O lago que contém enormes depósitos de sal no fundo e pode liberar água extremamente salgada para regiões mais profundas
Crostas minerais e camadas densas de salmoura revelam uma dinâmica pouco visível sob as águas de Utah
Em Utah, nos Estados Unidos, o Grande Lago Salgado guarda um sistema menos visível do que suas extensas margens brancas sugerem. Sob determinadas partes do Grande Lago Salgado existem crostas de sal e camadas de salmoura excepcionalmente densas, capazes de permanecer próximas ao fundo e se deslocar para depressões mais profundas quando as condições de circulação permitem.
Por que o Grande Lago Salgado acumula tanto sal?
O lago ocupa uma bacia fechada e não possui saída para o oceano. Rios transportam minerais dissolvidos das rochas da região, mas a água que chega ao lago sai principalmente por evaporação, deixando os sais para trás e aumentando sua concentração ao longo do tempo.
Ele também é um remanescente do antigo lago Bonneville, muito maior durante períodos do Pleistoceno. Atualmente, precipitação de minerais como halita, formada principalmente por cloreto de sódio, pode produzir depósitos diretamente no fundo quando a salmoura atinge condições próximas da saturação.
Como uma camada de água extremamente salgada consegue chegar ao fundo?
Uma ferrovia construída sobre um aterro atravessa o lago desde 1959 e separa grande parte das águas entre Gunnison Bay, ao norte, e Gilbert Bay, ao sul. Como quase toda a entrada de água doce ocorre no braço sul, o braço norte normalmente apresenta salinidade muito maior.
Quando a salmoura mais concentrada do norte atravessa aberturas do aterro em direção ao sul, sua densidade elevada faz com que ela afunde. Essa água pode se acumular no fundo de Gilbert Bay e formar a chamada deep brine layer, ou camada profunda de salmoura.
- Água menos salgada permanece predominantemente nas camadas superiores.
- Salmoura mais densa tende a afundar.
- Depressões do fundo podem acumular essa água concentrada.
- A circulação depende da diferença de nível, densidade e das aberturas no aterro.
Este documentário mostra como a salinidade, a divisão artificial do lago e seu ambiente peculiar estão conectados.
O Grande Lago Salgado realmente possui enormes depósitos no fundo?
Sim, mas é importante diferenciar sal dissolvido na água de sal mineral precipitado. Levantamentos do Utah Geological Survey encontraram crostas de halita no braço norte, incluindo cristais observados diretamente no leito submerso em diferentes profundidades.
Essas crostas não são estruturas permanentemente estáveis. Dependendo da temperatura, nível do lago e concentração da salmoura, cristais podem crescer ou voltar a se dissolver, criando uma interação contínua entre o depósito sólido e a água extremamente salgada acima dele.
Essa água salgada pode descer indefinidamente?
Não. A expressão “liberar água para regiões mais profundas” não significa que a salmoura atravesse indefinidamente o subsolo. No Grande Lago Salgado, o fenômeno documentado ocorre principalmente dentro da própria coluna de água, onde diferenças de densidade controlam a estratificação.
Estudos mostram que a camada densa pode inicialmente se concentrar em uma depressão do noroeste de Gilbert Bay e, ao atingir determinado volume, ultrapassar uma elevação do leito e avançar para a bacia sul, comportando-se como um fluxo de salmoura junto ao fundo.

Quais números revelam a dimensão do Grande Lago Salgado?
A salinidade varia fortemente entre os braços e também com o nível da água. Dados do Utah Geological Survey indicaram, historicamente, média próxima de 12% em Gilbert Bay e cerca de 25% em Gunnison Bay, valores muito superiores aos aproximadamente 3,5% dos oceanos.
O Utah Geological Survey explica a dinâmica da salinidade e das crostas do Grande Lago Salgado, incluindo observações de cristais de sal no fundo e alterações relacionadas ao nível e à concentração da água.
| Característica | Valor ou condição |
|---|---|
| Salinidade média histórica de Gilbert Bay | Cerca de 12% |
| Salinidade média histórica de Gunnison Bay | Cerca de 25% |
| Salinidade oceânica de referência | Cerca de 3,5% |
| Construção do aterro ferroviário | 1959 |
Por que esse fenômeno é importante para compreender o lago?
A camada profunda de salmoura pode ter pouco oxigênio e propriedades químicas diferentes das águas superiores, por isso sua extensão interfere na circulação, na química e nas condições ambientais do braço sul. O comportamento dessa camada também responde às alterações das passagens existentes no aterro ferroviário.
Esse sistema transforma o lago em um laboratório natural para estudar evaporação, precipitação de sais, estratificação por densidade e circulação de salmouras. O que parece apenas um enorme lago salgado na superfície esconde, portanto, camadas e depósitos capazes de reorganizar continuamente sua química interna.
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