Pesquisadores encontram um tesouro do passado com 70 milhões de anos no meio do deserto egípcio
O deserto voltou a revelar pistas de um passado muito distante
Uma área hoje dominada por rochas e areia no Deserto Ocidental do Egito preservou vestígios de um ambiente completamente diferente. Pesquisadores encontraram 14 dentes fossilizados no Planalto de Abu-Tartur e identificaram pelo menos cinco espécies extintas de tubarões lamniformes que viveram quando a região estava coberta por águas tropicais no Cretáceo Superior.
O que foi encontrado no meio do deserto egípcio?
O estudo, publicado em agosto de 2026 na revista Cretaceous Research, descreve 14 dentes isolados retirados de camadas ricas em fosfato da Formação Duwi.
Os fósseis vieram da região de Maghrabi-Liffiya, dentro do Planalto de Abu-Tartur, entre os oásis de Dakhla e Kharga. As rochas pertencem ao Campaniano Superior, uma etapa do Cretáceo Superior associada a um antigo ambiente marinho.

Quais tubarões deixaram esses dentes há cerca de 70 milhões de anos?
Os pesquisadores atribuíram o material a pelo menos cinco espécies: Cretalamna cf. C. maroccana, Scapanorhynchus cf. S. raphiodon, Serratolamna cf. S. serrata, Squalicorax bassanii e Squalicorax pristodontus.
Os formatos variam entre dentes estreitos e pontiagudos e peças mais largas com bordas serrilhadas. Essas diferenças ajudam a reconstruir nichos alimentares distintos dentro daquele antigo ecossistema.
Como um deserto pôde abrigar tantos tubarões?
Porque o local não era deserto naquela época. Os sedimentos da Formação Duwi se acumularam em um ambiente marinho tropical, quando o nível dos mares e a geografia do norte da África eram muito diferentes dos atuais.
Camadas ricas em fosfato preservam evidências de peixes, répteis marinhos e outros organismos. O conjunto indica águas produtivas, capazes de sustentar predadores em diferentes posições da cadeia alimentar.
- Hoje: Abu-Tartur faz parte de uma região árida do Egito.
- No Cretáceo: a área estava ligada a um ambiente marinho tropical.
- Sedimentos: fosfatos ajudaram a preservar restos de vertebrados.
- Dentes: materiais resistentes sobrevivem com mais frequência no registro fóssil de tubarões.
Por que algumas espécies chamaram tanta atenção dos pesquisadores?
Serratolamna cf. S. serrata e Squalicorax bassanii são apresentadas pelo estudo como os primeiros registros dessas formas no Egito. Já os dentes atribuídos a Scapanorhynchus cf. S. raphiodon podem representar o primeiro registro do táxon na África.
Essa última identificação ainda exige cautela. Os próprios autores afirmam que novas amostras e revisões taxonômicas serão necessárias para confirmar a atribuição com maior segurança.
Leia também: Os tubarões surgiram há cerca de 450 milhões de anos, antes das árvores e das florestas.
O achado é realmente um “cemitério de tubarões”?
O título do artigo científico usa a expressão “shark graveyard”, mas isso não significa que dezenas de tubarões morreram juntos em um único evento. O material é formado por dentes isolados preservados em uma camada sedimentar.
Com os dois tipos já descritos anteriormente na mesma região, Abu-Tartur passa a reunir evidências de pelo menos sete espécies de tubarões lamniformes. Mais do que um episódio de mortalidade, o conjunto revela a diversidade de predadores que ocuparam um mar tropical hoje escondido sob uma das paisagens mais secas do norte da África.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)