O maior acelerador de partículas do mundo procurou buracos negros quânticos e fechou mais uma faixa onde eles poderiam estar escondidos
Uma análise de colisões de prótons encontrou novos limites para objetos hipotéticos e restringiu modelos que tentam explicar a gravidade.
O Grande Colisor de Hádrons (LHC), do CERN, não encontrou sinais de microburacos negros previstos por determinados modelos de gravidade. A análise de colisões de prótons registradas pelo detector CMS estabeleceu limites mais rigorosos para esses objetos hipotéticos. O resultado restringe algumas teorias com dimensões espaciais extras, mas não elimina todas as possibilidades.
Por que o LHC procuraria buracos negros microscópicos?
Certas teorias propõem dimensões espaciais além das três conhecidas. Nesses cenários, a gravidade poderia se tornar muito mais intensa em distâncias minúsculas, permitindo formar buracos negros nas colisões de partículas. A proposta tenta responder por que a gravidade parece tão fraca diante das demais forças fundamentais.
Ao contrário dos gigantes observados no espaço, esses objetos hipotéticos desapareceriam quase instantaneamente, produzindo partículas detectáveis. A Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, participante da pesquisa, explica que encontrá-los poderia abrir caminho para investigar a ligação entre gravidade e física quântica.

Quais pistas poderiam denunciar esses objetos?
O detector CMS examinou colisões realizadas entre 2016 e 2018, com energia de 13 teraelétron-volts (TeV). A amostra reúne mais de 10 quadrilhões de eventos. Os pesquisadores procuraram características previstas pelos modelos:
- Vários jatos de partículas produzidos na mesma colisão.
- Soma excepcionalmente alta dos momentos transversais das partículas.
- Distribuição espacial aproximadamente esférica dos produtos finais.
- Excesso estatístico de eventos sobre o fundo esperado.
Que parte das hipóteses ficou excluída?
A colaboração CMS comparou os registros com simulações de fenômenos conhecidos e de objetos hipotéticos. Nenhum desvio estatisticamente significativo apareceu nas condições investigadas.
Isso prova que buracos negros quânticos não existem?
Não. Os limites dependem das propriedades atribuídas aos objetos e das hipóteses usadas para prever sua produção. O estudo científico da colaboração CMS, publicado em 2026, estabelece exclusões com 95% de confiança estatística para os cenários examinados.

Essa conclusão não equivale a descartar toda teoria de gravidade quântica. Outras massas, mecanismos de produção ou sinais experimentais podem permanecer fora do alcance da análise. Tampouco há contradição com a existência de grandes buracos negros observados por astrônomos. O estudo também restringiu as chamadas bolas de cordas, outro fenômeno hipotético, com limites de massa entre 9,0 e 10,7 TeV.
Como os físicos distinguiram sinais raros de colisões comuns?
A equipe combinou dois caminhos de análise para separar eventos habituais daqueles que poderiam apontar para fenômenos novos, inclusive com técnicas de aprendizado de máquina:
- Estudou a distribuição da soma dos momentos transversais.
- Usou amostras de controle para estimar o fundo.
- Comparou eventos pela proximidade no espaço de fases.
- Empregou uma máquina de vetores de suporte supervisionada.
Resultados negativos também orientam novas descobertas
A ausência dos sinais previstos reduz o espaço de possibilidades para modelos que tentam conectar a gravidade à mecânica quântica. Uma hipótese testável pode perder apoio experimental mesmo sem surgir uma partícula nova no detector.
Com novos dados e métodos de busca, os físicos poderão investigar outras faixas e comportamentos. Cada exclusão bem fundamentada ajuda a construir um mapa mais preciso de onde a física ainda desconhecida poderia aparecer.
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