Preta Gil é homenageada com 3 dias de luto no Rio de Janeiro
Aos 50 anos, Preta estava em Nova York, onde realizava um tratamento experimental contra a doença que enfrentava desde janeiro de 2023.
Preta Gil, que faleceu no último domingo, 20, construiu uma trajetória marcante e diversa na música e na cultura pop brasileira, desde a virada do milênio. Seu início na carreira já evidenciava o peso do sobrenome, sendo filha de Gilberto Gil, mas sua identidade artística foi traçada por escolhas ousadas e projetos que cruzam diferentes ritmos e linguagens, consolidando a artista como referência em representatividade e autenticidade no universo musical brasileiro.
Ao completar 50 anos em 2025, Preta Gil carrega uma história pessoal e profissional de relevância, atuando também como empresária e personalidade midiática.
Sua ligação com causas sociais e o engajamento em discussões sobre diversidade ampliaram a influência de Preta além dos palcos, tornando-a símbolo de resistência e inspiração em diferentes movimentos.
Como Preta Gil iniciou sua carreira na música?
A trajetória musical de Preta Gil começou oficialmente aos 29 anos, quando decidiu trocar a publicidade e a produção cultural pelos bastidores e microfones dos palcos.
Em 2003, lançou seu primeiro álbum, “Prêt-à-Porter”, que rapidamente chamou atenção não apenas pelo repertório, mas também pela capa ousada, criando debates sobre padrões e quebra de tabus.
O disco revelou ao Brasil o hit “Sinais de Fogo”, composto por Ana Carolina especialmente para Preta, simbolizando o início de uma caminhada marcada pelo posicionamento e inovação artística.
Durante os anos seguintes, a cantora ampliou seu repertório, lançando álbuns como “Preta” (2005), que trouxe os sucessos “Muito Perigoso” e “Eu e Você, Você e Eu”, e “Noite Preta” (2010), projeto que também originou uma turnê nacional de sete anos.
Esses lançamentos confirmaram seu gosto eclético, misturando pop, MPB, axé, samba e outros estilos, criando pontes culturais entre diferentes públicos e regiões do país.
Qual a importância do Bloco da Preta para o Carnaval carioca?
Um dos marcos mais expressivos na carreira é o “Bloco da Preta”, que teve sua estreia em 2010 e rapidamente conquistou espaço como um dos maiores blocos do Carnaval do Rio de Janeiro.
Em 2017, o desfile reuniu cerca de 500 mil foliões e consolidou o evento como parte integrante da folia carioca.
O bloco se tornou plataforma para Preta manifestar sua paixão pela música popular brasileira e celebrar a diversidade, proporcionando um espaço democrático para a pluralidade de ritmos e de expressões culturais.
- Atrações de diferentes gêneros, do sertanejo ao funk;
- Convidados renomados, como Ivete Sangalo e Anitta;
- Cenários temáticos e homenagens a personalidades como Chacrinha;
- Participação ativa em importantes debates sobre inclusão no Carnaval.
A cada edição, o Bloco da Preta é responsável por movimentar a cidade, promovendo encontros entre gerações e estilos, e difundindo valores ligados à alegria, diversidade e respeito à livre expressão.
Hoje uma guerreira descansou de sua luta corajosa pela vida. Aqui, fica a saudade da mulher que escolheu a liberdade como forma de arte para deixar no mundo a marca Gil.
— Prefeitura do Rio (@Prefeitura_Rio) July 21, 2025
A mulher que foi generosa em fazer história e que se tornou sinônimo de ousadia, coragem e resistência. pic.twitter.com/TfR4fuqTdO
Quais foram os principais desafios enfrentados por Preta Gil?
Ao longo da vida, a cantora enfrentou desafios, tanto na carreira quanto na saúde. Desde 2023, Preta travava uma batalha contra o câncer, submetendo-se a tratamentos no Brasil e posteriormente, tratamentos experimentais nos Estados Unidos.
Mesmo diante das adversidades, seguiu ativa nos projetos profissionais e na militância, inspirando pessoas que lidam com obstáculos semelhantes ao compartilhar de forma aberta sua experiência com a doença.
Além do cenário de saúde, Preta enfrentou críticas e polêmicas em relação à sua exposição artística e às temáticas abordadas em seus trabalhos, principalmente nos anos em que sua carreira emergia em meio ao conservadorismo de determinados setores sociais.
Essas barreiras, contudo, impulsionaram ainda mais seu papel como símbolo de resistência e voz ativa em debates fundamentais para a cultura e para os direitos das mulheres e das minorias.
Legado e contribuições de Preta Gil para a música e a cultura
A discografia de Preta Gil é marcada pela diversidade de parceiros e estilos. Seu álbum “Todas as Cores”, lançado em 2017 com participações de nomes como Marília Mendonça, Gal Costa e Pabllo Vittar, evidencia o compromisso da artista com a renovação e representatividade no meio musical.
Ao idealizar projetos como o DVD comemorativo “Bloco da Preta”, ampliou ainda mais seu alcance, levando ritmos brasileiros a palcos diversos.
Além da música, Preta investiu em empreendedorismo cultural, tornando-se sócia de agências focadas em cultura digital e produção artística.
Também atuou em novelas, séries de televisão e programas de variedades, adicionando experiências na área do entretenimento e contribuindo para a visibilidade de temas relevantes em rede nacional.
- Engajamento em campanhas pela igualdade de gênero;
- Defesa de movimentos de inclusão racial e LGBTQIA+;
- Impacto positivo na nova geração de artistas brasileiros;
- Capacidade de promover debates essenciais por meio da arte.
A obra e a trajetória de Preta Gil permanecem vivas no cenário brasileiro, exemplo de coragem, inovação e compromisso com uma cultura plural e inclusiva.
Em reconhecimento ao legado e à relevância da cantora, o governo do Rio de Janeiro e a Prefeitura do Rio decretaram luto oficial de três dias pela morte de Preta Gil, neste domingo (20), em decorrência de complicações de um câncer no intestino.
Aos 50 anos, Preta estava em Nova York, onde realizava um tratamento experimental contra a doença que enfrentava desde janeiro de 2023. Em nota oficial, o governo do Estado destacou: “Símbolo de representatividade na cultura brasileira, a voz da artista ecoou em causas sociais importantes, sempre com autenticidade, deixando um legado de alegria e representatividade“.
A comoção nacional reforça ainda mais o impacto de sua trajetória e o profundo respeito conquistado por sua atuação na música e na sociedade.
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