Fóssil de 85 milhões de anos encontrado no Brasil revela detalhe surpreendente sobre a origem das serpentes
Um fóssil excepcionalmente preservado encontrado no interior de São Paulo está ajudando a reconstruir a evolução das serpentes.
O fóssil de uma cobra excepcionalmente preservado encontrado no interior de São Paulo está ajudando os cientistas a reconstruir uma fase ainda misteriosa da evolução das serpentes.
Batizado de Tametara mirim, o animal viveu entre 85 milhões e 75 milhões de anos atrás, durante o Cretáceo, e seus restos preservaram partes do crânio e mais de cem vértebras em conexão.
O que um fóssil de cobra revela sobre as primeiras serpentes?
O exemplar mede aproximadamente 42 centímetros e apresenta características associadas a uma vida subterrânea. O estado de conservação é especialmente importante porque fósseis de serpentes primitivas costumam aparecer fragmentados, dificultando a reconstrução de sua anatomia e comportamento.
O achado foi realizado em 2020 na região de Presidente Prudente, em São Paulo. Segundo os pesquisadores, trata-se do primeiro fóssil de serpente articulada conhecido no Brasil, oferecendo uma oportunidade rara de estudar o animal praticamente como ele estava em vida.
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Esqueleto de Tametara mirim, nueva especie de serpiente excavadora de hace 85-75 millones de años descubierta en Brasil
— CRCpaleos (@CRCpaleos) July 30, 2026
📷Agustín Martinelli, 2026#Cretacico pic.twitter.com/zaLUowp0fc
Por que o cérebro dessa serpente chamou tanta atenção?
A preservação do crânio permitiu realizar exames de microtomografia, uma técnica semelhante a uma radiografia tridimensional. Assim, os cientistas conseguiram observar estruturas internas sem destruir o fóssil e reconstruir digitalmente a região onde ficava o cérebro.
Os resultados indicam adaptações compatíveis com um animal que passava boa parte da vida no subsolo. Entre os sinais identificados estão características relacionadas à redução da dependência da visão, algo esperado em ambientes escuros e estreitos.
Confira descoberta da Tametara mirim no vídeo abaixo do canal “Di-Poï Evo-Devo LAB Helsinki“.
Como esse fóssil de cobra muda a história da evolução das serpentes?
Durante muito tempo, uma das grandes discussões da paleontologia envolveu o ambiente em que as primeiras serpentes evoluíram.
As hipóteses variavam entre uma origem ligada ao ambiente marinho e outra associada a ancestrais terrestres e escavadores. O novo estudo não encerra a discussão, mas aponta para uma história muito mais diversificada.
Os dados sugerem que diferentes linhagens primitivas já ocupavam ambientes distintos durante o Cretáceo. Entre as principais pistas estão:
O fóssil reforça a ideia de que a evolução das serpentes foi mais complexa e diversificada do que uma única trajetória evolutiva poderia sugerir.
O que os cientistas ainda precisam descobrir?
O fóssil é uma peça importante, mas não representa a resposta definitiva sobre a origem das serpentes. Os pesquisadores acreditam que esses animais provavelmente surgiram ainda no Jurássico, dezenas de milhões de anos antes de Tametara mirim, período para o qual os registros fósseis são muito mais fragmentados.
A próxima etapa envolve combinar fósseis, anatomia e dados genéticos de espécies atuais. Essa comparação poderá ajudar a reconstruir com maior precisão quando as serpentes perderam as patas, como seus sentidos foram transformados e de que maneira conquistaram ambientes tão diferentes.
Em resumo: um pequeno animal que viveu há cerca de 80 milhões de anos acaba de revelar que a história das primeiras serpentes pode ter sido muito mais complexa — e diversificada — do que os cientistas imaginavam.
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