O submarino nuclear de US$ 2,7 bilhões que trocou um joystick de US$ 38 mil por um controle de Xbox para operar câmeras no lugar do periscópio
O controle comercial não pilota a embarcação, mas movimenta os mastros fotônicos que enviam imagens digitais para as telas da sala de comando
Dentro da sala de comando de um dos submarinos nucleares mais avançados dos Estados Unidos, um objeto familiar contrasta com telas, sensores e sistemas avaliados em milhões de dólares. O controle semelhante ao usado em videogames não conduz o submarino, mas movimenta as câmeras digitais que substituíram o antigo periscópio mecânico.
Por que o submarino classe Virginia abandonou o periscópio tradicional?
Nos submarinos antigos, o periscópio era formado por um longo tubo óptico que atravessava o casco resistente à pressão e precisava ficar alinhado com a sala de comando. Quando o equipamento era elevado, apenas uma pessoa por vez observava diretamente pela ocular, enquanto os demais tripulantes dependiam das informações transmitidas por ela.
Na classe Virginia, o tubo foi substituído por dois mastros fotônicos equipados com câmeras digitais de alta resolução, sensores de visão infravermelha e recursos para operar com pouca luz. As imagens são enviadas eletronicamente para monitores, permitindo que vários marinheiros analisem a mesma cena ao mesmo tempo. A mudança também possibilitou deslocar a sala de comando para um espaço mais amplo, um andar abaixo e distante da curvatura do casco.
Como o submarino classe Virginia passou a usar um controle de Xbox?
Os primeiros mastros fotônicos eram movimentados por um conjunto formado por uma empunhadura semelhante ao controle de um helicóptero e um painel especializado de imagens. O sistema funcionava, mas marinheiros o consideravam pesado, pouco intuitivo e difícil de substituir. O conjunto custava cerca de US$ 38 mil, enquanto um controle comercial de Xbox 360 era vendido na época por menos de US$ 30.
- Sistema substituído: Empunhadura e painel de controle fotônico
- Custo relatado do equipamento antigo: Cerca de US$ 38 mil
- Solução escolhida: Controle comercial do Xbox 360
- Primeiro submarino com a integração: USS Colorado
- Função do controle: Movimentar os mastros e orientar as câmeras
- Principal vantagem: Operação mais familiar para os marinheiros
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O vídeo “Inside a Nuclear SUBMARINE! | USS Indiana Tour”, publicado pelo canal SmarterEveryDay, apresenta o interior do USS Indiana, integrante da classe Virginia. A visita mostra a sala de comando, as telas utilizadas pela tripulação e a estação associada aos mastros fotônicos, ajudando a entender como as imagens externas chegam ao centro de controle sem a presença de um periscópio óptico tradicional.
O controle de Xbox realmente movimenta o submarino?
Apesar da forma como a história costuma ser resumida, o controle não serve para pilotar o submarino, controlar o reator nuclear ou comandar todos os sistemas da embarcação. Sua função é muito mais específica: enviar comandos ao sistema de imagens para girar, elevar e direcionar os mastros fotônicos instalados na parte superior do casco.
Uma fotografia divulgada oficialmente pelo Departamento de Defesa mostra um oficial usando o controle para movimentar o mastro fotônico do USS Colorado em março de 2018. A Marinha dos Estados Unidos também confirmou que as câmeras visíveis e infravermelhas instaladas nos braços telescópicos eram operadas por um controle de Xbox.
Quais números mostram o contraste entre o submarino e o controle?
O USS Colorado foi incorporado à frota em 2018 como o 15º submarino da classe Virginia. A embarcação mede aproximadamente 115 metros, desloca cerca de 7.800 toneladas quando submersa e custou perto de US$ 2,7 bilhões. Ao lado dessas dimensões, o controle comercial parece um componente simples demais para estar dentro de uma máquina nuclear.
A economia não pode ser calculada apenas subtraindo o preço de um controle do valor do painel anterior, pois a integração exige software, testes, adaptações e certificações. Ainda assim, a troca reduziu o custo do componente físico, facilitou a obtenção de unidades de reposição e aproveitou uma interface que muitos marinheiros já conheciam antes de entrar na embarcação.
Por que o submarino classe Virginia custa bilhões mesmo usando peças comerciais?
O controle representa somente uma pequena interface dentro de um projeto muito maior. O custo de um submarino nuclear inclui o casco resistente à pressão, o reator, os sistemas de propulsão silenciosa, os sensores, a construção modular, os testes e milhares de componentes desenvolvidos para funcionar durante décadas em um ambiente extremamente exigente.
A utilização de peças comerciais faz parte de uma estratégia de arquitetura aberta, na qual determinados equipamentos podem ser atualizados sem reconstruir toda a embarcação. A Marinha afirma que essa característica permite introduzir novos sistemas e componentes ao longo da vida operacional da classe, evitando que tecnologias eletrônicas permaneçam congeladas no momento em que o submarino foi construído.

O que essa troca revela sobre o uso de tecnologia de videogame?
Controles de videogame foram aperfeiçoados durante décadas para oferecer ergonomia, precisão e comandos fáceis de memorizar. Quando os engenheiros perceberam que os marinheiros se adaptavam mais rapidamente a esse formato, a escolha de um componente comercial deixou de parecer uma simplificação e passou a representar uma solução prática para uma tarefa digital específica.
O caso do USS Colorado também mostra por que o controle não deve ser confundido com o sistema completo. Ele funciona como a interface colocada nas mãos do operador, enquanto computadores, sensores, cabos, programas e mecanismos instalados no mastro executam o trabalho mais complexo. Em uma embarcação de bilhões de dólares, a peça mais eficiente para uma determinada função acabou sendo aquela que muitos tripulantes já haviam usado diante de uma televisão.
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