O metro quadrado oficial da obra em 2026 e onde consultar no seu estado
Sinapi e CUB medem coisas diferentes, e confundir os dois na planilha custa caro na hora de fechar contrato de obra
Quem vai levantar uma casa neste ano tem dois números oficiais à disposição.
O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, o Sinapi, fechou junho de 2026 em R$ 1.976,37 por metro quadrado. O Custo Unitário Básico calculado pelos sindicatos estaduais aponta cifras bem maiores em Santa Catarina.
A distância entre os dois não é erro de cálculo, e entender o motivo muda o seu orçamento.
O Sinapi é apurado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em convênio com a Caixa Econômica Federal. Já o Custo Unitário Básico, o CUB, nasce da norma ABNT NBR 12721 e é publicado mensalmente pelos Sindicatos da Indústria da Construção Civil, os Sinduscons, reunidos na Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC).
O número que o IBGE divulgou em julho
A conta nacional mais recente saiu no dia 10 de julho de 2026 e trouxe aceleração. O custo médio por metro quadrado passou de R$ 1.953,08 em maio para R$ 1.976,37 em junho, alta de 1,19% no mês.
Desse total, R$ 1.114,74 correspondem a materiais e R$ 861,63 à mão de obra, segundo a série que o IBGE mantém para orçamentos e contratos de obra pública. Materiais responderam pela maior parte da pressão do mês.
No acumulado de 2026 o índice sobe 4,48%, e em doze meses chega a 7,26%. O ritmo supera os 6,93% dos doze meses anteriores, o que significa contrato reajustado para cima em quem fechou obra no início do ano.
Por que o CUB do seu estado é maior
O CUB não mede a mesma coisa que o Sinapi. Ele parte de projetos padrão definidos em norma, como o residencial de oito pavimentos padrão normal, e devolve o custo daquele projeto específico na praça daquele sindicato.
Em Balneário Camboriú, no litoral catarinense, o CUB de julho de 2026 ficou em R$ 3.121,62 por metro quadrado, com variação de 0,82% no mês. Em junho, o mesmo indicador estava em R$ 3.096,25, após alta de 1,05%.
A versão desonerada, que retira a contribuição previdenciária sobre a folha, marcou R$ 2.913,10 em julho. Comparar CUB de um estado com Sinapi nacional, portanto, é comparar recortes diferentes.

Como achar o valor da sua praça
A consulta é gratuita e leva menos de dois minutos. A CBIC mantém um painel em que se escolhe estado, mês, ano e projeto padrão antes de gerar a tabela.
Vale um cuidado em dois estados: Minas Gerais e Paraná têm mais de um Sinduscon calculando o índice, e é preciso selecionar o sindicato responsável pela sua região antes de emitir o relatório. O sistema também oferece a evolução dos últimos doze meses.
Quem prefere a fonte local pode ir direto ao sindicato. O Sinduscon de Balneário Camboriú publica a planilha completa em PDF a cada mês, com a série aberta desde 2019.
O que o índice deixa de fora
Aqui mora o erro mais caro de quem monta orçamento em planilha caseira. O CUB, por definição da NBR 12721, cobre apenas os serviços do projeto padrão e não inclui o terreno.
Ficam de fora também fundações especiais, elevadores, ar condicionado, playground, projetos de arquitetura e engenharia, ligações de água, luz e esgoto, além de taxas e licenças. Cada um desses itens entra depois, por fora da conta divulgada.
Na prática, o custo final de uma obra residencial costuma superar em muito o resultado da multiplicação simples entre área e CUB. Quem usa o índice como preço fechado descobre o rombo na metade da laje.

Quando sai o número de cada mês
O calendário importa para quem vai assinar contrato. Os Sinduscons divulgam o CUB até o quinto dia útil do mês seguinte ao da coleta, e o IBGE publica o Sinapi na segunda semana.
Alguns sindicatos, como o de Balneário Camboriú, já haviam publicado o CUB de julho de 2026 quando esta reportagem foi apurada, em 21 de julho. Outros ainda tinham junho como referência mais recente, o que é normal e não invalida o número.
Antes de fechar preço com a construtora, confira qual mês está escrito no cabeçalho da tabela apresentada. Índice de três meses atrás em contrato novo é desconto silencioso para quem vende.
Com materiais puxando a alta e reajuste de doze meses acima de sete por cento, adiar o início da obra tem preço mensurável. Quem tem projeto aprovado e crédito liberado ganha em travar o orçamento agora, com o índice do mês corrente escrito no contrato.
A mesma lógica de consultar a fonte antes de assinar vale para outras contas fixas de casa, como o que se paga por manutenção anual de internet via satélite Starlink no Brasil. Vale também para escolher onde construir, já que cidades como as apontadas entre as de melhor qualidade de vida no interior brasileiro combinam custo de terreno e infraestrutura de formas muito distintas. Capitais planejadas, como a única capital erguida depois da Constituição de 1988, têm outra estrutura de preços de lote.
Os valores citados aqui são médias estatísticas de projetos padrão e não substituem orçamento detalhado assinado por profissional habilitado. Antes de contratar, consulte o Sinduscon do seu estado e peça planilha discriminada ao construtor.
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