placed them at great risk. See how Dindéfélo Reserve protects chimpanzees: https://t.co/yVVDzJyiyk via @UNDP https://t.co/lxpNGespij
— UN Biodiversity (@UNBiodiversity) March 16, 2025
Quantas transferências foram registradas?
Ao todo, a equipe documentou 33 transferências de ferramentas e 4 transferências de frutos entre indivíduos, a maioria delas ocorrendo especificamente entre mães e seus próprios filhotes, padrão que reforça a ideia de que esse tipo de repasse de conhecimento acontece prioritariamente dentro do núcleo familiar mais próximo.
Quais técnicas foram demonstradas?
As filmagens registraram comportamentos como a pesca de formigas com gravetos, a coleta de algas, a pesca de cupins e a técnica de amassar frutos de baobá contra pedras usadas como bigorna. Num dos registros, a fêmea adulta Soukki parece demonstrar à própria filha, Saïsaï, como pescar formigas, enquanto em outro um macho juvenil parece mostrar à cria de Féré, chamada Fotti, como quebrar o fruto batendo-o contra a rocha.
Por que isso é considerado ensino, não só imitação?
Pesquisas anteriores já haviam documentado comportamento semelhante numa população diferente, na República do Congo, onde fêmeas adultas chegavam a entregar ferramentas de pesca de cupins diretamente aos filhotes, gesto que reduz temporariamente a eficiência de forrageamento da própria mãe, mas aumenta as chances de aprendizado do filhote, padrão interpretado pelos pesquisadores como evidência de um investimento ativo, e não apenas de observação passiva por parte da cria.

O que outros registros já mostraram?
O estudo anterior, conduzido no Triângulo Goualougo pelo Goualougo Triangle Ape Project em parceria com a Washington University em St. Louis, já havia filmado mães chimpanzés entregando ferramentas de pesca de cupins aos próprios filhotes, e o novo trabalho em Dindefelo amplia essa evidência para um repertório mais amplo de técnicas, incluindo frutos e formigas, reforçando que a transmissão ativa de conhecimento pode ser mais comum entre chimpanzés selvagens do que se pensava até então.
Comportamentos complexos que se revelam só depois de anos de observação contínua também aparecem no relato sobre o aquário que pode ultrapassar o peso que um móvel de sala consegue suportar.
Mais detalhes sobre o estudo estão disponíveis na reportagem original da Discover Wildlife.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)