O mistério que foi solucionado mais de 50 anos depois por um adolescente
Após 57 anos, o caso Marise Chiverella foi solucionado com DNA e tecnologia moderna, revelando detalhes ocultos e um desfecho surpreendente
Uma estrada de terra isolada, uma antiga mina de carvão transformada em lixão clandestino e um motorista que só queria jogar cinzas fora: foi nesse cenário, em 1964, que o corpo da menina de 9 anos Marise Ann Chiverella foi encontrado, iniciando um mistério que abalaria Hazleton, na Pensilvânia, e só seria solucionado 57 anos depois graças à genealogia forense e à persistência de um jovem pesquisador.
Quem era Marise Ann Chiverella e como ocorreu seu desaparecimento
Filha de imigrantes e muito ligada à igreja, Marise vivia em um pequeno duplex na Alter Street, ajudando no mercadinho do pai e recebendo clientes com timidez e gentileza, o que lhe rendeu o apelido de “mãezinha”. Sonhava em ser freira e costumava brincar imitando as religiosas da escola.
Na manhã de 18 de março de 1964, decidiu ir sozinha à missa das 8h para entregar duas latas de frutas a uma freira, algo incomum para ela, que tinha medo de cachorros de rua e geralmente caminhava com os irmãos. Virou a esquina em direção à escola e desapareceu; horas depois, seu corpo foi encontrado em uma cratera de mineração usada como lixão.

Como o crime abalou Hazleton e mudou a rotina da comunidade
A autópsia revelou violência extrema e morte por estrangulamento, chocando a cidade pequena acostumada a portas abertas e crianças brincando na rua até anoitecer. O velório em caixão branco lotou a igreja e marcou a comunidade, que viu ruir a sensação de segurança do bairro.
Pais passaram a acompanhar os filhos à escola, fechaduras foram reforçadas e surgiram grupos de vigilância comunitária. Enquanto isso, a polícia estadual iniciava uma grande investigação, tentando entender se o agressor era alguém de passagem ou um morador familiarizado com o trajeto de Marise e com a mina abandonada.
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Como a investigação inicial fracassou e o caso ficou sem solução
Nas primeiras semanas, dezenas de suspeitos foram interrogados, entre andarilhos, motoristas e vizinhos com histórico de comportamento sexualmente inadequado, mas nenhuma prova definitiva os ligou ao crime. Um vizinho que se expunha a crianças chegou a se matar antes de um teste de polígrafo, o que levantou suspeitas, porém sem evidências conclusivas.
Com o surgimento dos testes de DNA nos anos 1990, o material biológico preservado nas roupas de Marise foi inserido no banco de dados criminal do FBI, sem qualquer correspondência. O caso permaneceu arquivado por décadas, até que um novo tipo de abordagem científica mudaria o rumo da investigação.
Como a genealogia forense levou até o nome de James Paul Forte
Em 2020, o jovem genealogista Eric Schubert, então com 18 anos, procurou a Polícia Estadual da Pensilvânia oferecendo ajuda com bancos de dados genéticos públicos. A partir do DNA do criminoso, ele rastreou parentes distantes que haviam enviado amostras para serviços de ancestralidade, reconstruindo árvores genealógicas complexas até chegar a uma família específica.
O trabalho de Eric direcionou a polícia a poucos homens de uma mesma linhagem; um parente vivo forneceu saliva, revelando ligação de primeiro grau com o autor do crime. A partir daí, os investigadores concentraram-se em James Paul Forte, barman de 22 anos em 1964, com histórico de agressão sexual e comportamento violento na região.

O que o desfecho do caso revela sobre justiça tardia e tecnologia
Forte havia morrido em 1980, aos 38 anos, vítima de infarto, sem nunca ter sido formalmente responsabilizado por assassinar Marise. A exumação de seu corpo e a análise do DNA extraído de seus restos mortais confirmaram a ligação direta com o material encontrado nas roupas da menina.
Em 2022, a polícia divulgou oficialmente o nome do assassino, oferecendo algum conforto tardio à família de Marise e à comunidade. O caso se tornou exemplo de como a genealogia forense pode reabrir investigações antigas, expor falhas do passado e mostrar que, mesmo depois de décadas, um fio de DNA ainda pode reescrever a história e apontar para a verdade.
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