Proteínas antigas deram nome a ossos que ficaram sem identidade por milhares de anos: caverna chinesa revelou novos restos de denisovanos
Análises moleculares identificaram cinco fósseis denisovanos de até 167 mil anos e ampliaram sua distribuição conhecida para o sudoeste da China
Em uma caverna do sudoeste da China, proteínas preservadas por até 167 mil anos permitiram identificar cinco fósseis de denisovanos, incluindo dentes, fragmentos cranianos e parte de um osso do antebraço. A descoberta aconteceu na caverna Bianfu, na província de Yunnan, e foi apresentada em setembro de 2026. Os resultados ampliam o conhecimento sobre esses parentes extintos dos humanos modernos e preenchem uma importante lacuna geográfica na história de sua dispersão pela Ásia.
Onde os novos fósseis de denisovanos foram encontrados?
A caverna Bianfu fica no condado de Heqing, no oeste de Yunnan, próximo a um afluente do rio Yangtzé. Escavações realizadas em 2019 recuperaram ferramentas de pedra, dentes humanos antigos e milhares de fragmentos ósseos associados a depósitos formados durante o Pleistoceno.
Os sedimentos arqueológicos abrangem aproximadamente 190 mil a 70 mil anos atrás. Entretanto, os cinco fósseis molecularmente identificados pertencem a camadas datadas entre cerca de 167 mil e 134 mil anos. Essa distinção é importante porque nem todos os materiais encontrados na caverna possuem a mesma idade.
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Como proteínas antigas permitiram reconhecer os denisovanos?
Os pesquisadores examinaram mais de 60 mil fragmentos ósseos, procurando características compatíveis com restos humanos antigos. Uma seleção passou por análises de proteínas, incluindo a técnica ZooMS, que utiliza fragmentos de colágeno para reconhecer diferentes grupos de animais.
A investigação identificou:
- Dois fragmentos de ossos parietais do crânio;
- Um fragmento proximal de rádio, osso do antebraço;
- Um quarto pré-molar inferior;
- Um segundo molar inferior;
- Proteínas com variantes características dos denisovanos.
O vídeo da CGTN apresenta os fósseis da caverna Bianfu e explica sua importância para a história dos denisovanos.
Por que identificar esses ossos apenas pela aparência era tão difícil?
Os fragmentos ósseos estavam misturados a milhares de restos de outros mamíferos. Muitos eram pequenos demais para apresentar características anatômicas suficientes para uma identificação segura. Mesmo quando um fragmento parecia pertencer a um hominínio, determinar sua linhagem evolutiva permanecia difícil.
A equipe tentou recuperar DNA antigo de três fragmentos ósseos, mas não obteve resultados utilizáveis. As proteínas, mais resistentes à degradação em determinadas condições, forneceram uma alternativa. Comparações de sequências de aminoácidos revelaram uma variante diagnóstica compartilhada com outros fósseis denisovanos previamente identificados.
O que o estudo revelou sobre a presença dos denisovanos na China?
O estudo publicado na revista Nature, em 9 de setembro de 2026, foi liderado por Huiyun Rao, Song Xing e colaboradores. A análise confirmou molecularmente três fragmentos ósseos e dois dentes como pertencentes a denisovanos.
A descoberta demonstra sua presença no sudoeste chinês durante o Pleistoceno Médio tardio. Até então, evidências moleculares importantes vinham da Sibéria, do planalto tibetano e de outras regiões asiáticas. Bianfu amplia esse mapa, conectando áreas que podem ter participado de antigas rotas de dispersão humana.

Quais características tornam os fósseis da caverna Bianfu especiais?
O fragmento de rádio apresenta importância particular porque restos pós-cranianos de denisovanos são extremamente raros. Grande parte do conhecimento anatômico desse grupo foi construída a partir de dentes, mandíbulas e fragmentos cranianos.
Os dois dentes também forneceram proteínas do esmalte e da dentina. Entre elas estavam sequências associadas ao cromossomo Y, indicando que ambos pertenciam a indivíduos masculinos. Entretanto, os pesquisadores não determinaram quantos indivíduos diferentes estão representados pelo conjunto dos cinco fósseis.
Como a descoberta modifica a história evolutiva dos denisovanos?
Os denisovanos eram parentes próximos dos neandertais e contribuíram geneticamente para populações humanas atuais, especialmente em partes da Ásia e da Oceania. Entretanto, seu registro fóssil permaneceu fragmentado durante anos, dificultando reconstruir sua aparência e distribuição.
Os achados de Bianfu mostram que esses hominínios ocuparam uma região situada entre o planalto tibetano e o sudeste asiático. Essa posição geográfica é compatível com possíveis corredores de dispersão, mas não comprova uma rota migratória específica. Novas análises poderão esclarecer sua diversidade anatômica e as relações entre diferentes populações denisovanas.
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