Parece uma bolsa estranha, mas pode ser um tubarão vivo esperando nascer no litoral
Saiba por que você nunca deveria levar uma cápsula dessas para casa
Ao caminhar por praias do litoral brasileiro, algumas pessoas encontram estruturas estranhas, parecidas com pequenos saquinhos escuros e retorcidos nas pontas. Muitas vezes confundidas com lixo, essas cápsulas, chamadas popularmente de bolsa de sereia, são na verdade ootecas de tubarões e raias ovíparos, desempenhando um papel essencial na reprodução e na conservação da vida marinha.
O que é a bolsa de sereia e qual sua função?
A bolsa de sereia é uma cápsula de ovos produzida por alguns tubarões e raias que colocam ovos em vez de darem à luz filhotes vivos. Formada por uma substância queratinosa, semelhante à das unhas humanas, ela protege o embrião contra impactos moderados, variações de temperatura e pequenos predadores.
Seu formato é, em geral, alongado, de coloração marrom-escura ou preta, com bordas enroladas ou prolongamentos em forma de “ganchos”. Esses filamentos ajudam a ooteca a se fixar em algas, rochas ou estruturas do fundo marinho, evitando que seja facilmente arrastada pelas correntes.
Como ocorre o desenvolvimento dentro da bolsa de sereia?
Dentro da ooteca, o embrião se desenvolve em contato com a água do mar e nutrido pelo conteúdo do ovo, permanecendo ali por semanas ou meses, conforme a espécie e a temperatura da água. Quando está pronto, o filhote rompe a cápsula e passa a viver de forma independente no mar aberto.
O encontro dessas cápsulas nas praias pode indicar áreas de reprodução próximas à costa. Pesquisadores utilizam o registro de ootecas como forma indireta de monitorar espécies, mapear distribuição, rotas migratórias e avaliar impactos de atividades humanas, como pesca e destruição de habitats.
Confira um vídeo com imagens da bolsa:
CURIOSIDADE 🔍 Se um dia você encontrar uma coisa assim, saiba que é uma cápsula protetora de ovos de tubarão ou raia (ooteca), então pode ser que o bicho ainda esteja vivo, então é só devolver ao mar.
— O Ambientalista Liberal (@lucasnatpho) January 1, 2026
Chamamos de bolsa de sereia 🥹 pic.twitter.com/h5LzhBXPbL
O que fazer ao encontrar uma bolsa de sereia na praia?
Ao encontrar uma bolsa de sereia na areia, é importante agir com cuidado, pois o embrião pode ainda estar vivo. A orientação principal é não abrir nem perfurar a cápsula e devolvê-la ao mar, de preferência em local raso e de águas mais calmas, longe de forte arrebentação.
Se possível, recomenda-se observar se a ooteca está inteira ou rompida, registrar o achado com foto e localização aproximada e compartilhar a informação com projetos de monitoramento costeiro ou instituições de pesquisa. Assim, o público contribui para a ciência cidadã e para o acompanhamento da fauna marinha local.
Como identificar uma ooteca de tubarão ou raia?
Para diferenciar uma ooteca de restos de plantas ou lixo, alguns critérios visuais e táteis ajudam na identificação. A seguir estão características comuns que costumam estar presentes nessas cápsulas:
Tonalidade escura
Apresenta cor escura, variando entre marrom profundo e preto.
Corpo achatado
Formato predominantemente achatado, podendo ser retangular ou levemente ovalado.
Prolongamentos visíveis
Possui extremidades com “chifres”, filamentos ou prolongamentos enrolados.
Rigidez fibrosa
Superfície rígida e fibrosa, com aparência semelhante a couro fino e seco.
Por que as bolsas de sereia são importantes para a conservação marinha?
As ootecas são indicadores acessíveis da presença de tubarões e raias, grupos muitas vezes difíceis de observar diretamente por ocuparem grandes profundidades e percorrerem longas distâncias. Em um cenário de ameaça a várias espécies por pesca excessiva, perda de habitat e poluição, proteger cada fase do ciclo de vida é essencial.
Ao reconhecer uma bolsa de sereia como parte da biodiversidade e não como lixo, banhistas ajudam a preservar animais que ocupam posição importante na cadeia alimentar marinha. Pequenas atitudes, como devolver cápsulas ao mar e registrar ocorrências, somam-se a esforços de pesquisa e conservação dos ecossistemas costeiros.
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