Nossa galáxia não está parada, mas sim avançando em velocidade máxima em direção a uma anomalia gravitacional oculta, situada a uma distância entre 150 e 250 milhões de anos-luz
Via Láctea viaja a toda velocidade rumo a uma força invisível no espaço
O grande atrator puxa nossa galáxia e tudo ao redor a uma velocidade assustadora de 1,3 milhão de milhas por hora, o que dá mais ou menos 600 quilômetros por segundo. Essa movimentação frenética acontece em direção a uma região misteriosa do universo, localizada entre 150 e 250 milhões de anos-luz de distância de nós.
O que é essa força que puxa a nossa galáxia?
Diferente do que muita gente imagina quando ouve falar em anomalia gravitacional, esse lugar não é um buraco negro gigante engolindo o universo. Os cientistas explicam que a região funciona como um vale gravitacional muito denso, com matéria suficiente para atrair grupos inteiros de galáxias.
A NASA aponta que o aglomerado de Norma, também conhecido pela sigla Abell 3627, faz parte desse ecossistema espacial e fica a cerca de 220 milhões de anos-luz de distância. O grande problema para estudar esse ponto é que a poeira e as estrelas da própria Via Láctea bloqueiam a visão dos telescópios ópticos.

Como os astrônomos descobriram esse movimento?
A história começou a ganhar força na década de 1980, quando um grupo de cientistas apelidado de Sete Samurais percebeu que a nossa vizinhança cósmica não seguia o fluxo esperado. Eles notaram um desvio na velocidade das galáxias em comparação com a expansão natural do universo.
Para conseguir enxergar através da sujeira espacial, os pesquisadores medem a chamada velocidade peculiar, que é basicamente o deslocamento extra gerado pela gravidade de grandes massas. Uma ferramenta comum para entender a física desses corpos celestes e a órbita de sistemas distantes é o mapeamento por radiação cósmica de fundo em micro-ondas, que ajuda a clarear os dados.
Por que a zona de evitação esconde o grande atrator?
O grande atrator fica escondido em um ponto que os astrônomos chamam de zona de evitação, um nome pomposo para a região encoberta pelo disco da Via Láctea. Olhar para lá com telescópios normais é o mesmo que tentar enxergar um poste de luz no meio de uma neblina pesada.
Para contornar o bloqueio, a comunidade científica usa dados específicos coletados por equipamentos de raio-X e infravermelho. Abaixo você confere os principais instrumentos e métodos utilizados ao longo dos anos para tentar desvendar o que existe do outro lado da poeira:
- Telescópios de infravermelho para furar a barreira de poeira densa.
- Radiotelescópios que captam emissões de hidrogênio gasoso de galáxias ocultas.
- Observatórios de raios-X para mapear aglomerados muito quentes e massivos.
Qual é o tamanho real do nosso superaglomerado?
Em 2014, uma equipe liderada pelo astrônomo R. Brent Tully mudou a nossa dinâmica espacial ao mapear o superaglomerado Laniakea. Eles definiram que a nossa casa faz parte de uma estrutura gigante com 500 milhões de anos-luz de largura e cerca de 100 mil galáxias.
Uma pesquisa publicada na revista Nature Astronomy trouxe dados atualizados sobre as bacias de atração do universo local. Veja a comparação das duas grandes estruturas que ditam o rumo da nossa viagem pelo espaço na tabela a seguir:
| Estrutura espacial | Extensão estimada | Papel no movimento cósmico |
|---|---|---|
| Superaglomerado Laniakea | 500 milhões de anos-luz | Abriga a Via Láctea e funciona como uma grande bacia de atração local. |
| Bacia de Shapley | Dimensão ainda maior | Força gravitacional externa que pode estar puxando todo o complexo de Laniakea. |
A Via Láctea vai colidir com essa anomalia?
Embora a nossa velocidade em direção a esse ponto seja absurda, os astrônomos garantem que a colisão final provavelmente nunca vai acontecer. O motivo por trás disso é a energia escura, uma força misteriosa que acelera a expansão do universo em escalas muito maiores.
Essa expansão constante afasta as estruturas distantes mais rápido do que a gravidade consegue puxá-las de volta, agindo como um elástico que se estica sem parar. No fim das contas, a Via Láctea vai continuar correndo nessa estrada infinita, mas o alvo vai se distanciar antes mesmo que a gente consiga chegar perto dele.
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