O poço de Oak Island que inunda com água do mar, frustra escavações há mais de 230 anos e ainda pode esconder um tesouro na costa do Canadá
A suposta rede de túneis hidráulicos nunca foi comprovada, mas a água salgada e os achados subterrâneos mantêm viva a busca iniciada em 1795
Em uma pequena ilha da Nova Escócia, sucessivas equipes perfuraram o solo, instalaram bombas e abriram novos túneis tentando alcançar uma suposta câmara subterrânea. Quanto mais os exploradores se aproximavam do fundo, mais a água invadia o local e destruía o trabalho realizado.
Como nasceu a lenda do tesouro de Oak Island em 1795?
A narrativa tradicional começa em 1795, quando Daniel McGinnis teria observado uma depressão incomum no solo de Oak Island, localizada na baía de Mahone, na costa atlântica do Canadá. Ao lado de outros jovens, ele teria iniciado uma escavação e encontrado sinais que pareciam indicar que o buraco havia sido preenchido deliberadamente.
Os relatos posteriores falam em pedras, camadas de terra e plataformas de madeira encontradas em diferentes profundidades. No entanto, os primeiros textos conhecidos sobre o episódio foram publicados décadas depois, principalmente a partir da década de 1860. Isso significa que detalhes famosos da descoberta não possuem documentação produzida em 1795 e devem ser tratados como parte de uma tradição reconstruída por antigos caçadores de tesouros.
Leia também: O cofre escavado a mais de 100 metros no Ártico que guarda 1,4 milhão de amostras para salvar plantações
Por que o Poço do Dinheiro começou a encher com água do mar?
Segundo as versões mais difundidas, uma equipe formada no início do século XIX aprofundou a escavação até perto de 27 metros. Nesse ponto, os trabalhadores teriam encontrado uma pedra marcada e uma nova plataforma. Quando voltaram ao local, porém, descobriram que o poço estava tomado por água, e as bombas disponíveis não conseguiram reduzir o nível por muito tempo.
- Profundidade associada à inundação: Aproximadamente 27 metros
- Origem aparente da água: Mar ou lençol subterrâneo conectado à maré
- Primeira reação dos exploradores: Instalação de bombas
- Estratégia seguinte: Abertura de poços e túneis paralelos
- Resultado recorrente: Novas escavações também inundadas
O vídeo “Money Pit Mayhem”, publicado pelo canal HISTORY, reúne alguns dos principais desafios enfrentados nas escavações modernas de Oak Island. O material mostra perfurações, retirada de sedimentos e contratempos provocados pela instabilidade do terreno, ajudando a visualizar por que alcançar uma estrutura subterrânea naquele ponto continua sendo uma operação tão complexa.
O Poço do Dinheiro realmente possui túneis hidráulicos construídos como armadilha?
A teoria mais famosa afirma que cinco canais localizados em Smith’s Cove captavam água do mar e a conduziam até o poço por um túnel inclinado. Fibras de coco encontradas na praia foram interpretadas como parte de um sistema filtrante, capaz de impedir que areia e pedras bloqueassem a passagem. A água salgada observada nas escavações fortaleceu a hipótese de uma armadilha criada para proteger o que estivesse no fundo.
Apesar de sua popularidade, nenhum túnel artificial completo foi rastreado de forma conclusiva entre a enseada e o poço. Relatos de um levantamento realizado com participação da Woods Hole Oceanographic Institution em 1995 apontaram que a inundação também poderia ser explicada pela pressão das marés, pela lente subterrânea de água doce e por cavidades naturais. A presença de gipsita e anidrita, rochas solúveis capazes de formar espaços subterrâneos, torna essa alternativa geológica plausível.
Quais pistas mantiveram a busca ativa durante mais de 230 anos?
Madeira retirada de grandes profundidades, fibras vegetais, fragmentos metálicos, moedas e um pequeno pedaço que teria aparência de pergaminho foram apresentados ao longo do tempo como indícios de atividade humana subterrânea. O problema é que parte desses achados foi perdida, registrada de maneira incompleta ou recuperada em áreas modificadas por centenas de perfurações e escavações anteriores.
Uma descoberta arqueológica confiável depende não apenas do objeto, mas da posição exata, da camada geológica e da relação com os materiais ao redor. Por isso, a legislação provincial exige autorização para a caça ao tesouro e determina que objetos de interesse histórico sejam comunicados às autoridades. A Assembleia Legislativa da Nova Escócia mantém regras específicas para achados realizados em Oak Island.
Quem poderia ter escondido um cofre nas profundezas de Oak Island?
Piratas como William Kidd aparecem entre os primeiros candidatos sugeridos, mas as teorias cresceram muito além de um carregamento de moedas. Ao longo das décadas, foram mencionados tesouros militares, joias ligadas à monarquia francesa, documentos religiosos, objetos dos Cavaleiros Templários e até manuscritos que mudariam a história da literatura inglesa. Nenhuma dessas hipóteses foi comprovada.
O grande obstáculo é estabelecer uma ligação direta entre determinado grupo histórico e uma construção subterrânea na ilha. Objetos antigos encontrados no local podem ter sido deixados por agricultores, navegadores, militares, pescadores ou pelas próprias companhias de escavação. Depois de mais de dois séculos de movimentação do terreno, diferenciar uma pista original de resíduos produzidos pelas buscas tornou-se uma tarefa especialmente difícil.

Por que o Poço do Dinheiro permanece sem uma resposta definitiva?
A área original foi tão alterada que até a localização exata do primeiro poço se tornou objeto de discussão. Túneis desabaram, estruturas de madeira foram deslocadas, máquinas abriram grandes crateras e dezenas de perfurações atravessaram o terreno. Atualmente, a província apresenta Oak Island como cenário de uma busca que já ultrapassou 230 anos, mas nenhum grande cofre foi recuperado de maneira verificável.
O mistério sobrevive porque existem elementos reais — água subterrânea, madeiras enterradas, objetos antigos e sinais de diferentes ocupações — misturados a relatos tardios e interpretações conflitantes. A suposta armadilha hidráulica pode ter sido uma obra sofisticada, uma combinação de canais humanos com formações naturais ou apenas uma explicação criada para um terreno costeiro que sempre foi difícil de escavar. Enquanto essa diferença não for resolvida, a água continuará sendo tanto o maior obstáculo quanto a parte mais intrigante da história.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)