O super projeto brasileiro de R$ 6,8 bilhões colocará o primeiro túnel imerso da América Latina no fundo do canal entre Santos e Guarujá
O projeto terá 1,5 km, com 870 metros imersos, e entrou em 2026 na fase de preparação para o início das obras
Poucas centenas de metros de água separam Santos e Guarujá, mas atravessar de uma margem à outra ainda depende de balsas ou de um grande desvio rodoviário. Um projeto de R$ 6,8 bilhões pretende mudar essa ligação com enormes módulos de concreto instalados no fundo do canal do maior porto brasileiro.
Como um túnel inteiro será colocado no fundo do canal?
O Túnel Santos–Guarujá usará a técnica de túnel imerso. Em vez de uma máquina perfurar todo o caminho por baixo do solo, grandes módulos estruturais serão fabricados separadamente, fechados temporariamente e transportados pela água.
Depois, uma trincheira será preparada no leito do canal. Cada módulo será afundado de forma controlada, posicionado e conectado ao anterior até formar uma passagem contínua entre as duas margens.

Qual será o tamanho do primeiro túnel imerso da América Latina?
O empreendimento terá aproximadamente 1,5 km de extensão total, dos quais cerca de 870 metros ficarão no trecho imerso. O restante corresponde às aproximações e estruturas que ligam o túnel à malha urbana de Santos e Guarujá.
O Programa de Parcerias de Investimentos de São Paulo informa investimento estimado de R$ 6,8 bilhões e prazo contratual de 30 anos.
Por que o projeto usa módulos de concreto em vez de um tatuzão?
A técnica imersa permite atravessar um canal portuário movimentado sem exigir que todo o túnel seja escavado profundamente por baixo do leito. Os módulos são produzidos em uma área preparada para isso e depois levados ao ponto de instalação.
O processo exige dragagem, controle de flutuação, posicionamento milimétrico e vedação entre as estruturas. Depois da conexão, o conjunto recebe proteção e o canal é recomposto acima da estrutura.
- Fabricação: módulos de concreto são construídos em área seca.
- Transporte: as peças são levadas flutuando até o canal.
- Imersão: cada módulo desce até a trincheira preparada no fundo.
- Conexão: os módulos são unidos e vedados para formar o túnel.
Quanto tempo a nova travessia pode economizar?
O projeto foi desenhado para reduzir uma travessia que pode levar perto de 50 minutos para cerca de cinco minutos, dependendo do trajeto usado atualmente. Mais de 28 mil pessoas cruzam diariamente as duas margens usando balsas e embarcações menores, segundo o Governo de São Paulo.
A ligação também foi planejada para receber veículos, transporte público, bicicletas e pedestres, além de manter espaço compatível com o sistema de VLT.
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Em que fase está o Túnel Santos–Guarujá em 2026?
O túnel ainda não está sendo instalado no canal. O leilão ocorreu em setembro de 2025, a Mota-Engil assumiu o contrato e 2026 foi reservado para detalhamento dos projetos, estudos complementares e preparação do empreendimento.
O cronograma oficial coloca a mobilização dos canteiros, a construção da doca seca e as dragagens iniciais em 2027. É depois dessa preparação que os enormes módulos de concreto começarão a transformar o projeto desenhado em terra em uma passagem instalada sob o canal.
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