Projetado para levar centenas de pessoas de uma só vez, este ônibus possui vários eixos e uma carroceria tão longa que o motorista depende de sistemas eletrônicos para controlar curvas e movimentações em espaços apertados
Articulações, eixos direcionais e controles eletrônicos permitem que ônibus de alta capacidade operem em corredores urbanos mesmo com quase 30 metros
Com até 30 metros de comprimento e capacidade declarada para cerca de 300 passageiros em alguns projetos, o ônibus biarticulado leva o conceito de transporte rodoviário urbano ao limite. Duas articulações, vários eixos, sistemas eletrônicos e corredores BRT especialmente dimensionados permitem movimentar uma quantidade de pessoas próxima à de pequenas composições ferroviárias sem utilizar trilhos.
Como um ônibus biarticulado consegue chegar a 30 metros de comprimento?
Um ônibus articulado comum possui dois módulos unidos por uma articulação. O biarticulado acrescenta um terceiro módulo e outra articulação, permitindo ampliar bastante a cabine sem transformar o veículo em uma carroceria rígida que teria enorme dificuldade para contornar curvas urbanas.
Um dos exemplos mais extremos foi o Volvo Gran Artic 300, apresentado no Brasil em versões de 28 e 30 metros, com capacidade anunciada de até 300 passageiros. A fabricante desenvolveu o chassi especialmente para sistemas BRT de alta demanda e afirmou que um veículo poderia substituir aproximadamente três ônibus convencionais em capacidade.
Como vários eixos ajudam um ônibus desse tamanho a fazer curvas?
Quanto maior o veículo, mais difícil é impedir que a traseira corte a curva ou avance sobre calçadas. Articulações reduzem esse problema porque permitem que os diferentes módulos assumam ângulos entre si, enquanto a posição dos eixos determina como cada trecho acompanha a trajetória iniciada pelo motorista.
Entre os recursos usados nesses veículos estão:
- Múltiplos eixos distribuindo o peso da carroceria.
- Articulações permitindo movimento relativo entre módulos.
- Suspensão pneumática com controle de altura.
- Freios eletronicamente controlados.
- Sensores e câmeras para ampliar a percepção ao redor do veículo.
Este vídeo gravado durante a FetransRio apresenta diretamente o chassi biarticulado Volvo de 30 metros e mostra a dimensão do conjunto desenvolvido para sistemas BRT.
Por que o ônibus biarticulado precisa de sistemas eletrônicos de controle?
Nem todo ônibus gigante utiliza exatamente a mesma tecnologia de direção. Em modelos articulados de grande porte, sistemas eletrônicos podem monitorar articulação, frenagem, estabilidade e comportamento dos eixos, reduzindo movimentos indesejados quando o motorista esterça ou freia.
Um exemplo é o Mercedes-Benz CapaCity L, que possui apenas uma articulação, mas chega a cerca de 21 metros e utiliza um quarto eixo orientado eletro-hidraulicamente. Esse eixo esterça ativamente em baixas velocidades e até durante manobras de ré, diminuindo o raio de giro e o deslocamento lateral da traseira.
Como passageiros, motor e peso são distribuídos em uma carroceria tão longa?
O projeto precisa evitar concentração excessiva de carga em determinados eixos. Passageiros, motor, tanques ou baterias e componentes estruturais são distribuídos considerando limites de peso, estabilidade, capacidade dos pneus e esforços produzidos durante aceleração, frenagem e curvas.
| Categoria | Escala aproximada |
|---|---|
| Convencional | 12 m e até 100 passageiros |
| Articulado | Até 22 m e até 200 passageiros |
| Biarticulado | 24 a 30 m e até 300 passageiros |
Nos biarticulados elétricos Volvo BZRT de 28 metros colocados em operação regular em Goiânia em 2026, por exemplo, dois motores elétricos totalizam 400 kW, enquanto as baterias ficam instaladas sob o piso. A fabricante afirma que essa posição favorece distribuição de peso, estabilidade e uma cabine de passageiros desobstruída.
Por que o ônibus biarticulado funciona melhor dentro de um corredor BRT?
Um veículo com centenas de passageiros perde grande parte da vantagem se ficar preso no trânsito comum ou passar vários minutos embarcando pessoas pela mesma porta. Por isso, esses ônibus são desenvolvidos principalmente para corredores segregados, estações maiores, plataformas niveladas e várias portas funcionando simultaneamente.
A Volvo Buses classifica seus biarticulados BRT na faixa de 24 a 30 metros e até 300 passageiros. Nesse ambiente, o tamanho elevado pode reduzir a quantidade de veículos necessária para transportar o mesmo fluxo de pessoas, desde que estações e cruzamentos tenham sido projetados para recebê-los.

Quais são os limites para colocar ônibus gigantes em uma cidade?
Comprimento não significa automaticamente eficiência. Curvas muito fechadas, terminais pequenos, cruzamentos congestionados e pontos convencionais podem tornar um veículo extralongo pouco prático. Quanto maior a capacidade, mais importante se torna controlar o fluxo de passageiros e evitar que atrasos de um único ônibus afetem todo o corredor.
Por isso, os maiores modelos fazem sentido principalmente onde existe demanda elevada e infraestrutura dedicada. A tecnologia permite colocar até centenas de passageiros em uma única carroceria, mas é a combinação entre veículo, corredor, estações, sinalização e operação que transforma um ônibus de quase 30 metros em transporte urbano realmente eficiente.
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