Novo estudo mostra que a Terra e Marte tiveram origens diferentes
A origem diferente pode ajudar a explicar por que os dois planetas seguiram histórias tão distintas
Dois planetas vizinhos surgiram da mesma região do Sistema Solar, mas podem ter crescido por caminhos muito diferentes. Uma pesquisa publicada em 2026 analisou a formação dos planetas Terra e Marte e encontrou sinais de processos distintos ocorridos há aproximadamente 4,5 bilhões de anos. A composição química preservada em suas camadas rochosas ajudou os cientistas a reconstruir como cada mundo acumulou matéria durante a juventude do Sol.
O que os cientistas descobriram sobre a origem da Terra e de Marte?
A pesquisa indica que a Terra cresceu principalmente a partir de dois grandes protoplanetas, enquanto Marte recebeu uma parcela maior de sua massa por colisões e acúmulo de corpos rochosos menores.
Segundo a Universidade de Copenhague, na Dinamarca, a descoberta apoia um modelo misto de formação planetária, no qual diferentes mecanismos podem participar do crescimento de um mesmo planeta.
Os pesquisadores utilizaram elementos presentes nas camadas rochosas para estimar a origem dos materiais. As diferenças encontradas sugerem que planetas próximos podem guardar histórias bastante distintas.

Como a Terra acumulou matéria durante sua formação?
O modelo indica que pelo menos 75% da massa da Terra pode ter vindo de dois protoplanetas que cresceram pela captura de pequenas partículas sólidas.
Essas partículas são chamadas de seixos, ou pebbles, em inglês. Elas circulavam no disco de gás e poeira que envolvia o Sol jovem e podiam ser capturadas por corpos maiores.
O estudo publicado na revista Nature Astronomy descreve esse mecanismo como acreção de seixos.
A contribuição de planetesimais, corpos rochosos maiores do que esses seixos, teria alcançado até cerca de 25% no modelo principal. Os pesquisadores consideraram também os efeitos de grandes impactos entre corpos em crescimento.
Por que Marte teria se formado de outra maneira?
Marte apresenta uma composição química mais compatível com uma participação maior de planetesimais. São corpos formados no início do Sistema Solar que podiam se unir por colisões e contribuir para o crescimento dos planetas.
Na reconstrução principal, aproximadamente 73% da massa rochosa de Marte foi associada a material semelhante ao de planetesimais do tipo Vesta. Outros 27% foram ligados à captura de pequenas partículas.
As proporções ajudam a mostrar a diferença entre os planetas:
- Terra: modelo favorece dois grandes protoplanetas que cresceram principalmente pela captura de partículas menores.
- Marte: modelo favorece maior contribuição de planetesimais, acompanhada de uma parcela menor de seixos.
- Ambos: os resultados apontam uma combinação de mecanismos, com pesos diferentes durante a formação.
Esses valores são resultados de modelos estatísticos. Não representam uma medição direta dos materiais que se uniram bilhões de anos atrás.
Como elementos químicos revelam a formação dos planetas?
Os pesquisadores estudaram elementos como sódio, zinco e potássio, que podem se perder com mais facilidade quando materiais são aquecidos durante a formação planetária.
Ao comparar a presença desses elementos nas rochas da Terra e de Marte, os cientistas conseguem identificar sinais de processos antigos. A quantidade que permaneceu nas camadas externas oferece pistas sobre as temperaturas e os materiais envolvidos.
O estudo utilizou simulações e cálculos estatísticos para comparar diferentes cenários. Os autores analisaram quais combinações de materiais reproduziam melhor os padrões químicos observados.
Por que o resultado ainda depende de modelos científicos?
Os pesquisadores não acompanharam diretamente a formação dos planetas. A reconstrução utiliza vestígios químicos e hipóteses sobre as condições existentes no Sistema Solar primitivo.
Uma dessas hipóteses considera que determinados planetesimais possuíam composição semelhante à do asteroide Vesta. Outra envolve a quantidade de elementos perdidos durante o aquecimento dos materiais.
Quando essas condições são alteradas, as porcentagens também podem mudar. Mesmo assim, os autores afirmam que a diferença entre os caminhos de formação permanece consistente dentro dos cenários investigados.
O que essa descoberta pode revelar sobre planetas fora do Sistema Solar?
O estudo pode ajudar a compreender a composição de exoplanetas rochosos, mundos que orbitam outras estrelas. Planetas com tamanhos parecidos podem apresentar diferenças importantes na quantidade de materiais que conservaram.
O comportamento dos elementos químicos durante o crescimento planetário pode influenciar a presença futura de substâncias ligadas à água e a outros componentes necessários à vida.
Os cientistas ainda precisam testar esses modelos com novas medições e observações. Por enquanto, a pesquisa mostra que crescer na mesma região do Sistema Solar não significa necessariamente seguir o mesmo caminho de formação.
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