Terremotos derrubaram partes de Lima repetidas vezes, mas o centro histórico continuou reconstruindo igrejas e casarões sobre a mesma malha colonial
O Convento de São Francisco, erguido com artesãos locais e europeus, é o maior convento de seu tipo nesta parte do mundo

O que você vai ver
- Quando e por quem o centro histórico de Lima foi fundado.
- O que aconteceu na cidade depois do terremoto e tsunami de 1746.
- Por que o centro histórico manteve a mesma malha urbana apesar da destruição.
- Qual convento colonial se tornou o maior desse tipo nesta parte do mundo.
- Por que a Unesco reconheceu o centro histórico de Lima em 1988.
Terremotos derrubaram partes de Lima repetidas vezes ao longo de quase cinco séculos, mas o centro histórico da capital peruana sempre reconstruiu igrejas, conventos e casarões sobre a mesma malha urbana traçada ainda no período colonial espanhol.
Quando e por quem o centro histórico de Lima foi fundado?
O centro histórico de Lima foi fundado em 1535 pelo conquistador espanhol Francisco Pizarro, que batizou o novo assentamento de “La Ciudad de los Reyes”, a Cidade dos Reis, núcleo urbano que se tornaria ao longo dos séculos seguintes a capital e a cidade mais importante dos domínios espanhóis na América do Sul.
Até meados do século XVIII, Lima manteve essa posição de centro administrativo e comercial mais relevante do vice-reinado espanhol na região, acumulando ao longo desse período uma concentração de igrejas, conventos e edifícios públicos que ainda hoje define a paisagem do centro histórico da cidade.
"Plano scenographico de la Ciudad de los Reyes o Lima, capital de los Reynos del Perú", Antonio de Ulloa, 1748. https://t.co/Z3HysmCrSR
— Hispaniarum Rex (@HispaniarumRex) January 18, 2024
O que aconteceu na cidade depois do terremoto e tsunami de 1746?
Em 28 de outubro de 1746, um terremoto seguido de tsunami destruiu quase completamente a cidade de Lima, um dos eventos sísmicos mais devastadores já registrados na história urbana da capital peruana, que precisou ser praticamente reconstruída a partir dos escombros deixados por aquele desastre.
Apesar da escala da destruição, a reconstrução que se seguiu manteve a mesma malha urbana original traçada no século XVI, decisão que preservou o desenho das ruas e quarteirões coloniais mesmo quando boa parte das edificações precisou ser inteiramente refeita com técnicas construtivas adaptadas ao risco sísmico da região.
Por que o centro histórico manteve a mesma malha urbana apesar da destruição?
Reconstruir sobre o traçado colonial original, em vez de redesenhar a cidade do zero, permitiu que Lima preservasse a lógica original de organização urbana, com praças centrais, igrejas e edifícios administrativos ocupando os mesmos terrenos que já ocupavam desde o século XVI, mesmo depois de sucessivos desastres naturais ao longo dos séculos seguintes.
Essa continuidade da malha urbana é um dos motivos pelos quais o centro histórico de Lima ainda hoje concentra uma das maiores densidades de monumentos coloniais de toda a América do Sul, já que cada reconstrução reforçava, em vez de substituir, a estrutura espacial herdada da fundação espanhola original.
Qual convento colonial se tornou o maior desse tipo nesta parte do mundo?
O Convento de São Francisco, erguido ao longo do período colonial com a colaboração de artesãos locais e europeus, se tornou o maior convento de seu tipo nesta parte do mundo, exemplo direto de como a arquitetura religiosa de Lima combinava técnicas construtivas trazidas da Europa com mão de obra e materiais da própria região andina.
Esse tipo de colaboração entre tradições construtivas distintas se repetiu em diversas outras igrejas e conventos do centro histórico, processo que, somado às sucessivas reconstruções pós-terremoto, deixou na cidade uma mistura arquitetônica difícil de encontrar em outros centros coloniais da América espanhola.
Catedral y palacio arzobispal de Lima, la "Ciudad de los Reyes". https://t.co/2zjBtAcFvF
— Hispaniarum Rex (@HispaniarumRex) January 6, 2024
Por que a Unesco reconheceu o centro histórico de Lima em 1988?
A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura declarou o centro histórico de Lima patrimônio mundial em 1988, reconhecimento baseado na originalidade do traçado urbano colonial e na alta concentração de monumentos históricos construídos durante o período de presença espanhola na região.
Esse reconhecimento também levou em conta a capacidade da cidade de reconstruir repetidamente seu patrimônio arquitetônico após desastres naturais sem abandonar o desenho urbano original, característica que distingue Lima de outras capitais coloniais que precisaram ser substancialmente redesenhadas após eventos sísmicos de grande escala.
- O centro histórico de Lima foi fundado em 1535 por Francisco Pizarro como “La Ciudad de los Reyes”.
- O terremoto e tsunami de 1746 destruíram quase completamente a cidade, que foi reconstruída sobre a mesma malha colonial.
- O Convento de São Francisco se tornou o maior convento de seu tipo nesta parte do mundo.
- A Unesco reconheceu o centro histórico de Lima como patrimônio mundial em 1988.
Este artigo dá continuidade ao relato sobre os mais de 500 templos do complexo de Prambanan, na Indonésia. Mais detalhes sobre o centro histórico de Lima estão disponíveis na página oficial da Unesco.
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