O supercarro elétrico de quase £1 milhão equipado com ventiladores que “grudam” o chassi no asfalto
Hipercarro britânico usa ventiladores de 23 mil rpm para produzir até duas toneladas de downforce mesmo completamente parado
Pequeno, elétrico e construído apenas para pista, o McMurtry Spéirling parece um protótipo de ficção científica. Seu diferencial está escondido sob o chassi: dois ventiladores de altíssima rotação retiram ar da região inferior e criam uma enorme diferença de pressão, permitindo produzir até duas toneladas de força descendente mesmo quando o carro está completamente parado.
Como o McMurtry Spéirling consegue produzir downforce mesmo parado?
Carros de corrida convencionais dependem do movimento para gerar grande parte da força aerodinâmica. Asas e difusores precisam de ar passando rapidamente pelo veículo. No McMurtry, os ventiladores assumem parte desse trabalho e reduzem artificialmente a pressão debaixo do carro.
O efeito não é literalmente um “vácuo”, mas uma diferença de pressão suficientemente grande para aumentar brutalmente a força que empurra os pneus contra o asfalto. A versão de produção Spéirling PURE pode gerar até 2.000 kg de downforce desde 0 km/h.
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Por que o McMurtry Spéirling usa dois ventiladores de 23 mil rpm?
A versão definitiva do sistema Downforce-on-Demand utiliza ventiladores capazes de atingir aproximadamente 23.000 rpm. Eles trabalham com vedações próximas ao solo para retirar ar da região inferior e manter baixa pressão mesmo em velocidades nas quais asas convencionais ainda produziriam pouco efeito.
Os principais elementos desse sistema são.
- Dois ventiladores elétricos de alta rotação.
- Vedação próxima ao asfalto.
- Fundo desenvolvido para controlar o fluxo de ar.
- Downforce disponível desde o carro parado.
- Controle independente da velocidade do veículo.
O vídeo oficial da McMurtry Automotive explica justamente a física por trás do sistema de ventiladores do Spéirling, mostrando como o carro consegue gerar aderência extraordinária sem depender exclusivamente da aerodinâmica tradicional.
O McMurtry Spéirling realmente acelera de 0 a 100 km/h em menos de 1,5 segundo?
Aqui existe uma diferença importante entre versões e medições. O protótipo demonstrou acelerações extraordinárias e chegou a registrar 0 a 60 mph, aproximadamente 96,6 km/h, em cerca de 1,55 segundo em testes independentes. A atual versão de produção também anuncia 0 a 60 mph em 1,55 segundo.
Portanto, afirmar categoricamente “0 a 100 km/h abaixo de 1,5 segundo” não corresponde à especificação oficial atual. O número continua impressionante: além dos cerca de 1.000 hp enviados às rodas traseiras, a força vertical produzida pelos ventiladores aumenta a aderência disponível para transmitir essa potência ao chão.
O carro realmente usa um “ventilador de avião” debaixo do chassi?
Não. A comparação transmite a intensidade do sistema, mas os componentes não são turbinas aeronáuticas. São ventiladores elétricos especificamente desenvolvidos para controlar a pressão sob o veículo e fazem parte de uma solução aerodinâmica integrada ao chassi.
| Característica | Spéirling PURE | Efeito |
|---|---|---|
| Ventiladores | Até 23.000 rpm | Extraem ar sob o carro |
| Downforce | Até 2.000 kg | Funciona desde 0 km/h |
| Potência | Cerca de 1.000 hp | Movimenta as rodas traseiras |
| Aceleração | 0–60 mph em 1,55 s | Tração extrema |
A ideia também não nasceu agora. Sistemas de “fan car” já apareceram em carros como o Chaparral 2J e o famoso Brabham BT46B da Fórmula 1. O Spéirling leva esse princípio para uma arquitetura elétrica moderna, com controle muito mais sofisticado.
Como o McMurtry Spéirling conseguiu andar de cabeça para baixo?
Em abril de 2025, a própria fabricante realizou uma demonstração na qual o Spéirling permaneceu preso a uma plataforma invertida graças ao sistema de downforce e chegou a se deslocar nessa posição. A façanha é possível porque a força produzida pelos ventiladores pode superar o peso do automóvel.
Isso não significa que o carro possa simplesmente entrar em um túnel e dirigir livremente pelo teto. A demonstração ocorreu em condições controladas e serviu principalmente para provar, de maneira visual, a magnitude da força descendente disponível mesmo sem velocidade aerodinâmica.

Quanto custa e para quem foi criado esse hipercarro elétrico?
A versão de produção apresentada em 2026 parte de £995 mil antes de impostos e opcionais, portanto o valor de R$ 15 milhões não deve ser tratado como preço-base oficial. A fabricante planeja produção extremamente limitada e direcionada ao uso em pistas, não ao trânsito cotidiano.
Segundo a McMurtry Automotive, o PURE definitivo combina bateria de 100 kWh, cerca de 1.000 hp, velocidade máxima próxima de 190 mph e capacidade de atingir aproximadamente 3 g em curvas. O verdadeiro espetáculo não está apenas na potência elétrica, mas em criar aderência antes mesmo de o carro começar a andar.
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