Restaurar florestas de algas não acompanha a velocidade das perdas e pesquisadores alertam contra atalho climático

24.09.2026

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Restaurar florestas de algas não acompanha a velocidade das perdas e pesquisadores alertam contra atalho climático
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5 minutos de leitura 24.09.2026 00:53 comentários
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Restaurar florestas de algas não acompanha a velocidade das perdas e pesquisadores alertam contra atalho climático

Análise mostra que perdas de kelp associadas ao clima superam amplamente os ganhos atuais obtidos com restauração

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Restaurar florestas de algas não acompanha a velocidade das perdas e pesquisadores alertam contra atalho climático
Florestas de kelp estão encolhendo mais rápido do que as ações de recuperação

As florestas de algas estão perdendo terreno para o aquecimento dos oceanos muito mais depressa do que projetos humanos conseguem recuperá-las. Em um ensaio publicado em setembro de 2026 na PLOS Biology, pesquisadores estimaram que a redução dos benefícios climáticos causada pelo declínio dessas comunidades pode superar os ganhos obtidos com restauração, cultivo e outras intervenções em três a quatro ordens de magnitude, ou cerca de 1.000 a 10.000 vezes.

Por que as florestas de algas estão perdendo espaço tão rapidamente?

O trabalho foi assinado por Karen Filbee-Dexter, Albert Pessarrodona, Kira A. Krumhansl e Thomas Wernberg. Os autores analisaram dados sobre declínio de kelps, restauração e circulação de carbono para comparar a escala das perdas naturais com a capacidade atual de intervenções humanas.

Registros de longo prazo indicam declínio em cerca de 60% das séries temporais avaliadas de florestas de kelp, enquanto aproximadamente 5% mostraram aumento. Uma estimativa global usada pelos autores aponta queda média de 1,8% ao ano na abundância, embora existam grandes incertezas porque extensas regiões costeiras permanecem pouco mapeadas ou monitoradas.

Leia também: Pesquisadores de Harvard simularam uma cidade lunar de um milhão de habitantes e, ao abrir as torneiras, esvaziaram a água da Lua em um século

Por que restaurar áreas degradadas não basta para compensar as perdas?

Segundo a análise, uma estimativa otimista reúne aproximadamente 4.200 hectares de kelp selvagem restaurados com sucesso desde 1958. Em contraste, mantendo determinadas projeções utilizadas pelos pesquisadores, a área perdida até 2050 poderia alcançar dezenas de milhões de hectares.

Os autores não argumentam que a restauração seja inútil. Ela pode recuperar biodiversidade, habitat, funções costeiras e benefícios sociais. O problema surge quando esses projetos são apresentados como uma forma de remoção de dióxido de carbono capaz de compensar emissões em grande escala.

  • Restaurar habitats degradados;
  • Reduzir pressões locais;
  • Proteger áreas ainda intactas;
  • Identificar refúgios climáticos;
  • Reduzir emissões de gases de efeito estufa.

Este vídeo mostra um projeto apoiado pela NOAA para recuperação de kelp na Califórnia:

Quanto as florestas de algas podem perder em capacidade climática?

Usando uma área global estimada de 641.224 quilômetros quadrados para florestas de kelp e a taxa anual de declínio de 1,8%, os autores calcularam uma perda equivalente a aproximadamente 11.542 quilômetros quadrados em um ano. Esses números são estimativas globais e dependem diretamente das premissas adotadas.

O estudo também avaliou diferentes componentes do ciclo do carbono, incluindo biomassa, exportação de carbono orgânico particulado e produção de carbono orgânico dissolvido refratário. O aquecimento pode ainda acelerar decomposição e fragmentação, reduzindo a parcela de carbono que alcança reservatórios oceânicos mais duradouros.

O que o estudo diz sobre usar algas como solução climática?

O argumento central não é que algas não participem do ciclo do carbono. Ao contrário, esses ecossistemas altamente produtivos absorvem carbono durante seu crescimento e parte desse material pode ser transportada para sedimentos ou águas profundas, embora a quantidade efetivamente sequestrada por períodos climaticamente relevantes ainda carregue incertezas.

No artigo original publicado na PLOS Biology, os pesquisadores alertam principalmente contra a expectativa de que restauração, reflorestamento marinho ou cultivo de algas forneçam remoção de CO₂ na escala necessária para contrabalançar emissões crescentes. Essa possibilidade não substitui cortes diretos de gases de efeito estufa.

Florestas de kelp estão encolhendo mais rápido do que as ações de recuperação
Florestas de kelp estão encolhendo mais rápido do que as ações de recuperação

Por que conservar florestas de algas existentes ganha prioridade?

Evitar a degradação preserva funções que já estão operando e pode ser mais eficiente do que tentar reconstruí-las depois do colapso. Segundo o estudo, projetos de restauração de kelp podem custar aproximadamente US$ 10 mil a US$ 707 mil por hectare, dependendo do contexto e da técnica empregada.

Os autores defendem uma hierarquia de ações: primeiro reduzir os fatores responsáveis pela degradação e proteger habitats funcionais; depois favorecer recuperação passiva; somente quando isso não funcionar recorrer a intervenções como transplante, semeadura ou controle de herbívoros.

IndicadorEstimativa citada
Área global de kelp641.224 km²
Declínio anual estimado1,8%
Kelp restaurado desde 1958Cerca de 4.200 ha
Diferença entre perdas e ganhos3 a 4 ordens de magnitude

Que papel a restauração ainda pode desempenhar?

Projetos locais continuam importantes. Os autores destacam que recuperar kelp pode favorecer biodiversidade, pesca, qualidade ambiental e atividades culturais, além de aproximar comunidades da conservação marinha. Cultivar algas também pode fornecer alimentos e materiais com impactos ambientais relativamente baixos em determinados sistemas.

A advertência se refere à escala climática atribuída a essas iniciativas. Proteger ecossistemas existentes, controlar fatores locais de degradação e restaurar áreas adequadas são medidas complementares, mas nenhuma elimina a necessidade de reduzir rapidamente as emissões responsáveis pelo aquecimento dos oceanos.

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