Um drone filmou tubarões-de-pontas-negras desviando de um alto-falante submerso a quase 75 metros de distância, provando que eles sabem de onde vem o som
Os animais não nadaram em direção ao alto-falante: desviaram com ângulos de até 160°, provando que reconhecem a direção da fonte

O que você vai ver
- Como o experimento com tubarões selvagens foi montado.
- Que frequências de som os tubarões conseguiram detectar.
- Como os pesquisadores provaram que eles identificam a direção do som.
- Por que a audição desses animais intriga tanto os cientistas.
- O que a descoberta muda no estudo do comportamento dos tubarões.
Pesquisadores da Florida Atlantic University usaram um drone para filmar tubarões-de-pontas-negras selvagens reagindo a sons emitidos por um alto-falante submerso, e descobriram que os animais detectam e localizam estímulos de baixa frequência a quase 75 metros de distância.
Como o experimento foi montado?
A equipe escolheu o tubarão-de-pontas-negras (Carcharhinus limbatus), espécie que forma grandes agrupamentos sazonais nas águas costeiras rasas do condado de Palm Beach, na Flórida, o que permitiu acompanhar os movimentos dos animais livremente, sem capturá-los, usando um drone aéreo para filmar as reações a estímulos emitidos por um alto-falante submerso.
¿#SabíasQue unos de los motivos por el que los #tiburones saltan fuera del agua es para desparasitarse? Tal y como hace este tiburón de puntas negras (𝐶𝑎𝑟𝑐ℎ𝑎𝑟ℎ𝑖𝑛𝑢𝑠 𝑙𝑖𝑚𝑏𝑎𝑡𝑢𝑠). 📹: Juerg Brunnschweiler #Ciencia #Curiosidades #FelizMiércoles #CCMar #Science https://t.co/d1dDeOgaML
— Pol Carrasco (@PolCa98) April 24, 2019
Que frequências foram detectadas?
Os pesquisadores testaram sons pulsados em três faixas de baixa frequência (100 a 200, 200 a 400 e 400 a 800 hertz), além de um estímulo de controle de 10 mil hertz, acima da faixa auditiva conhecida da espécie; os tubarões reagiram às três faixas baixas a distâncias de até 74 metros, mas ignoraram completamente o som de controle.
Como provaram a direção do som?
As imagens aéreas permitiram identificar mudanças repentinas de trajetória logo após cada emissão sonora; em vez de nadar em direção ao alto-falante, os tubarões se desviaram bruscamente para longe dele, com ângulos de giro entre 20° e 160°, o que indica que os animais não apenas detectam o som, mas conseguem reconhecer de que direção ele vem.
Por que essa audição intriga cientistas?
Diferente de muitos peixes ósseos, os tubarões não têm bexiga natatória cheia de gás, estrutura que ajuda outros animais a detectar pressão sonora; os pesquisadores acreditam que o ouvido interno desses predadores percebe principalmente o movimento das partículas provocado pelas ondas sonoras, possivelmente com ajuda de uma estrutura chamada macula neglecta, embora o mecanismo exato ainda não esteja totalmente explicado.
Sub-adult blacktip sharks (Carcharhinus limbatus), Victoria (19/03/25). https://t.co/cqTuvf6CIU
— John Nevill (@Seychellesharks) March 23, 2025
O que isso muda no estudo dos tubarões?
A audição permite que esses animais percebam eventos fora do campo visual, como movimentos de presas ou perturbações causadas por outros animais, e entender essa capacidade pode ajudar a investigar deslocamentos, comportamento alimentar e reações a ruídos produzidos por embarcações, já que a distância de detecção varia conforme a espécie, a frequência e as condições do ambiente.
Capacidades sensoriais de animais marinhos medidas com precisão inédita também aparecem na reportagem sobre o estudo que ligou a duração do dia da Terra ao movimento do núcleo interno.
Mais detalhes sobre a pesquisa estão disponíveis na reportagem original do ScienceDaily.
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