O gelo marinho da Antártida chegou ao inverno de 2026 com o terceiro menor máximo já medido por satélite
Após recordes elevados entre 2012 e 2014, o gelo marinho voltou a níveis baixos e cientistas investigam a persistência dessa mudança.
O gelo marinho da Antártida atingiu em 14 de setembro de 2026 17,59 milhões de quilômetros quadrados, o terceiro menor máximo de inverno registrado por satélites desde 1978. O resultado ficou atrás apenas dos baixos máximos de 2023 e 2024 e reforçou uma sequência recente de invernos com cobertura reduzida, ainda sob investigação científica.
Como o gelo marinho cresce durante o inverno antártico?
A água do oceano ao redor da Antártida congela durante os meses frios, fazendo a cobertura de gelo avançar para longe do continente. Ela costuma alcançar sua maior extensão em setembro, antes de recuar até o mínimo de verão, geralmente em fevereiro.
Gelo marinho não é o mesmo que gelo continental: o primeiro flutua sobre o oceano; o segundo repousa sobre terra firme. Essa distinção importa porque a extensão medida por satélites descreve a superfície oceânica congelada, não o tamanho da camada de gelo antártica.

Quais números colocaram 2026 entre os menores máximos?
A análise da NASA usa dados do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo (NSIDC). A comparação anual estabelece quatro referências:
- 14 de setembro: data do máximo estimado em 2026.
- 17,59 milhões de km²: extensão alcançada naquele dia.
- Terceira posição: apenas 2023 e 2024 tiveram máximos menores.
- Desde 1978: início das observações contínuas por satélite.
O que mudou em relação aos anos de gelo elevado?
O histórico não mostra uma diminuição uniforme desde o começo das medições. A passagem de recordes elevados para mínimos recentes foi especialmente marcante.
Por que os cientistas ainda investigam se a queda vai persistir?
O gelo antártico apresenta fortes oscilações de um ano para outro. Ventos podem espalhar ou compactar as placas, enquanto correntes e temperaturas oceânicas alteram a formação e o derretimento. Por isso, poucos anos de resultados baixos não bastam para definir uma tendência permanente.

Uma análise climática de outubro de 2026 observa que a tendência de longo prazo dos máximos anuais ainda não é estatisticamente significativa. O possível papel do aquecimento das águas superficiais está entre as hipóteses estudadas.
Como os satélites acompanham essas mudanças no oceano?
Instrumentos de micro-ondas distinguem o gelo da água aberta mesmo com nuvens, permitindo acompanhar a região durante o inverno polar. Os pesquisadores combinam diversas medições:
- Identificam áreas com pelo menos 15% de concentração de gelo.
- Comparam máximos anuais usando uma mesma série histórica.
- Observam diferenças regionais entre os mares antárticos.
- Acompanham a perda de cobertura após o pico de setembro.
A sequência de invernos com pouco gelo exige observação contínua
O NSIDC registrou que a cobertura caiu rapidamente após o máximo de 2026 e alcançou valores diários recordemente baixos no início de outubro. Essa evolução ajuda a situar setembro dentro de um ciclo sazonal mais amplo.
O dado de 2026 confirma uma fase recente de máximos reduzidos, mas não resolve sozinho suas causas ou sua duração. Para compreender se houve mudança duradoura no comportamento do gelo marinho, será necessário confrontar novos anos de observações com ventos, oceano e temperaturas.
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