O vulcão da Indonésia onde rios de fogo azul surgem a mais de 600 °C na escuridão da noite
Gases ricos em enxofre entram em combustão e criam fluxos luminosos que parecem lava azul descendo pelas rochas da cratera
Quando a noite cobre o leste da ilha de Java, pontos luminosos começam a surgir entre rochas amarelas e nuvens densas de gás. O brilho azul desce pela encosta como se o interior do vulcão estivesse derramando fogo elétrico, criando uma das cenas naturais mais estranhas registradas na Indonésia.
Onde fica o Kawah Ijen e por que sua cratera parece de outro planeta?
O Kawah Ijen está no extremo leste de Java e faz parte do complexo vulcânico de Ijen, formado dentro de uma caldeira com aproximadamente 20 quilômetros de largura. A cratera ativa fica a cerca de 2.386 metros de altitude e reúne fumarolas, depósitos de enxofre e paredões marcados pela ação contínua de gases quentes.
No centro dessa paisagem existe um lago turquesa com quase um quilômetro de largura e profundidade máxima próxima de 200 metros. Sua água contém uma concentração extrema de compostos ácidos e minerais, resultado da interação entre gases vulcânicos, água subterrânea e o sistema hidrotermal escondido sob a cratera.
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O fogo azul é realmente lava expelida pelo vulcão?
Apesar da aparência, o material azul não é lava com uma composição especial. O fenômeno começa quando gases ricos em enxofre escapam por fraturas sob forte pressão, entram em contato com o oxigênio e pegam fogo. Parte do enxofre também se condensa em estado líquido e continua queimando enquanto escorre pelas rochas, produzindo os famosos “rios” luminosos.
- Gases quentes sobem pelas fissuras da cratera
- O contato com o ar permite a combustão
- As chamas assumem tonalidade azul intensa
- Parte do enxofre derrete e escorre pela encosta
- A escuridão transforma os fluxos em rios brilhantes
O vídeo “The Volcano That Burns Blue”, publicado pelo canal BBC Earth Science, entra na cratera do Kawah Ijen e mostra as chamas surgindo entre as fumarolas, o lago ácido e a atividade dos trabalhadores que recolhem enxofre. As imagens complementam a explicação ao revelar que o brilho acompanha pontos específicos de emissão de gases, e não uma erupção comum de lava azul.
Como gases acima de 600 °C criam chamas elétricas?
Medições e estudos realizados na região indicam que os gases podem alcançar temperaturas próximas ou superiores a 600 °C ao deixar as fraturas. Nessas condições, compostos de enxofre encontram oxigênio suficiente para entrar em combustão, formando chamas que podem aparecer diretamente sobre as aberturas ou acompanhar o material líquido que desce pela superfície.
A cor azul vem da luz emitida durante a queima do enxofre e fica especialmente intensa contra o fundo escuro da cratera. Em alguns pontos, as chamas podem subir vários metros; em outros, permanecem baixas e alongadas, cobrindo o terreno como uma faixa luminosa que se movimenta entre fumaça e rochas amarelas.
O que existe ao redor do fogo azul na cratera?
A região reúne diferentes manifestações do mesmo sistema vulcânico. O Programa Global de Vulcanismo do Smithsonian descreve o Kawah Ijen como a abertura historicamente ativa do complexo, com lago ácido, atividade fumarólica e grandes depósitos de enxofre nas proximidades da água.
| Sinal na cratera | O que está acontecendo |
|---|---|
| Chamas azuis | Combustão de gases ricos em enxofre |
| Fluxos brilhantes | Enxofre líquido queimando sobre a rocha |
| Lago turquesa | Água extremamente ácida e mineralizada |
| Rochas amarelas | Enxofre resfriado e solidificado |
| Nuvens brancas | Vapor misturado a gases vulcânicos |
Tubulações instaladas perto das fumarolas conduzem o vapor de enxofre até pontos onde ele esfria e endurece. Trabalhadores quebram o material solidificado e o transportam para fora da cratera, convivendo com encostas íngremes e concentrações perigosas de gases irritantes durante uma atividade conhecida por suas condições severas.
Por que o fogo azul desaparece quando o dia clareia?
A combustão não necessariamente termina com o nascer do sol. O que desaparece é o contraste necessário para que a chama azul seja vista com facilidade. Durante o dia, a luz solar domina a paisagem e torna o brilho muito menos perceptível, enquanto à noite qualquer chama se destaca intensamente contra as rochas escuras.
A intensidade também não permanece igual todas as noites. O volume de gás, a temperatura, o vento e a posição das fissuras influenciam o tamanho e a distribuição das chamas. Por isso, fotografias podem mostrar desde pequenos focos isolados até grandes faixas azuis descendo pela cratera como correntes luminosas.

Quais perigos cercam esse espetáculo natural?
A mesma química que cria as chamas produz um ambiente hostil. O dióxido de enxofre pode irritar olhos e vias respiratórias, enquanto mudanças no vento conseguem empurrar nuvens concentradas de gás pela cratera. O lago ácido, o terreno irregular e a possibilidade de atividade freática acrescentam outros riscos ao local.
O Kawah Ijen não é apenas um cenário luminoso, mas um vulcão historicamente ativo monitorado por autoridades geológicas. Seu espetáculo nasce da combinação entre calor subterrâneo, enxofre, oxigênio e escuridão — quatro elementos capazes de transformar uma cratera perigosa em uma paisagem que parece pertencer a outro planeta.
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