Não existe um lado da Lua que seja permanentemente escuro. O lado oculto recebe luz solar assim como o lado visível — simplesmente não o vemos da Terra porque a Lua está em rotação sincronizada
O lado oculto da Lua recebe luz solar do mesmo jeito que a face visível
O lado oculto da Lua não vive em uma escuridão eterna como muita gente imagina por aí. Esse pedaço do nosso satélite natural ganha iluminação do Sol na mesma proporção que a parte voltada para nós, só que a gente não consegue observar esse processo daqui do nosso quintal por causa de um encaixe perfeito nos movimentos orbitais.
Por que a gente só consegue ver um lado do nosso satélite?
Isso acontece por causa de um fenômeno físico bem interessante chamado acoplamento de maré. O nosso satélite gasta exatamente o mesmo tempo para dar uma volta completa ao redor do próprio eixo e para orbitar o planeta Terra. Esse período dura mais ou menos 27 dias, o que faz com que a mesma face fique sempre apontada para os nossos olhos.
Antigamente, o corpo celeste girava bem mais rápido do que gira hoje em dia. Com o passar de bilhões de anos, as forças gravitacionais da Terra funcionaram como um freio real nesse movimento de rotação. Esse ajuste terminou travando o posicionamento do corpo celeste na configuração exata que nós observamos todas as noites no céu.

Como funciona a iluminação no chamado lado oculto da Lua?
A luz do Sol atinge todas as partes da superfície lunar ao longo do mês. Quando a gente olha para o céu e vê a fase da Lua nova, significa que a face voltada para a Terra está no escuro. Nesse exato momento, o lado oculto da Lua está recebendo luz solar direta e passando pelo período do dia deles.
O ciclo de dia e noite por lá funciona de uma forma bem diferente da nossa rotina terrestre. Cada período de claridade intensa dura cerca de duas semanas seguidas, sendo sucedido por outras duas semanas de escuridão total. É uma dinâmica idêntica para os dois lados do corpo celeste, mudando apenas o momento em que a luz bate na superfície.
Quais são as principais diferenças visuais entre as duas faces?
Apesar de receberem a mesma quantidade de energia solar, as duas superfícies são visualmente bem distintas. A face que nós olhamos possui aquelas manchas escuras grandes, que os cientistas chamam de mares lunares. O lado oposto quase não tem essas marcas e apresenta uma quantidade muito maior de crateras de impacto espalhadas.
Os pesquisadores explicam essa diferença com base em alguns detalhes da estrutura do satélite:
- A crosta no lado oposto é muito mais grossa e firme.
- O magma antigo teve mais dificuldade para subir e inundar a superfície daquela região.
- A face visível sofreu mais com o calor da Terra jovem, mantendo a crosta fina por mais tempo.
Quem foram as primeiras pessoas a observar essa região misteriosa?
Nenhum ser humano tinha colocado os olhos naquela área até o final da década de 1950. O mistério começou a acabar em 1959, quando a sonda soviética Luna 3 conseguiu dar a volta no satélite e tirar as primeiras fotografias da região. Aquelas imagens borradas revelaram um cenário montanhoso e cheio de relevos que ninguém conhecia.
Anos mais tarde, em 1968, os astronautas da missão Apollo 8 da NASA se tornaram os primeiros homens a ver a região ao vivo. Eles orbitaram o satélite natural e testemunharam aquela paisagem cinzenta de perto, abrindo caminho para os pousos robóticos modernos que acontecem por lá atualmente.

Por que esse lugar virou o queridinho dos astrônomos modernos?
A comunidade científica tem um interesse gigante por aquela área por causa do silêncio de rádio. Como o corpo do satélite bloqueia todas as transmissões e ruídos que a humanidade produz na Terra, aquele ambiente se tornou o local mais limpo do Sistema Solar interno para escutar o universo profundo.
Instalar radiotelescópios por lá permite captar sinais fracos vindos da época em que as primeiras estrelas nasceram. É um ponto estratégico valioso para a ciência espacial, livre da poluição tecnológica que atrapalha as antenas aqui embaixo e ideal para entender a história do cosmos.
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