O aeroporto flutuante de R$ 20 bilhões de reais construído no meio do oceano que está afundando centímetros por ano e ninguém sabe até quando resiste
Sensores, colunas ajustáveis e diques elevados mantêm o complexo em operação enquanto o solo profundo continua cedendo sob as pistas
O Aeroporto de Kansai parece flutuar no meio da Baía de Osaka, mas suas pistas e terminais descansam sobre duas ilhas artificiais construídas com milhões de metros cúbicos de material. Desde o início das obras, porém, o peso colossal comprime camadas profundas de argila e faz partes do complexo descerem vários centímetros por ano.
Por que o Aeroporto de Kansai foi construído no meio do oceano?
Os responsáveis pelo projeto queriam ampliar a capacidade aérea da região de Osaka sem repetir os conflitos provocados pelo antigo aeroporto de Itami, cercado por bairros densamente povoados. Por isso, escolheram uma área localizada a cerca de cinco quilômetros da costa e criaram uma ilha onde os aviões poderiam operar durante todo o dia com menos impacto sonoro sobre as cidades.
A construção da primeira ilha começou em 1987, em águas com aproximadamente 18 a 20 metros de profundidade. O aeroporto entrou em operação em 1994 e ganhou uma segunda ilha anos depois. Embora seja chamado de “flutuante”, o complexo não boia: ele se apoia em aterros gigantescos depositados sobre o fundo do mar.
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Quais são os 4 números que mostram a dimensão dessa obra?
A escala do projeto ajuda a explicar por que o comportamento do solo se tornou tão difícil de controlar. A primeira ilha recebeu uma pista, o terminal principal e áreas operacionais, enquanto a segunda ampliou o complexo com outra pista e novas instalações.
- Cerca de 5 quilômetros de distância da costa
- Duas ilhas artificiais construídas na Baía de Osaka
- Mais de 13 metros de afundamento médio na primeira ilha
- Até 20 centímetros de subsidência anual na segunda ilha
O vídeo “The Impossible Island: Building Kansai International Airport”, publicado pelo canal Blueprint, apresenta a construção da ilha artificial, os desafios provocados pelo fundo marinho e as soluções criadas para proteger o aeroporto contra terremotos e tufões. O conteúdo complementa o artigo porque mostra visualmente como a engenharia transformou uma área aberta do oceano em uma base capaz de receber grandes aeronaves:
Por que o Aeroporto de Kansai continua afundando?
O fundo da Baía de Osaka possui diferentes camadas de argila carregadas de água. Quando os engenheiros colocaram toneladas de pedras, areia e terra sobre esse terreno, o peso começou a expulsar lentamente a água existente entre as partículas. Esse processo reduz o volume do solo e provoca o rebaixamento da ilha.
Os construtores sabiam que haveria subsidência e instalaram milhões de colunas de areia para acelerar a drenagem das camadas mais próximas da superfície. Na primeira ilha, cerca de 1 milhão dessas colunas foram inseridas no terreno; na segunda, foram aproximadamente 1,2 milhão. No entanto, as camadas profundas são muito espessas e difíceis de tratar, portanto continuam se comprimindo naturalmente.
Quanto as duas ilhas já desceram desde o começo das obras?
As medições oficiais de dezembro de 2025 mostram que a primeira ilha acumulou um afundamento médio de 13,72 metros desde o início da construção. Desse total, 9,82 metros ocorreram antes da inauguração. Atualmente, essa área continua descendo aproximadamente cinco centímetros por ano, uma velocidade menor que a registrada nos primeiros anos.
| Área monitorada | Afundamento acumulado | Situação registrada em 2025 |
|---|---|---|
| Primeira ilha | Média de 13,72 metros | Cerca de 5 centímetros por ano |
| Segunda ilha | Média total de 17,67 metros | Média anual recente de 20 centímetros |
| Camada superficial | Cerca de 6 metros em um ponto monitorado | Processo praticamente estabilizado |
| Camada profunda | Movimento de longo prazo | Continua sob monitoramento constante |
A segunda ilha apresenta um comportamento ainda mais preocupante porque entrou em operação apenas em 2007. Até dezembro de 2025, seu afundamento médio total chegou a 17,67 metros, incluindo a fase de construção. Somente no período mais recente analisado, os 54 pontos de medição registraram média de 20 centímetros em um ano.
Como o Aeroporto de Kansai consegue continuar nivelado?
O maior perigo não está apenas no afundamento geral, mas na possibilidade de uma parte descer mais que outra. Quando isso acontece, pisos se inclinam, tubulações sofrem tensões e estruturas podem apresentar deformações. Para reduzir esse problema, os engenheiros instalaram um sistema que permite elevar individualmente as colunas do terminal.
O primeiro terminal possui cerca de 900 colunas monitoradas automaticamente. Quando os sensores detectam uma diferença relevante, macacos hidráulicos levantam a coluna e trabalhadores inserem placas metálicas em sua base. Assim, a estrutura recupera o nível mesmo enquanto o terreno continua descendo. A operação ainda ocorre periodicamente como medida preventiva.

O aeroporto corre o risco de ser engolido pelo mar?
Não existe uma data oficial indicando quando a estrutura deixaria de resistir. A subsidência diminuiu em partes da primeira ilha, mas permanece expressiva na segunda. Além disso, o problema se combina com marés, tempestades e possíveis elevações do nível do oceano, exigindo obras constantes nas barreiras de proteção.
O risco ficou evidente em setembro de 2018, quando o tufão Jebi provocou uma forte maré de tempestade, inundou pistas e áreas do terminal e interrompeu as operações. Depois disso, os responsáveis elevaram diques e reforçaram sistemas contra enchentes. Portanto, o plano não tenta impedir completamente o afundamento, algo praticamente impossível, mas manter pistas, edifícios e barreiras sempre acima dos níveis considerados perigosos.
Quanto custou o plano para impedir o colapso da ilha?
A cifra de R$ 20 bilhões usada no título não representa todo o investimento acumulado. Estimativas amplamente divulgadas colocam o custo total do complexo próximo de US$ 20 bilhões, incluindo as ilhas, as pistas, os terminais e diversas obras executadas para responder à subsidência. Convertido para reais, esse valor seria muito maior e varia conforme a cotação.
Parte do dinheiro financia monitoramento contínuo, elevação de estruturas, reforço de diques, manutenção de pistas e correção de desníveis. A própria Kansai Airports explica as medidas contra o afundamento e reconhece que as camadas profundas continuarão se comprimindo por um longo período. A obra permanece funcional porque a engenharia acompanha cada centímetro antes que ele se transforme em um problema maior.
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