O ônibus bizarro que sai do asfalto, entra direto no rio e continua levando passageiros sem afundar
O veículo usa rodas nas ruas e um sistema náutico escondido para seguir viagem sobre a água sem retirar ninguém de dentro
Um veículo com formato de ônibus avança por uma rua comum, transporta passageiros pelo asfalto e, poucos minutos depois, mergulha diretamente em um rio. As rodas deixam de impulsioná-lo, mas a viagem continua sobre a água. O segredo está em uma estrutura que reúne sistemas rodoviários e náuticos no mesmo veículo, sem transformar literalmente o ônibus em outra máquina durante o trajeto.
Por que o ônibus anfíbio consegue circular em ambientes tão diferentes?
O ônibus anfíbio é construído para funcionar tanto como veículo terrestre quanto como embarcação. Em ruas e rodovias, ele utiliza motor, transmissão, direção, freios, suspensão, pneus e outros equipamentos semelhantes aos encontrados em um ônibus convencional. Quando entra na água, porém, outro sistema de propulsão passa a movimentá-lo.
A proposta não é substituir pontes, balsas ou linhas regulares de transporte em qualquer cidade. Esses veículos são usados principalmente em passeios turísticos, demonstrações e rotas especiais. Eles permitem que os passageiros conheçam uma região por dois ângulos diferentes sem precisar desembarcar para trocar um ônibus por um barco.
Como o ônibus anfíbio entra na água sem afundar?
O veículo não se transforma fisicamente em barco quando chega ao rio. Ele já possui, desde a fabricação, um casco estanque capaz de deslocar água e gerar flutuação. Ao entrar por uma rampa apropriada, o peso deixa de ser sustentado principalmente pelos pneus e passa a ser suportado pelo empuxo da água sobre o casco.
Os principais componentes envolvidos nessa mudança são:
- Casco vedado projetado para impedir a entrada de água
- Rodas e suspensão utilizadas durante o percurso terrestre
- Hélices ou jatos de água responsáveis pela propulsão aquática
- Leme ou sistema direcionável para controlar a trajetória
- Bombas capazes de retirar pequenas infiltrações
- Coletes salva-vidas e equipamentos náuticos de emergência
Para complementar o tema, o canal HL apresenta o vídeo “Water bus Rotterdam”. O material mostra um veículo da Splashtours circulando pelas ruas de Roterdã e entrando no rio para continuar o passeio como embarcação:
Na água, as rodas normalmente permanecem instaladas, mas deixam de ser o principal meio de propulsão. Hélices traseiras, jatos direcionáveis ou sistemas semelhantes empurram a água para trás e conduzem o veículo para a frente. O motorista também precisa acompanhar instrumentos náuticos e obedecer às regras de navegação aplicáveis ao trecho.
Leia também: O ritual bizarro do peixe das profundezas que transforma dois corpos para sempre depois do primeiro encontro
O que impede esse veículo pesado de desaparecer no fundo do rio?
A flutuação depende do volume de água deslocado pelo casco. Quando o veículo entra no rio, sua parte inferior empurra uma determinada quantidade de água. Se o empuxo produzido for suficiente para equilibrar o peso total do ônibus, dos passageiros, do combustível e dos equipamentos, ele permanece flutuando.
Isso exige cálculos cuidadosos, porque um ônibus anfíbio costuma ser mais pesado que um veículo rodoviário comum. O casco precisa oferecer volume suficiente, enquanto a distribuição interna dos componentes deve evitar inclinações perigosas. A quantidade de passageiros e bagagens também não pode ultrapassar os limites estabelecidos no projeto e na certificação.
Quais diferenças existem entre um ônibus comum e um modelo anfíbio?
Embora pareçam semelhantes vistos da rua, os dois veículos possuem estruturas bastante diferentes. Um ônibus rodoviário não é vedado para navegar, não tem propulsão aquática e pode encher de água rapidamente. O modelo anfíbio precisa atender simultaneamente a exigências de circulação terrestre e segurança náutica.
| Característica | Ônibus convencional | Veículo anfíbio |
|---|---|---|
| Estrutura inferior | Chassi preparado para estradas | Casco estanque com capacidade de flutuação |
| Propulsão terrestre | Motor ligado às rodas | Motor ligado às rodas durante o trajeto terrestre |
| Propulsão aquática | Inexistente | Hélices ou jatos de água |
| Controle sobre a água | Não possui | Leme ou propulsão direcionável |
| Equipamentos de emergência | Itens exigidos para transporte rodoviário | Itens rodoviários e equipamentos de segurança náutica |
A vedação também precisa ser inspecionada regularmente. Portas, eixos, conexões, compartimentos e pontos de passagem de cabos podem se transformar em caminhos para infiltrações. Bombas de porão oferecem uma proteção adicional, mas não substituem a integridade estrutural necessária para manter o interior seco.
Onde o ônibus anfíbio transporta turistas pelas ruas e pelos rios?
Um dos exemplos mais conhecidos funciona em Roterdã, nos Países Baixos. Durante o passeio, o veículo percorre pontos urbanos e depois entra no rio Nieuwe Maas. A própria Splashtours apresenta a experiência como uma excursão realizada com um ônibus anfíbio que também navega diante do horizonte da cidade.
Experiências semelhantes já foram oferecidas em outras cidades com rios, portos, lagos ou canais. Entretanto, isso não significa que qualquer ônibus desse tipo possa entrar em qualquer corpo d’água. A rota depende de rampas adequadas, profundidade, correnteza, condições meteorológicas, espaço para manobras e autorização das autoridades responsáveis.

O ônibus anfíbio é realmente seguro para levar passageiros?
A segurança depende do projeto, da manutenção, da operação e das condições da rota. Como o veículo trabalha em dois ambientes, ele precisa lidar com riscos rodoviários e náuticos. Antes de entrar na água, a equipe deve verificar acessos, vedação, sistemas de propulsão, equipamentos de emergência e quantidade de ocupantes.
O ônibus anfíbio também não é invulnerável a ondas, ventos fortes, falhas mecânicas ou infiltrações. A operação precisa ser suspensa quando as condições ultrapassam os limites definidos. Passageiros devem seguir as orientações da tripulação e permanecer nas áreas permitidas, especialmente durante a entrada e a saída da água.
Por que essa máquina chama tanta atenção durante o passeio?
O momento mais impressionante acontece na rampa. Para quem está dentro do veículo, a aproximação parece semelhante à entrada em uma garagem inclinada, até que a água sobe ao redor das janelas e o ônibus começa a flutuar. A mudança de propulsão ocorre sem a retirada dos passageiros e sem a instalação de peças externas durante o trajeto.
Apesar do apelido de ônibus que vira barco, a engenharia é mais interessante do que uma transformação instantânea. O veículo já nasce como uma máquina híbrida, com pneus para o asfalto e casco para a água. É essa combinação que permite sair de uma avenida, atravessar a margem e continuar a viagem pelo rio sem afundar.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)