Polvos possuem três corações e sangue azul, uma combinação ligada à forma como o corpo distribui oxigênio em ambientes marinhos
Dois corações enviam sangue às brânquias enquanto um terceiro abastece o corpo, com a hemocianina transportando oxigênio
Entre os cefalópodes, poucas características fisiológicas chamam tanto a atenção quanto o sistema circulatório dos polvos. Os três corações dos polvos trabalham em conjunto com a hemocianina, uma proteína rica em cobre que transporta oxigênio e deixa o sangue azulado quando está oxigenado. Essa combinação sustenta um sistema circulatório fechado, incomum entre os moluscos e necessário para abastecer tecidos metabolicamente ativos.
Como funcionam os três corações dos polvos?
Dois são chamados de corações branquiais. Eles ficam próximos às brânquias e recebem sangue pobre em oxigênio vindo dos tecidos, aumentando a pressão necessária para impulsioná-lo através desses órgãos respiratórios. Nas brânquias, o sangue elimina dióxido de carbono e capta oxigênio dissolvido na água.
Depois da oxigenação, o sangue segue para o terceiro órgão, o coração sistêmico. Ele é responsável por bombear esse sangue para o restante do corpo, enviando oxigênio aos músculos, órgãos e demais tecidos por uma rede de vasos.
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Por que os três corações dos polvos não realizam a mesma tarefa?
Os corações branquiais e o sistêmico estão dispostos em sequência funcional. Os dois primeiros impulsionam sangue em direção às brânquias, enquanto o terceiro recebe o sangue já oxigenado e o distribui pelo organismo. Essa divisão ajuda a manter pressão adequada em diferentes partes da circulação.
Os polvos e outros cefalópodes modernos também possuem circulação fechada: o sangue permanece majoritariamente dentro de vasos. Isso permite distribuir oxigênio com mais controle do que em muitos outros moluscos, cujos sistemas circulatórios são abertos.
- Dois corações impulsionam sangue pelas brânquias;
- Um coração distribui sangue pelo corpo;
- As brânquias realizam as trocas gasosas;
- O sangue circula principalmente dentro de vasos;
- A hemocianina transporta o oxigênio.
Este vídeo do Smithsonian apresenta diretamente os três corações e o sangue azul dos polvos.
Por que o sangue do polvo é realmente azul?
A cor vem da hemocianina, proteína respiratória encontrada dissolvida no sangue dos cefalópodes. Diferentemente da hemoglobina humana, que utiliza ferro em seus grupos responsáveis pela ligação ao oxigênio, a hemocianina possui átomos de cobre.
Quando o oxigênio se liga ao cobre, a molécula adquire uma tonalidade azul característica. Portanto, não se trata apenas de uma aparência causada pela pele do animal: o fluido circulatório oxigenado efetivamente apresenta coloração azulada.
Como a hemocianina transporta oxigênio pelo corpo?
Uma revisão sobre estrutura e fisiologia da hemocianina dos moluscos descreve essas proteínas como enormes complexos formados por várias subunidades. Elas circulam livremente no sangue e ligam oxigênio nos centros que contêm cobre.
A eficiência dessa ligação muda conforme fatores como temperatura, pH e concentração de oxigênio. Por isso, espécies adaptadas a ambientes diferentes podem apresentar propriedades distintas de hemocianina. Não é correto afirmar simplesmente que o sangue azul seja universalmente “melhor” que a hemoglobina humana.

O que acontece com o sangue ao atravessar as brânquias?
O sangue que retorna do corpo chega aos corações branquiais com menos oxigênio. Eles elevam sua pressão e o enviam através dos vasos das brânquias, onde ocorre a troca gasosa com a água que passa pela cavidade do manto.
Após receber oxigênio, o sangue alcança o coração sistêmico e então segue pela aorta para os tecidos. O sistema cria, portanto, uma sequência coordenada entre retorno venoso, bombeamento branquial, oxigenação e distribuição sistêmica.
Por que os três corações dos polvos são importantes para sua fisiologia?
O sistema cardiovascular precisa acompanhar mudanças rápidas na demanda por oxigênio. Experimentos mostram que ventilação e funcionamento cardíaco respondem à disponibilidade de oxigênio na água e ao aumento da atividade metabólica.
Os três corações, portanto, não são uma curiosidade isolada. Eles integram um sistema especializado de circulação e respiração no qual brânquias, vasos, músculos cardíacos e hemocianina atuam juntos para manter o transporte de oxigênio em um animal marinho ativo.
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