Raros insetos pré-históricos presos em âmbar são descobertos em floresta no Equador
Pesquisadores fizeram uma descoberta significativa no Equador ao identificar o maior depósito de âmbar do período Cretáceo.
Pesquisadores fizeram uma descoberta significativa no Equador ao identificar o maior depósito de âmbar do período Cretáceo encontrado na América do Sul.
Essa resina fossilizada preservou uma variedade de insetos, teias de aranha e vestígios de plantas que pertenciam a uma floresta úmida, existente há cerca de 112 milhões de anos.
Esse achado proporciona uma visão única sobre como era uma parte do supercontinente Gondwana.
O Gondwana foi um supercontinente que ocupou a Terra desde o final do Neoproterozoico até o Cretáceo, compreendendo as terras que atualmente incluem a América do Sul, África, Antártida, Austrália, Índia e a Península Arábica.
A pesquisa, publicada na “Communications Earth & Environment”, analisou 60 amostras de âmbar obtidas na pedreira Genoveva, localizada na província de Napo.
Nessas amostras, foram encontradas 21 bioinclusões, como moscas, besouros, vespas, percevejos e até um fragmento de teia de aranha, além de um tricóptero, inseto associado a ambientes aquáticos.
Qual a importância das bioinclusões descobertas?
As bioinclusões identificadas, como pólen, esporos e folhas fósseis, fornecem registros valiosos sobre a biodiversidade daquela época.
Destacam-se os registros mais antigos de angiospermas no noroeste da América do Sul. Análises químicas revelaram que o âmbar se originou de coníferas da família Araucariaceae, que são parentes do pinheiro-do-paraná.
A formação do âmbar ocorreu em um ambiente úmido, rico em samambaias e cicadófitas, sem sinais de queimadas, contrastando com os depósitos do hemisfério norte onde o fogo era predominante.
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Jurassic Park: âmbar com inseto é achado pela 1ª vez na América do Sulhttps://t.co/D1Uw8NJRO9
— CNN Brasil (@CNNBrasil) September 18, 2025
Como a descoberta no Equador contribui para o conhecimento científico?
Até então, os grandes depósitos de âmbar com inclusões eram descritos principalmente no hemisfério norte. A descoberta no Equador preenche uma lacuna vital no entendimento dos ecossistemas e da biodiversidade da parte sul de Gondwana, numa era marcada pela proliferação das florestas resinosas.
Essa descoberta oferece insights sobre a evolução dos ecossistemas e o desenvolvimento da flora e fauna no hemisfério sul durante o Cretáceo.
Quais os desafios enfrentados nas análises do âmbar?
A pesquisa foi realizada por uma equipe internacional que utilizou técnicas avançadas de microscopia, análises geoquímicas como FTIR e cromatografia, além de estudos de palinologia.
O âmbar foi datado em cerca de 112 milhões de anos, durante o “Cretaceous Resinous Interval”. No entanto, o número reduzido de inclusões representa um desafio para generalizar aspectos sobre a fauna da época.
Além disso, o prolongado contato com petróleo alterou algumas propriedades químicas do âmbar, exigindo mais cautela nas análises químicas subsequentes.
A descoberta deste depósito de âmbar no Equador é uma janela para um passado remoto, revelando não só a composição biológica de uma floresta úmida antiga, mas também lançando luz sobre a dinâmica climática e ecológica da Terra pré-histórica.
Este achado possivelmente impulsionará novas pesquisas e compreensões sobre os períodos ambientais do supercontinente Gondwana.
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