Peixe gigante de quase 3 metros se espalhou pelos rios europeus e ameaça espécies nativas
Um peixe gigante de água doce que pode chegar perto de 3 metros de comprimento e ultrapassar 200 quilos está chamando atenção na Europa.
Um peixe gigante de água doce que pode chegar perto de 3 metros de comprimento e ultrapassar 200 quilos está chamando atenção na Europa.
O bagre europeu (Silurus glanis), introduzido em diferentes países principalmente para a pesca esportiva, conseguiu formar populações estáveis e hoje é considerado uma ameaça para espécies nativas e para o equilíbrio de alguns ecossistemas.
Qual é o peixe gigante que avançou pelos rios europeus?
O bagre europeu é um enorme peixe semelhante a um bagre, com cabeça larga, corpo sem escamas e longos barbilhões ao redor da boca. Alguns exemplares registrados chegaram a quase 3 metros, enquanto fontes citadas na reportagem mencionam indivíduos que podem atingir cerca de 270 quilos.
O animal é um predador oportunista e consegue aproveitar uma grande variedade de alimentos. Sua dieta inclui peixes, lagostins, rãs, aves aquáticas e até pequenos mamíferos próximos das margens.
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A 9-foot catfish was just pulled from Europe’s longest river.
— Massimo (@Rainmaker1973) September 25, 2025
Fisherman Alessandro Biancardi hooked a wels catfish measuring 9.4 feet (2.85 meters) long, the largest ever recorded. It was longer than a bed, heavier than many humans, and so massive that Biancardi said he knew at… pic.twitter.com/IX1A6Yr7sa
Como esse peixe passou a dominar áreas dos rios?
Na Espanha, a história começou em 1974, quando milhares de exemplares jovens foram soltos no reservatório de Mequinenza, no rio Ebro, com o objetivo de transformar a região em um destino para pesca esportiva.
Décadas depois, a espécie se espalhou pela bacia do Ebro e chegou a outros rios e reservatórios. A capacidade de reprodução, a longevidade e a adaptação a diferentes ambientes fizeram com que as populações se tornassem praticamente autossuficientes.
Today's fish is the Wels Catfish (Silurus glanis), possibly the largest true freshwater fish with weight estimated up to 660lbs. They are currently thriving as top predators in the radioactive cooling ponds of Chernobyl due to lack of humans!
— Gabby Commisso (@gabbysfishes) March 15, 2021
📸Shutterstock, Benjamin Grunder, CAE pic.twitter.com/SmmYAvM0Iv
Por que o siluro preocupa os cientistas?
A principal preocupação não está apenas no tamanho impressionante do peixe, mas no impacto que ele pode provocar sobre a biodiversidade. Em áreas espanholas, espécies nativas como o barbo ibérico apresentaram fortes quedas onde o predador passou a ser abundante.
Estudos também apontam que controlar a expansão do siluro é extremamente difícil. Entre os fatores que complicam esse trabalho estão:
- Grande porte e longevidade, que dificultam a captura e remoção;
- Alta capacidade de adaptação a diferentes ambientes aquáticos;
- Reprodução e formação de populações estáveis;
- Pressão sobre espécies nativas que não evoluíram ao lado de um predador desse tamanho.
Conheça o Silurus glanis no vídeo abaixo do canal “Secrets of the Lake“.
O peixe gigante também já atacou banhistas?
Sim. Em 2025, cinco pessoas foram mordidas enquanto nadavam no reservatório de Brombachsee, na Baviera, Alemanha. Os siluros envolvidos tinham aproximadamente dois metros, e um deles acabou sendo capturado.
Apesar do impacto desses episódios, especialistas citados na reportagem indicaram que os ataques provavelmente estavam relacionados à defesa territorial, e não a uma intenção de caçar seres humanos. Também não há fundamento para histórias sobre restos humanos encontrados dentro desses peixes.
A invasão pode ser controlada?
O siluro também foi introduzido em países como França, Itália, Países Baixos e Reino Unido. Na Espanha, a eliminação completa das populações já é considerada pouco realista, e a legislação proíbe sua liberação e transporte.
Um estudo de 2026 sobre o rio Tejo apontou riscos para a biodiversidade de água doce e indicou a combinação de redes de emalhar e pesca elétrica como alternativas de controle, acompanhadas por maior coordenação entre autoridades e pescadores.
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