O navio duplo bilionário que possui dois guindastes gigantes capazes de erguer o peso de quase duas Torres Eiffel de uma só vez
A embarcação semi-submersível usa duas gruas de 10.000 toneladas para instalar e remover algumas das maiores estruturas offshore já construídas
Ele parece uma plataforma industrial partida em dois enormes cascos, mas foi construído para navegar pelos oceanos carregando estruturas que poucos equipamentos do planeta conseguiriam movimentar. O navio Sleipnir mede 220 metros de comprimento, possui dois guindastes de 10.000 toneladas cada e consegue trabalhar com ambos simultaneamente, transformando o convés em uma gigantesca base móvel para montar e desmontar estruturas offshore.
Por que o navio Sleipnir possui dois cascos em vez do formato tradicional?
O Sleipnir é classificado como um semi-submersible crane vessel, ou SSCV. Sua estrutura possui dois grandes pontões inferiores conectados a oito colunas que sustentam o convés. Quando chega ao local de trabalho, o controle do calado permite que uma parte maior da estrutura fique submersa, reduzindo movimentos provocados pelas ondas enquanto os gigantescos guindastes trabalham.
Essa estabilidade é essencial porque algumas cargas transportadas e instaladas pelo navio possuem milhares de toneladas. Um pequeno movimento que seria irrelevante para uma embarcação convencional pode se transformar em um problema enorme quando uma estrutura do tamanho de um prédio está suspensa sobre uma plataforma em pleno mar. Por isso, o formato do Sleipnir está diretamente ligado à precisão exigida em operações de elevação pesada.
Como dois guindastes conseguem transformar o navio Sleipnir em uma máquina de 20.000 toneladas?
Cada um dos dois guindastes principais possui capacidade nominal de 10.000 toneladas métricas. Quando trabalham em tandem, a capacidade combinada chega a 20.000 toneladas. Durante os testes realizados antes da entrada em serviço, cada guindaste chegou a suportar 11.000 toneladas, equivalentes a 110% da capacidade nominal, confirmando a margem prevista pelos engenheiros.
Os números mostram por que o navio ganhou fama mundial:
- Dois guindastes principais de 10.000 toneladas cada.
- Capacidade combinada nominal de 20.000 toneladas.
- Convés reforçado com 220 metros de comprimento e 102 metros de largura.
- Capacidade para acomodar até 400 pessoas.
- Oito propulsores utilizados para movimentação e posicionamento.
- Operação com GNL ou óleo diesel marítimo.
O vídeo abaixo mostra o Sleipnir e ajuda a visualizar a escala de uma embarcação que funciona praticamente como um enorme canteiro industrial flutuante. É possível observar seu formato semi-submersível, as duas torres de elevação e as proporções difíceis de perceber apenas pelos números.
O navio Sleipnir realmente consegue levantar duas Torres Eiffel ao mesmo tempo?
A comparação é surpreendentemente próxima, mas exige explicar qual peso está sendo usado. A Torre Eiffel possui aproximadamente 10.100 toneladas de peso total, enquanto apenas sua estrutura metálica pesa cerca de 7.300 toneladas. Portanto, a capacidade nominal conjunta de 20.000 toneladas dos guindastes equivale a quase duas Torres Eiffel considerando o peso total informado oficialmente pelo monumento.
Existe, porém, uma comparação ainda mais impressionante baseada em uma operação real. Em outubro de 2022, o Sleipnir levantou e instalou o módulo de processamento TEG da plataforma Tyra II, com aproximadamente 17.000 toneladas. A própria Heerema descreveu aquela carga como equivalente a cerca de duas Torres Eiffel, e a operação estabeleceu um recorde de elevação offshore.
Qual foi a carga mais pesada que esses guindastes realmente levantaram no oceano?
A capacidade máxima de uma máquina não deve ser confundida com o maior peso efetivamente movimentado em uma operação comercial. Embora os guindastes possam trabalhar conjuntamente com até 20.000 toneladas nominais, o recorde divulgado pela Heerema ocorreu em 4 de outubro de 2022, quando o módulo de processo da Tyra II, no Mar do Norte, foi colocado sobre sua estrutura definitiva.
A peça pesava aproximadamente 17.000 toneladas e tinha 47 metros de altura. Mais de 260 profissionais participaram da operação, planejada durante anos. O levantamento propriamente dito foi executado com os dois guindastes trabalhando de maneira coordenada. Portanto, as 24.000 toneladas mencionadas em algumas descrições não representam a capacidade nominal oficial do Sleipnir: o número correto divulgado pela fabricante é 20.000 toneladas.
| Característica | Número | O que representa |
|---|---|---|
| Comprimento | 220 metros | Mais de dois campos de futebol |
| Largura | 102 metros | Grande plataforma de trabalho |
| Guindastes principais | 2 × 10.000 toneladas | 20.000 toneladas em tandem |
| Recorde Tyra II | Cerca de 17.000 toneladas | Recorde de elevação offshore |
Por que um navio tão grande precisa de motores capazes de usar dois combustíveis?
O Sleipnir entrou em serviço em 2019 como o primeiro navio-guindaste equipado com motores de combustível duplo capazes de operar tanto com Marine Gas Oil, o MGO, quanto com gás natural liquefeito, o GNL. Isso permite adaptar a geração de energia às condições de abastecimento e reduzir determinadas emissões quando a embarcação utiliza GNL.
Seu sistema elétrico também ajuda a entender o tamanho da instalação. A GE forneceu 12 conjuntos geradores de 8 megawatts e oito motores de propulsão de 5,5 megawatts. Toda essa energia não serve apenas para mover o navio: bombas, sistemas de posicionamento, equipamentos auxiliares e operações offshore precisam funcionar simultaneamente.

O que torna o navio Sleipnir diferente de um simples cargueiro gigante?
O Sleipnir não foi feito apenas para levar uma estrutura do ponto A ao ponto B. Sua função é chegar ao campo offshore, posicionar-se com enorme precisão e realizar operações que anteriormente podiam exigir desmontagem de módulos, vários navios e numerosas etapas. Segundo a Heerema Marine Contractors, ele pode instalar ou retirar topsides, jackets, fundações, sistemas de ancoragem e outras megaestruturas em águas profundas.
Essa característica explica por que ele já participou tanto da instalação quanto da desmontagem de plataformas. Em 2019, levantou um módulo de 15.300 toneladas no projeto Leviathan e, em 2022, superou esse resultado com as aproximadamente 17.000 toneladas da Tyra II. O navio Sleipnir transformou duas gigantescas gruas em uma espécie de canteiro de obras móvel capaz de realizar no oceano operações que antes pareciam possíveis apenas em instalações fixas.
O valor de R$ 15 bilhões associado ao navio também precisa de cautela. Fontes públicas apresentam estimativas diferentes para seu custo, e uma referência publicada pelo Discovery cita aproximadamente US$ 1 bilhão. Por isso, converter esse número diretamente para R$ 15 bilhões sem indicar câmbio, data e composição do investimento produziria uma precisão que as fontes disponíveis não sustentam.
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