O tubarão de apenas 56 cm que deixa marcas redondas em baleias e golfinhos e já danificou equipamentos de submarinos da Marinha dos EUA
Com uma boca semelhante a uma ventosa e dentes inferiores em forma de lâmina, o pequeno predador consegue retirar alimento de animais muito maiores
Ele possui o corpo estreito de um peixe pequeno e vive boa parte do tempo longe da superfície. Mesmo assim, suas marcas já foram encontradas em alguns dos maiores animais do oceano e até em equipamentos militares.
Em vez de derrubar a presa, esse tubarão se aproxima rapidamente, retira uma pequena porção de alimento e desaparece na escuridão.
Como o tubarão-charuto consegue atacar animais dezenas de vezes maiores?
O Isistius brasiliensis recebe o nome popular de tubarão-charuto por causa do corpo alongado e marrom, semelhante ao formato de um charuto. A espécie normalmente é descrita com cerca de 40 a 50 centímetros, embora exemplares possam chegar a aproximadamente 56 centímetros de comprimento total. Apesar do tamanho reduzido, ela se alimenta de lulas e também retira porções de tecido de peixes, outros tubarões, focas, golfinhos e baleias.
Essa estratégia permite que o predador obtenha alimento sem precisar perseguir ou dominar completamente um animal muito maior. O tubarão aproxima-se, prende a boca à superfície do alvo, realiza o corte e se afasta. Muitos animais sobrevivem ao encontro, carregando uma marca circular que pode permanecer visível durante meses ou até mais tempo.
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O que acontece quando o tubarão-charuto prende a boca na presa?
A boca possui lábios espessos que ajudam a criar sucção, enquanto os dentes superiores, mais finos, auxiliam na fixação. Na mandíbula inferior, os dentes são maiores, largos e organizados como uma única lâmina cortante. A combinação permite produzir uma marca arredondada bastante característica.
- Aproximação: O tubarão alcança o animal durante um ataque rápido
- Fixação: Os lábios formam uma vedação contra a superfície
- Apoio: Os dentes superiores ajudam a manter a posição
- Corte: A fileira inferior penetra e delimita a porção retirada
- Saída: O tubarão solta a presa e se afasta com o alimento
O vídeo “The Cookiecutter Shark | Sharks of Bermuda Triangle”, publicado pelo canal National Geographic, apresenta esse pequeno predador das águas profundas e explica como sua boca especializada produz as marcas que deram origem ao nome em inglês cookiecutter shark. As imagens e animações ajudam a visualizar o mecanismo de sucção, o formato dos dentes e a enorme diferença de tamanho entre o tubarão e os animais que ele consegue atacar.
Por que a mordida deixa uma marca quase perfeitamente redonda?
Depois de criar a sucção, o tubarão movimenta o corpo enquanto mantém a boca presa. Os dentes inferiores agem como uma borda cortante e delimitam um disco oval ou circular. Simulações realizadas com modelos tridimensionais das mandíbulas reforçaram que a rotação corporal ajuda a produzir marcas mais simétricas.
A anatomia também explica por que as marcas são tão diferentes das mordidas deixadas pela maioria dos tubarões. Em vez de duas arcadas produzindo um desenho aberto, a boca trabalha como uma ventosa cercada por estruturas especializadas. O Smithsonian Ocean descreve o processo como uma combinação de sucção, fixação e rotação para remover a porção arredondada.
Quais números mostram o contraste entre o tamanho e a estratégia?
O comprimento máximo registrado é de cerca de 56 centímetros, mas as presas identificadas incluem cetáceos que podem alcançar várias toneladas. Um levantamento no Golfo do México analisou 19 espécies de cetáceos e encontrou sinais atribuídos a tubarões-charuto em 12 delas, incluindo diferentes golfinhos, cachalotes-anões e baleias-fin.
Embora seja capaz de marcar animais enormes, o tubarão-charuto não é considerado um perseguidor habitual de pessoas. O International Shark Attack File registrava quatro casos confirmados de mordidas não provocadas, todos no Havaí. O encontro é raro porque o animal passa o dia em águas profundas e costuma aproximar-se da superfície durante a noite.
Como o tubarão-charuto acabou danificando equipamentos de submarinos?
A história não envolve dentes atravessando o casco metálico de um submarino. Durante a década de 1970, marcas circulares apareceram em revestimentos macios de neoprene instalados sobre domos de sonar da Marinha dos Estados Unidos. Um relatório técnico publicado em 1978 atribuiu os danos ao tubarão-charuto e informou que, em um dos casos, aproximadamente 8% da área do domo havia sido afetada, aumentando o ruído do sonar.
Os dentes atacavam materiais externos relativamente macios, como borracha, cabos revestidos e proteções de sensores, não as chapas estruturais do veículo. A ocorrência tornou-se tão conhecida que o Florida Museum cita os danos em submarinos entre as interações da espécie com atividades humanas. O episódio mostra como um peixe de meio metro conseguiu causar problemas a máquinas construídas para operar nas profundezas.

Por que esse pequeno predador sobe do oceano profundo durante a noite?
Durante o dia, exemplares podem permanecer abaixo de mil metros, embora a espécie tenha registros desde a superfície até aproximadamente 3.500 metros. À noite, ela realiza uma migração vertical e sobe para camadas mais rasas, onde encontra lulas, peixes, tubarões e mamíferos marinhos que atravessam o oceano aberto.
A parte inferior do corpo é coberta por pequenos órgãos luminosos chamados fotóforos, que produzem um brilho esverdeado. Essa luz pode reduzir a silhueta do animal quando observada de baixo, misturando-o à luminosidade vinda da superfície. Pesquisadores também investigam se a faixa escura próxima à garganta participa de uma estratégia de atração, criando a aparência de uma presa menor antes do ataque.
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