Pesquisadores da Universidade de Alberta encontraram uma força gravitacional entre o núcleo interno e o manto que explica por que a duração do dia da Terra oscila a cada seis décadas
O modelo testou três mecanismos concorrentes e descartou dois deles como explicação principal para as oscilações

O que você vai ver
- O que os cientistas descobriram sobre a duração do dia.
- Como a gravidade consegue alterar a rotação da Terra.
- Que dados foram usados para testar o modelo.
- Que outras forças foram descartadas como explicação principal.
- O que isso revela sobre o interior profundo da Terra.
Um estudo da Universidade de Alberta identificou a interação gravitacional entre o núcleo interno e o manto como principal responsável por variações de alguns milissegundos na duração do dia terrestre, observadas ao longo de décadas.
O que os cientistas descobriram?
A equipe descobriu que a influência gravitacional do núcleo interno, uma esfera sólida de ferro, pode explicar oscilações na rotação da Terra que se repetem em ciclos de aproximadamente 60 a 70 anos, mecanismo que envolve movimentos relativos entre essa esfera, o núcleo externo líquido e o manto rochoso.

Como a gravidade altera a rotação?
O núcleo interno não é uma esfera perfeitamente uniforme, e pequenas irregularidades em sua forma interagem gravitacionalmente com regiões de densidade diferente no manto profundo; quando o ferro líquido do núcleo externo modifica a orientação relativa do núcleo interno, essa interação produz um torque gravitacional que transfere momento angular entre as camadas, acelerando ou desacelerando ligeiramente a rotação da superfície.
Que dados foram usados?
O estudo, conduzido por Huifeng Zhang e Mathieu Dumberry, combinou registros de rotação terrestre, observações sísmicas e reconstruções do movimento do núcleo líquido entre 1964 e 2019, removendo antes das comparações contribuições já conhecidas da atmosfera, dos oceanos e de processos de longo prazo, para isolar especificamente as oscilações ligadas às interações profundas entre núcleo e manto.
Que outras forças foram descartadas?
O modelo considerou três mecanismos: forças eletromagnéticas produzidas pela circulação do ferro líquido, pressões sobre irregularidades na fronteira entre núcleo e manto, e a atração gravitacional entre o núcleo interno e estruturas profundas do manto; os resultados apontaram o torque gravitacional como principal responsável pelas variações multidecadais, embora os outros dois mecanismos continuem relevantes ao resistir e modificar esse movimento.

O que isso revela sobre o interior da Terra?
As oscilações na rotação funcionam como uma forma indireta de investigar regiões que nenhuma perfuração consegue alcançar, sugerindo características do manto profundo, como materiais enriquecidos em ferro, embora os resultados ainda dependam da precisão dos modelos sísmicos e das reconstruções de correntes no núcleo externo.
Fenômenos medidos em escalas de tempo quase imperceptíveis que revelam processos profundos também aparecem na reportagem sobre a cratera de impacto de 390 milhões de anos confirmada por cones de estilhaçamento em Quebec.
Mais detalhes sobre a pesquisa estão disponíveis na reportagem original do ScienceDaily.
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