Um dinossauro do tamanho de um bisão carregava uma vela alta nas costas e fósseis indicam que a estrutura pode ter servido mais para exibição do que para calor
Vértebras extremamente alongadas revelaram um iguanodontiano de 125 milhões de anos com provável estrutura de sinalização visual
Há cerca de 125 milhões de anos, um herbívoro do porte de um bisão percorria as planícies da atual Ilha de Wight, na Inglaterra. Istiorachis macarthurae possuía espinhas neurais excepcionalmente alongadas nas vértebras das costas e da cauda, provavelmente sustentando uma estrutura semelhante a uma vela. A anatomia levou pesquisadores a considerar a sinalização visual, inclusive ligada à seleção sexual, uma explicação importante para tamanho exagerado da estrutura.
Por que Istiorachis tinha vértebras tão diferentes?
Istiorachis macarthurae pertence aos iguanodontianos, grupo de dinossauros ornitópodes herbívoros que se diversificou intensamente durante o Cretáceo. O exemplar conhecido veio da Formação Wessex, na Ilha de Wight, e durante anos seus ossos foram tratados como pertencentes a espécies já conhecidas da região.
Uma nova análise mostrou que suas espinhas neurais dorsais alcançavam mais de quatro vezes a altura da parte principal de algumas vértebras. Essa proporção é suficientemente extrema para ser classificada como hiper alongamento e diferencia o animal de muitos de seus parentes contemporâneos.
Como uma vela poderia surgir sobre as costas do animal?
As espinhas neurais são projeções ósseas que se elevam a partir das vértebras. Em vários vertebrados, elas fornecem pontos de fixação para músculos e ligamentos. Quando crescem de maneira extraordinária, também podem sustentar tecidos que formam cristas ou estruturas semelhantes a velas.
Nos iguanodontianos, algum alongamento pode ter acompanhado o aumento do tamanho corporal e uma maior dependência da locomoção quadrúpede. Em Istiorachis, porém, a dimensão ultrapassava o esperado apenas para suporte mecânico, sugerindo que outras pressões evolutivas também estavam envolvidas.
- Espinhas neurais presentes nas costas e na cauda;
- Algumas ultrapassavam quatro vezes a altura do corpo vertebral;
- O esqueleto conhecido é incompleto;
- A estrutura externa exata não foi fossilizada.
Este vídeo apresenta Istiorachis macarthurae e explica a descoberta do novo dinossauro de vela dorsal:
Por que Istiorachis pode ter usado a vela para exibição?
Uma hipótese antiga para estruturas dorsais exageradas em animais extintos é a termorregulação, com uma superfície vascularizada ajudando a absorver ou perder calor. No caso de Istiorachis, entretanto, os autores consideraram a sinalização visual uma explicação mais provável para o grau de exagero observado.
A estrutura poderia ajudar indivíduos a reconhecer membros da própria espécie, parecer maiores diante de rivais ou predadores e, possivelmente, participar da escolha de parceiros. Os pesquisadores destacam especialmente a seleção sexual, mas fósseis não permitem observar diretamente comportamento, portanto essa função permanece uma interpretação evolutiva.
Por que a função da vela ainda não pode ser considerada comprovada?
Uma espinha neural alongada pode desempenhar várias funções ao mesmo tempo. Além de sinalização, ela pode contribuir para sustentação muscular ou outras demandas biomecânicas. O próprio estudo conclui que a evolução dessas estruturas entre iguanodontianos provavelmente teve causas diferentes em espécies distintas.
O Natural History Museum destaca que, embora a termorregulação tenha sido proposta para velas de outros animais, o exagero observado nesse dinossauro levou a equipe a favorecer funções de sinalização e possível atração de parceiros.

O que os números revelam sobre Istiorachis?
O animal viveu aproximadamente 125 milhões de anos atrás, no Barremiano do Cretáceo Inferior. Estimativas indicam massa próxima de uma tonelada e altura ao redor de dois metros, dimensões que fizeram pesquisadores compará-lo a um bisão-americano.
A razão entre altura da espinha neural e altura do centro vertebral chegou aproximadamente a 4,3. Isso coloca Istiorachis entre os iguanodontianos com espinhas mais exageradas conhecidos e o aproxima, nesse aspecto específico, de formas como Ouranosaurus.
Por que essa descoberta importa para entender os dinossauros da Ilha de Wight?
A espécie mostra que a diversidade dos iguanodontianos locais era maior do que se reconhecia historicamente. Ossos anteriormente agrupados sob poucos nomes estão sendo reavaliados, revelando diferentes espécies que dividiram os ambientes fluviais e florestais do sul da Inglaterra durante o Cretáceo Inferior.
A vela também amplia o conhecimento sobre a evolução de estruturas exageradas nesses herbívoros. Em vez de serem apenas adaptações mecânicas, algumas podem ter funcionado como sinais visuais capazes de distinguir espécies e indivíduos, acrescentando uma dimensão comportamental ao estudo de animais conhecidos somente por seus ossos.
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