Quatorze vértebras apareceram na Espanha e cruzaram um oceano de história com o primeiro Diplodocus confirmado fora da América do Norte
Fósseis de Teruel ampliam pela primeira vez a distribuição confirmada do famoso saurópode e reforçam antigas conexões entre Europa e América do Norte
Durante 148 anos, fósseis confirmados de Diplodocus estavam restritos à América do Norte. Isso mudou com uma sequência de vértebras descoberta em Teruel, na Espanha. O primeiro Diplodocus na Europa foi identificado a partir de 14 vértebras caudais e vários chevrones, ampliando a distribuição conhecida do gênero e fornecendo uma das evidências mais fortes de intercâmbio de dinossauros entre Europa e América do Norte no Jurássico Superior.
Onde foi encontrado o primeiro Diplodocus na Europa?
Os fósseis vieram do sítio La Tejería, no município de El Castellar, província de Teruel. O depósito pertence à Formação Villar del Arzobispo, formada no Jurássico Superior, entre o final do Kimmeridgiano e o Tithoniano, aproximadamente 150 milhões de anos atrás.
O sítio foi descoberto em 2008. Cinco vértebras apareceram naquele ano, enquanto outras nove foram recuperadas nas escavações de 2014 e 2015. Os paleontólogos também encontraram diversos chevrones, ossos posicionados sob a cauda, e parte das vértebras estava preservada em articulação.
Como 14 vértebras permitiram identificar um Diplodocus?
As 14 vértebras correspondem aproximadamente às posições 22 a 35 da cauda. Os pesquisadores analisaram proporções, articulações, fossas pneumáticas, espinhos neurais e outras características, comparando cada elemento com exemplares conhecidos de diplodocídeos encontrados em diferentes regiões.
Duas análises filogenéticas independentes — uma baseada em máxima parcimônia e outra em inferência bayesiana — posicionaram o exemplar espanhol dentro de Diplodocus. Como somente uma parte da cauda está preservada, a equipe preferiu classificá-lo como Diplodocus sp., sem atribuí-lo a uma espécie específica.
- 14 vértebras caudais preservadas;
- Vários chevrones associados;
- Parte da sequência encontrada articulada;
- Comprimento corporal estimado em cerca de 25 metros;
- Identificação apoiada por duas análises filogenéticas.
Este vídeo do Natural History Museum mostra diretamente a estrutura de um esqueleto de Diplodocus.
Por que encontrar esse dinossauro na Espanha foi tão inesperado?
Diplodocus foi descrito pelo paleontólogo Othniel Charles Marsh em 1878. Durante quase um século e meio, todos os exemplares considerados seguros do gênero vieram da Formação Morrison, extensa unidade fossilífera presente no oeste dos Estados Unidos.
A Europa já havia fornecido outros diplodocídeos, além de fósseis incompletos difíceis de classificar, mas nenhum havia sustentado de forma convincente uma identificação como Diplodocus. O material de Teruel rompeu essa distribuição aparentemente exclusivamente norte-americana.
O que o Diplodocus na Europa revela sobre o antigo Atlântico?
O estudo publicado no Journal of Vertebrate Paleontology interpreta o achado como uma importante evidência de dispersão entre faunas europeias e norte-americanas no final do Kimmeridgiano e início do Tithoniano.
Naquela época, o proto-Atlântico Norte estava em processo de abertura e a geografia era muito diferente da atual. Variações do nível do mar e configurações temporárias de terras emergidas podem ter criado rotas que permitiram a circulação de animais entre regiões hoje separadas pelo oceano.

Outros dinossauros também aparecem dos dois lados do Atlântico?
Sim. Gêneros como Allosaurus, Ceratosaurus, Stegosaurus e Torvosaurus possuem registros que sustentam relações faunísticas entre América do Norte e Europa durante o Jurássico Superior. O novo saurópode acrescenta mais uma linhagem importante a essa lista.
Isso não significa que existisse uma ponte terrestre contínua durante todo o período. Os pesquisadores trabalham com a hipótese de episódios de dispersão, possivelmente favorecidos por mudanças paleogeográficas e oscilações do nível do mar que modificavam temporariamente as barreiras entre populações.
Por que o Diplodocus na Europa muda sua história paleobiogeográfica?
A descoberta amplia pela primeira vez a distribuição confirmada do gênero para outro continente. Também transforma uma sequência aparentemente modesta de ossos da cauda em evidência de que esses grandes saurópodes alcançaram a Península Ibérica durante o Jurássico Superior.
Os autores mantêm cautela porque faltam crânio, membros e outras partes diagnósticas do esqueleto. Ainda assim, anatomia comparativa e filogenia sustentam a atribuição ao gênero. Novos fósseis espanhóis poderão testar essa interpretação e esclarecer quais populações atravessaram as antigas conexões entre os continentes.
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