O túnel ultraprofundo de 57 km que levou exatamente 17 anos para ser cavado por um motivo que a engenharia escondeu de você
A passagem ferroviária enfrentou rochas que se deformavam, infiltrações sob pressão e temperaturas próximas de 50 graus no coração dos Alpes.
O Túnel de Base de Gotardo atravessa o coração dos Alpes Suíços sob até 2,3 quilômetros de rocha, onde temperaturas elevadas, água sob pressão e terrenos instáveis ameaçaram interromper a escavação. A obra levou 17 anos porque os engenheiros precisaram enfrentar perigos que não podiam ser completamente observados antes de abrir a montanha.
Por que o Túnel de Base de Gotardo levou 17 anos para ficar pronto?
A construção oficial começou em novembro de 1999, enquanto a inauguração ocorreu em junho de 2016. Durante esse período, milhares de profissionais abriram dois tubos ferroviários paralelos, passagens de ligação, poços de acesso e áreas técnicas. Somados, esses espaços subterrâneos alcançam cerca de 152 quilômetros.
O prazo não resultou de um único problema secreto. A obra atravessou dezenas de formações geológicas, exigiu escavações iniciadas em diferentes pontos e precisou manter um alinhamento extremamente preciso. Além disso, as equipes instalaram trilhos, energia, sinalização, ventilação e sistemas de segurança antes de liberar a circulação comercial.
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Quais foram os 4 maiores perigos encontrados dentro da montanha?
Os estudos geológicos reduziram as incertezas, mas não eliminaram todas as surpresas. Quanto mais os equipamentos avançavam, mais a montanha revelava diferenças na dureza, na temperatura e no comportamento das rochas.
- Rochas deformadas pela enorme pressão
- Água infiltrada por fraturas subterrâneas
- Temperaturas próximas de 50 graus
- Camadas instáveis e difíceis de sustentar
O vídeo “The Gotthard Base Tunnel in Switzerland”, publicado pela DW News, apresenta a dimensão da passagem ferroviária e os efeitos de sua construção para a Suíça. As imagens mostram áreas internas, trabalhadores e estruturas do projeto, enquanto a reportagem explica por que atravessar os Alpes em uma rota praticamente plana representou um avanço para o transporte de passageiros e cargas na Europa.
Como o Túnel de Base de Gotardo atravessou rochas que tentavam fechar a passagem?
Em determinadas regiões, a pressão exercida pelo enorme volume de montanha fazia a rocha avançar lentamente para dentro do espaço recém-aberto. Os especialistas chamam esse comportamento de rocha convergente ou “espremida”. Se os trabalhadores aplicassem um revestimento rígido cedo demais, a pressão poderia deformá-lo ou quebrá-lo.
Por isso, as equipes instalaram arcos de aço e sistemas capazes de absorver parte da movimentação antes da aplicação definitiva do concreto. Na área multifuncional de Faido, uma mudança geológica inesperada provocou deformações maiores do que as previstas, mesmo depois de trechos semelhantes terem sido atravessados sem o mesmo problema.
Por que a água subterrânea representava um risco tão grande?
Fraturas escondidas nas rochas podiam conduzir água até a frente de escavação. Como parte do túnel fica sob uma coluna de montanha superior a dois quilômetros, a água poderia aparecer sob pressão elevada. Uma entrada descontrolada ameaçaria equipamentos, trabalhadores e a estabilidade do terreno ao redor.
Os engenheiros fizeram perfurações exploratórias à frente das máquinas para procurar zonas fraturadas antes de alcançá-las. Além disso, instalaram sistemas de drenagem e mantas de vedação entre camadas de concreto. Em alguns pontos, o revestimento externo chegou a dezenas de centímetros de espessura para resistir à pressão e impedir infiltrações perigosas.
| Desafio | Perigo provocado | Resposta da engenharia |
|---|---|---|
| Rocha convergente | Fechamento gradual da abertura | Arcos metálicos e suporte deformável |
| Água sob pressão | Inundação e perda de estabilidade | Sondagens, drenagem e vedação |
| Calor geológico | Ambiente impróprio para o trabalho | Ventilação e resfriamento contínuos |
| Erro de direção | Frentes de escavação desencontradas | Medições geodésicas de alta precisão |
Como o Túnel de Base de Gotardo suportou o calor ultraprofundo?
A temperatura aumentava conforme a escavação avançava para regiões mais profundas. Sem ventilação e resfriamento, as paredes poderiam chegar perto de 46 °C a 50 °C em alguns setores. Esse calor não vinha de motores ou explosivos, mas da energia térmica natural acumulada no interior do maciço rochoso.
As equipes instalaram um poderoso sistema de ventilação para renovar o ar, retirar poeira e controlar a temperatura. Os poços de acesso também permitiram enviar trabalhadores, máquinas e materiais para o interior dos Alpes. Dessa maneira, várias frentes puderam escavar simultaneamente, encurtando um processo que demoraria muito mais se começasse apenas pelos dois portais.

Como as escavações feitas em lados diferentes conseguiram se encontrar?
Os trabalhadores não abriram uma passagem contínua de uma ponta até a outra. Eles dividiram o projeto em setores e começaram a perfuração a partir dos portais e de acessos intermediários. Quatro grandes tuneladoras trabalharam em boa parte do trajeto, enquanto áreas geologicamente mais complexas exigiram perfuração e detonações controladas.
Para evitar um desencontro, especialistas acompanharam a direção com medições geodésicas, sistemas de posicionamento e referências instaladas dentro da montanha. Quando ocorreu a principal ruptura do tubo leste, em outubro de 2010, o desvio registrado ficou na escala de poucos centímetros, mesmo depois de quilômetros de escavação independente.
Por que os engenheiros construíram dois túneis em vez de uma passagem enorme?
Cada tubo recebe uma linha ferroviária e conduz os trens em uma direção. Passagens transversais ligam os dois corredores em intervalos regulares, permitindo que pessoas alcancem uma área protegida em uma emergência. As estações multifuncionais de Faido e Sedrun também ajudam a organizar evacuações e operações técnicas.
A separação reduz o risco de colisões frontais e facilita o isolamento de um setor quando ocorre algum problema. O projeto oficial do Túnel de Base de Gotardo também criou uma rota ferroviária baixa e quase plana, permitindo que trens de carga atravessem os Alpes com menos esforço do que na antiga linha montanhosa.
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